RWC19 Ronda 4: Queda dos Pumas e um genial País de Gales-Fiji

Francisco IsaacOutubro 9, 20196min0

RWC19 Ronda 4: Queda dos Pumas e um genial País de Gales-Fiji

Francisco IsaacOutubro 9, 20196min0
Na penúltima ronda do Rugby World Cup 2019 os Pumas foram incapazes de medir forças com a Inglaterra e as Fiji protagonizaram um jogo de elevado nível ante os galeses. O resumo da Ronda 4 do RWC 2019 no Fair Play

Estamos prestes a terminar a fase-de-grupos do Mundial de Rugby e na Semana 4 os Pumas puseram um ponto final no objectivo de chegar aos quartos-de-final, novamente às custas de uma derrota ante uma das grandes candidatas ao troféu… a Inglaterra. A França quase que apanhou um susto com o Tonga, Fiji e Gales ofereceram um autêntico espectáculo (outro)!

A Semana 4 do RWC 2019 analisada no Fair Play!

PUMAS SEM AS GARRAS DE OUTRORA… MAS LIMITADOS POR UM VERMELHO?

Saída pela porta pequena do Mundial de Rugby 2019 para os famosos Pumas, que ao contrário das duas edições anteriores ficam de fora da fase a eliminar. Esta fatalidade foi confirmada após uma derrota por números expressivos por 39-10 ante a Inglaterra de Eddie Jones e nem a vitória satisfatória ante os EUA parece ter afastado o “fantasma” dos vários problemas dos comandados de Mario Ledesma.

Em relação ao encontro com a Inglaterra, se a não convocatória de Nicolás Sánchez já podia ser entendido como um sinal negativo para o encontro, o vermelho de Tomás Lavanini acabou por ser um dos últimos “pregos no caixão” da participação dos argentinos na 9ª edição da maior competição de rugby do Mundo. Foi merecido? Não há dúvidas que foi… o 2ª linha não se preocupou minimamente com a integridade física de Owen Farrell (o centro voltou a ser alvo de uma defesa alta e agressiva neste Campeonato do Mundo) e acertou na cabeça do inglês, não restando outra solução a Nigel Owens que mostrar o vermelho.

Esta situação veio na pior altura possível, pois os Pumas encontravam-se a perder só por 2 pontos (03-05) e pareciam estar a conseguir desorganizar com qualidade o ataque da Rosa. Sem Lavanini, a formação-ordenada argentina começou a desmoronar e mesmo com o sacrifício constante de Pablo Matera, Guido Petti ou Juan Figallo, os argentinos foram recuando no terreno, perdendo a posse e controlo da bola, que foi bem aproveitada em especial pelo trio-de-trás inglês, com Elliot Daly a dar um espectáculo em termos de leitura táctica e conquista da linha de vantagem.

A Argentina foi essencialmente vítimas dos seus erros, ficando física e tacticamente muito aquém do que era necessário para chegar a outro patamar do Mundial. Se Pablo Matera foi uma referência na placagem e trabalho na subida de linha de pressão, a ausência de um nº8 especialista em fazer mossa no ataque foi clara, deixando um vazio de poder e domínio da parte dos Pumas. E, claro, sem Nicolás Sánchez não houve um jogo ao pé minimamente inteligente que desse outra profundidade à contra-reacção dos argentinos, quase inexistente durante os 80 minutos contra a Inglaterra.

LES BLEUS CAPAZES DO MELHOR E DO PIOR

Um susto daqueles bem grandes, não é verdade Jacques Brunel? Os Les Bleus acabaram os últimos 10 minutos do jogo frente ao Tonga encostados aos seus 10 metros, defendendo como podiam e repelindo as tentativas de ataque do Tonga, que apesar de ter apresentado sinais de cansaço, nunca deixou de lutar pelo resultado e acabou mesmo por marcar um ensaio aos 78′, colocando-os a apenas 2 pontos da França.

Mas bem o que se passou com os comandados de Jacques Brunel? Para variar, caos seja a defender ou a atacar, pautando-se muito por uma atitude nervosa e gaga no controlo de bola e em consecutivos maus encaixes defensivos que resultaram em falhas de placagem preocupantes… felizmente para Brunel, Tonga não tinha velocidade suficiente nas suas linhas atrasadas para aproveitar estas falhas.

Verdade que a França apresentou uma equipa com várias alterações, notando-se as ausências de Gael Fickou ou Antoine Dupont, e mal acabou o gás de Raka (exibição de 5 estrelas do ponta, com 151 metros conquistados e um ensaio e uma assistência) e Vakatawa surgiram vários problemas em termos de dar uma resposta ágil à defesa pouco pressionante especialmente no interior da selecção do Pacífico. A somar a isto, Ntamack teve problemas em assumir o papel de abertura criador de jogo, limitando muito aquele estilo mais vibrante  que se viu frente aos Pumas.

Com a qualificação garantida para os quartos-de-final, é altura de Jacques Brunel trazer o melhor que os Les Bleus têm para oferecer, deixando de parte o jogo mais cinzento e sem explosão de fora.

UM ESPECTÁCULO CHAMADO “OS FIJIANOS QUE SONHARAM CONTRA OS REIS DA EUROPA”

País de Gales e Fiji foram novamente os “culpados” por oferecerem um jogo intrigante, acelerado, intenso e dinâmico voltando a elevar o Mundial de Rugby para um nível de êxtase total que vai deixar saudades quando regressarmos novamente aos jogos simplórios. O País de Gales passou por um sufoco inicial quando as Fiji marcaram dois ensaios sem conversão, colocando uma pressão extra que só foi ultrapassada graças à perspicácia e leitura de jogo de Josh Adams, com o ponta a responder da melhor forma à fisicalidade oferecida por parte de Josua Tuisova.

Durante largos minutos de jogo, ambas as equipas foram trocando golpes e acções ofensivas, onde o jogo de pés de Radradra só foi igualado pela explosão e leitura táctica de Liam Williams (jogo de topo do defesa com mais de 150 metros conquistados no terreno), impondo um contorno atacante que foi facilitado pela pouca eficácia em termos defensivos.

Se os galeses erraram o alvo por 15 ocasiões em 75 tentativas, os fyling fijians deixaram passar o adversário em 31 situações de um total de 107, dilatando assim o encontro em termos ofensivos, deixando no entanto algumas preocupações para o futuro, em particular para a selecção europeia que segue para os quartos-de-final.

Os quatro amarelos (este mundial já bateu o recorde de cartões, estando perto de atingir as duas dezenas) foram facilitando a abertura de espaços nas cortinas-defensivas, ficando na retina a falta de disciplina fijiana na luta pelo breakdown (cópia do que se passou com a Austrália) ou a agressividade excessiva imposta pela avançada dos Dragões Vermelhos, sendo que Ken Owens pode vir a ser citado por jogo perigoso.

840 metros conquistados, 16 quebras-de-linha, 48 defesas batidos são números espectaculares de um jogo que ficará relembrado como um dos melhores neste RWC 2019!

OS ACCOLADES DA RONDA

Melhor Jogador: Adam Hastings (Escócia);
Melhor Marcador de Ensaios: Cobus Reinach (África do Sul);
Jogador “truque” da Fantasy: Juan Mallia (Argentina);
Maior Desilusão: Pablo Matera e os restantes Pumas no jogo frente à Inglaterra;
Pormenor da Semana: o trabalho de pés de Semi Radradra (Fiji);

XV DA JORNADA


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