Rugby Youth Player: Marcus Smith, um abertura para uma Rosa mais mágica?

Francisco IsaacJulho 3, 20195min0

Rugby Youth Player: Marcus Smith, um abertura para uma Rosa mais mágica?

Francisco IsaacJulho 3, 20195min0
20 anos mas já vai com 225 pontos marcados na Premiership inglesa, sendo sem dúvida alguma um dos maiores talentos a jogar no Velho Continente. Marcus Smith analisado no Rugby Youth Player

Nova rubrica do Fair Play que tem como objectivo apresentar e analisar novas estrelas jovens do rugby mundial, sempre entre os 17 e 22 anos de idade. Começamos por Marcus Smith, uma das novas estrelas do rugby inglês que nasceu nas Filipinas de pai britânico e mãe filipina e que passado alguns anos integrou a academia de Brighton College para depois dar o salto para os Harlequins!

MARCUS SMITH – E AGORA PARA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE!

Como dissemos, Marcus Smith nasceu nas Filipinas mas aos 12 anos chegou a Inglaterra, mais precisamente para o Brighton College onde recebeu uma bolsa para estudar e jogar rugby. Desde então desatou a crescer e a conquistar fãs no rugby inglês ao ponto que aos 18 anos foi convocado pela equipa principal dos Harlequins (clube pelo qual assinou em 2016) e lançado no dia 2 de Setembro na recepção aos London Irish.

Mas antes de irmos aos números da primeira temporada de Smith pelos Quins de Londres, é importante recuar a um momento essencial para o despertar de paixões pelo abertura: Singha Premiership Rugby Sevens 2017.

O Campeonato Nacional de 7’s dos emblemas da Premiership tem servido como rampa de lançamento para alguns jogadores jovens e Marcus Smith em 2017 aproveitou o torneio exactamente para isso. Exibições extraordinárias, um rugby mágico, rápido e explosivo, onde os pés de “veludo” e umas mãos de “seda” criaram um autêntico alvoroço que o então treinador dos Harlequins, John Kingston, decidiu integrar o miúdo de 18 anos no plantel e com a possibilidade de agarrar desde logo o lugar de nº10.

Voltamos à época 2017/2018 e só com 18 anos Marcus Smith agarrou o lugar de abertura, pondo tudo e todos de boca aberta com as exibições galopantes e extraordinárias, onde a eficácia dos pontapés, os malabarismos na condução de bola e jogadas, a leitura da estratégia ofensiva e defensiva, a facilidade em encontrar as espaços foram sempre regra da panóplia de “truques e feitiços” de Marcus Smith. Na época de estreia, o nº10 foi responsável por 165 pontos, terminando no top-5 de melhores marcadores da Premiership inglesa, impondo um novo império nos Harlequins.

A chegada do Paul Gustard para o cargo de treinador-principal do emblema histórico londrino só beneficiou ainda mais o desenvolvimento e crescimento do nº10, que na 2ª temporada como sénior chegou aos 170 pontos (top-3 dos melhores marcadores de pontos), para além de ter terminado como um dos melhores assistentes para ensaio e um dos jogadores com mais quebras-de-linha da competição. Em duas temporadas, Smith foi responsável por 335 pontos em 35 jogos no total de duas épocas e isto tudo com só 20 anos feitos em 2019, demonstrando uma maturidade e evolução sem paralelo dentro do rugby inglês e, porque não, europeu.

A cereja no topo do bolo veio com a estreia pela Inglaterra a 2 de Junho de 2019… Smith foi chamado ao XV titular e tratou de conquistar o prémio de melhor jogador em campo. Na vitória dos ingleses frente aos Barbarians por 51-43 pontos, o abertura foi responsável por 26 pontos e 100% de eficácia na cobrança das conversões e penalidades, arrancando um sorriso de orelha-a-orelha de Eddie Jones (nesse encontro não estava como seleccionador) que vê em Smith como uma das futuras referências da Rosa.

Em termos da tipologia de jogo que apresenta Marcus Smith:

– Propenso a um jogo mais acelerado e com aproveitamento da largura do campo, optando ora por entrar directamente na linha defensiva contrária mas com uma ligeira corrida de lado, que tanto espera pela participação de um elemento ou que arrisca em ser o próprio a assumir o protagonismo, ou por fazer um ligeiro compasso de espera e jogar com combinações mais ao largo;

Velocista por natureza, o handling e a forma como interpreta as suas funções de 3/4 assemelha-se aos jogadores que actuam no Hemisfério Sul, mais concretamente na Nova Zelândia, sendo por natureza um atleta com uma dimensão ofensiva genial;

– Não é um perigo na defesa já que sabe participar com qualidade no fechar da linha-defensiva, apresentando-se como um placador com alguma qualidade, inteligente e que rapidamente oferece uma solução na contra-reacção;

– O jogo ao pé define muito do que é Marcus Smith, onde a eficácia na conversão de pontapés e a aplicação do pontapé em jogo corrido fazem uma diferença total para o jogo atacante dos Harlequins. A aplicação que faz do pontapé mostra inteligência e cultura de jogo que atribui uma dimensão mortífera aos Harlequins;

Conclusão, Marcus Smith é um abertura de nova escola, moldado para um tipo de jogo mais rápido, acelerado e aberto com a procura de dar outro sentido à profundidade e imaginação ao ataque. Será que Marcus Smith vai conseguir se impor na Selecção da Inglaterra num par de anos, permitindo a Owen Farrell regressar à posição de centro?

No próximo Rugby Youth Player vamos analisar Jordan Joseph, nº8 da selecção sub-20 da França e do Racing Metró 92


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