23 Mai, 2018

Internacionais de Outono #3 – A Afirmação da Escócia às 6 Nações

Francisco IsaacNovembro 28, 20177min0

Internacionais de Outono #3 – A Afirmação da Escócia às 6 Nações

Francisco IsaacNovembro 28, 20177min0
Muitas surpresas num fim-de-semana cheio de rugby internacional...e agora esperamos pelas Seis Nações 2018. A nossa análise ao último fim-de-semana dos Internacionais de Inverno

No último trecho de jogos dos Internacionais de Outono, o Mundo do rugby teve direito a várias surpresas com uma delas a ser a confirmação da Escócia às 6 Nações 2018. Gregor Townsend abalroou a Austrália de Michael Cheika, com um resultado bem expressivo de 53-24. Todavia, as surpresas não ficaram por aí, já que o Japão conseguiu conquistar um empate em França frente à equipa da casa… surpreendente e chocante.

O CHOQUE – SAMURAIS FAZEM IPPON A GUY NOVÉS

“Oh là là” é o som que saiu da boca da maioria dos adeptos dos Les Bleus no final dos 80 minutos do jogo contra o Japão… inacreditável, é o que nós todos podemos dizer da exibição dos nipónicos no U Arena em Paris. Jamie Joseph (o treinador que levou os Highlanders ao título no Super Rugby em 2015) agarrou nos Samurais e deu seguimento ao trabalho fantástico de Eddie Jones (houve alguns treinadores interinos pelo meio).

Um empate contra uma das grandes selecções mundiais deve dar motivos para “sorrir” ao país do Sol Nascente, que apresentou um rugby vibrante, enérgico e pulsante, colocando a França em maus lençóis em vários capítulos e momentos do jogo.

Timothy Lafaele, Michael Leitch, Amanaki Mafi e Lomano Lemeki são quatro jogadores naturalizados que fazem a diferença, mas que dizer Harumichi Tatekawa (poderoso centro, que conseguiu parar por 10 vezes os seus adversários) ou Kazuki Himeno, dois japoneses de “gema” com uma qualidade imensa.

E a França? Bem, Guy Novés tem tido uns dois anos atribulados à frente dos gauleses e nem a vitória para organizarem o Mundial 2023 os motivou para realizar uma boa exibição. O que aconteceu? Terá sido só este jogo? Ou a qualidade de jogo dos gauleses está globalmente a cair?

Um dos pontos a reter é o facto da selecção francesa ter dificuldades em manter a oval sob seu controlo durante largos períodos de jogo. Não há capacidade para trabalhar fases atrás de fases, incapacitando a possibilidade dos seus adversários terem tempo para montar o seu jogo. A França dos anos 2000 (até 2011) era uma equipa irritante, que aguentava a bola, que rapidamente ia buscá-la ao chão e tinha um ataque letal.

Em 2017 é tudo menos isso e vive muito das exibições individuais (ou a falta delas) dos seus “artistas” como Louis Picamoles, Trinh-Duc ou Guilhem Guirado.

Jogo caótico, triste e despontante por parte do Champagne francês…

A QUEDA – ARGENTINA É A HORA DE COMEÇAR A PENSAR O FUTURO…

Muito se falou de Daniel Hourcade e dos seus magnificos Pumas após o Mundial 2015, onde conquistaram um valoroso 4º lugar. Contudo, neste final de ano 2017, a selecção do país das Pampas parece algo banal e com uma forma de jogar pouco interessante. A palavra que melhor se adequa para a Argentina é: estagnados.

Não há a intensidade correcta, parecem estar sempre com os timings de jogo errados, caindo na tentação de meter as mãos no “ruck” ou estar um passo à frente da linha de fora-de-jogo. A indisciplina é um dos problemas e com a Irlanda não fugiram à regra, com oito penalidades, três delas aproveitadas por Sexton para atirar aos postes o que acabou por fazer a diferença no placard (28-19, 3-3 em ensaios).

A Argentina do Mundial 2015 parece ter sido o pico máximo e, agora em 2017, estão visivelmente em queda abrupta. Os Jaguares, os constantes fracassos no Rugby Championship, as fracas prestações frente à Inglaterra são alguns pormenores marcantes dos Pumas na actualidade.

Frente à Irlanda faltou sorte e uma equipa mais motivada para tentar quebrar com a confiança dos “meninos” de Joe Schmidt que voltaram a realizar uma excelente exibição a defender e aguentaram firmes nos momentos em que a Argentina tentou superar a linha de defesa.

2018 tem de ser um ano de renovação e reformulação da Argentina… 12 amarelos e 2 vermelhos no espaço de 9 jogos é um dos vários problemas da Argentina de Hourcade.

O JOGADOR – RIEKO IOANE… DÁ PARA INVENTAR MAIS ADJECTIVOS?

Aos 20 anos Rieko Ioane começa a construir um início de carreira nos All Blacks quase lendário… 11 ensaios no espaço de 12 meses e dez dias é qualquer coisa de fenomenal. Em 13 internacionalizações como ponta da Nova Zelândia, Ioane já atingiu a área de ensaio por 11 vezes, assistiu outras 4 e deu um toque de “magia” nos bicampeões mundiais.

Os ensaios contra o País de Gales são uma pequena demonstração do que Ioane dá à equipa: excelente leitura de jogo, reacção imediata e explosão sem adversário à altura. O primeiro é uma boa intercepção e o segundo é uma jogada tão bem trabalhada a partir de formação ordenada, com Rieko Ioane a receber a bola das mãos de Perenara, acelerando pelo meio da defesa da equipa da casa, sem que estes o conseguissem apanhar.

Como dissemos, num jogo em que marcou 2 dos 5 ensaios, Ioane ainda assistiu uma e esteve na jogada de outro… uma exibição “cheia” de um talento que veio para ficar. Muito cuidado…

A CANDIDATURA – É A HORA DA FLOWER OF SCOTLAND

O que esta Escócia está a jogar é inexplicável… arrumou com a Austrália com uma exibição portentosa (beneficiou também da expulsão igualmente inexplicável de Sekope Kepu) e volta a enviar uma aviso muito sério para os seus “colegas” das 6 Nações: “Estamos aqui para ganhar”.

Gregor Townsend não pode não estar feliz com os resultados obtidos naquele que estão a ser os seus primeiros 6 meses à frente da selecção escocesa, com um rugby deliciosamente “agressivo”, de uma intensidade ofensiva entusiasmante e uma defesa completamente “cerrada” e que tem bons “ladrões” de bola como Hamish Watson ou John Barclay.

Mesmo com o azar de Stuart Hogg não ter jogado (lesão no aquecimento), a Escócia impôs uma velocidade e ritmo de jogo altamente altos, com a avançada a ocupar bem os espaços e a comunicar bem com Ali Price. Aliás, foi o formação que marcou o ensaio da reviravolta, com uma saída de maul bem vista, que também mereceu de uma “ajuda” por parte da falta de placagem australiana.

Para além disso, a Escócia pareceu sempre estar mais “acordada” e activa que a sua congénere do Hemisfério Sul, que realizou uma série de falhas na placagem no mínimo grave. Nem Hooper valeu a uma equipa que  está outra vez numa espiral negativa de resultados e, também, de exibições.

Os escoceses contam com novas “estrelas” como Byron McGuigan, Stuart McInally ou Darryl Marfo, numa selecção que ainda tem os “astros” Tommy Seymour, Finn Russell (pujante e “mágico” o nº10), Huw Jones (como parar este centro de elevada categoria?), Hamish Watson ou Peter Horne… e ainda têm lesionados WP Nel, Stuart Hogg, Greig Laidlaw, Richie Gray, Alex Dunbar ou Ross Ford.

Será 2018 o ano da Escócia?

MELHOR JOGADOR: Rieko Ioane (Nova Zelândia)
MELHOR ESTREANTE: Gabriel Lacroix (França)
“PATINHO FEIO” DA SEMANA: Sekope Kepu (Austrália)
MELHOR ENSAIO: Naholo vs País de Gales (min.14)
MELHOR PLACADOR: Sam Canes (Nova Zelândia)
MELHOR JOGO: País de Gales vs Nova Zelândia

Podem ver todos os Highlights de todo o mês de jogos em: Autumn Internationals


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