5 destaques finais do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacOutubro 7, 20219min0

5 destaques finais do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacOutubro 7, 20219min0
Escolhemos os principais destaques do The Rugby Championship 2021, desde o(s) melhor(es) da competição ao XV do ano. Concordas connosco?

Dos melhores jogadores à melhor equipa, do XV da temporada aos génios que prometem mundos e fundos, estes são os 5 destaques finais do The Rugby Championship 2021, escolhidos pelo Fair Play

MVP: A TRIPLICE DE KEREVI, BARRETT E KOLISI

Difícil escolher o MVP deste The Rugby Championship 2021, já que vários jogadores se destacaram em diferentes momentos e/ou jogos, seja pelo impacto que tiveram em ensaios, jogadas, forma de jogar, fluidez de jogo e vitórias. Num dos torneios mais atribulados de sempre da história da competição, em que nenhuma das participantes terminou invicta, foram alguns os nomes que ascenderam a uma categoria de gamechangers pelas mais diversas razões. Foram eles: Siya Kolisi, Beauden Barrett, Samu Kerevi, Lukhanyo Am, Ardie Savea, Michael Hooper, Andrew Kellaway, David Havili. A lista poderia ter mais informações outro nome, não há dúvidas, mas foram estes 7 jogadores a se adornarem de um manto especial e de influência enorme no desfecho final. Deste septeto, reduzimos para um trio e explicamos o porquê de merecerem o nosso selo de MVP:

Siya Kolisi (Springboks): está no caminho de se tornar um dos maiores líderes e capitães de sempre da história do rugby, muito devido ao espírito de luta, sacrifício, resiliência e adaptação que impõe a cada nova exibição. É ele a cara principal por trás destes inspiradores Springboks, indo muito para lá dos limites do comum mortal, erguendo-se rapidamente após a cada placagem, entrada no contacto, decisão, habitando em si um princípio inabalável de nunca desistir e persistir até que não haja mais tempo de jogo disponível. Com duas placagens que salvaram a África do Sul de ensaios certos, a cultura táctica do asa é soberba e que retira imediatamente vantagens para a África do Sul.

Beauden Barrett (All Blacks): o erguer de Richie Mo’unga forçou ao duas vezes melhor jogador do Mundo a tomar uma decisão: ficar satisfeito com o lugar de suplente e garantir os mínimos, admitindo que já não possui as mesmas forças do passado para disputar um lugar com a nova geração; ou voltar a deslumbrar e mostrar que é o principal contender à camisola 10. Olhando para os dados finais, parece-nos que Beauden Barrett foi pela segunda opção, já que assistimos a shows espectaculares em diferentes jogos, como no último encontro do The Rugby Championship frente aos Springboks, abrindo espaços numa defesa de categoria para iniciar a cadeia de ataque da Nova Zelândia que terminou em pontos ou ensaios. Momentos espectaculares foram proporcionados pelo abertura durante todo o torneio, seja os pontapés teleguiados para as mãos de companheiros, os offloads impossíveis ou a capacidade para organizar fases e jogo, conseguindo impor o sistema de jogo dos All Blacks mesmo frente à África do Sul. Voltou em força, comprovou que ainda está acima dos seus pares e, em forma, é o melhor “abre-latas” dos homens de negro;

Samu Kerevi (Wallabies): como Beauden Barrett, o centro juntou-se aos Wallabies sem ter jogado no Super Rugby desta temporada, não tendo sido esse “pormenor” negativo quando voltou a ser chamado por Dave Rennie. Kerevi foi espectacular na maioria dos jogos, entrando a 200%, com uma intensidade apaixonante, decisiva e diferenciadora, o que possibilitou à Austrália jogar com outra manobrabilidade e profundidade, impondo ao seu centro uma importância siginificativa na construção das fases de jogo. Mesmo que tenha começado mais a frio com os All Blacks (mesmo assim foi dos melhores em qualquer uma das derrotas), a verdade é que teve um papel fulcral em massacrar o sistema defensivo da África do Sul, alternando bem entre o ir ao contacto directamente e aglutinar o máximo de defesas possíveis ou dele próprio ser um dos manobradores de bola dos Wallabies, o que abriu espaço e oportunidade aos seus parceiros de 3/4s em deflagrar e invadir o território defensivo contrário. 5 quebras-de-linha, 21 defesas batidos, 585 metros conquistados e 4 assistências são os índices básicos para compreender o impacto que teve, mas os números não mostram bem a influência que teve na sequência de quatro vitórias consecutivas no The Rugby Championship.

COMEBACK: ABRAM ALAS AO REI QUADE COOPER

Quão bem sabe ver de volta Quade Cooper de volta ao seu melhor e trazer um pouco daquela irreverência técnica que o elevou como um dos maiores gamechangers do século XXI? E, que para além desse virtuosismo, adicionou uma dose de calma, paciência e experiência que proporcionaram lhe este retorno à cena internacional? Desde 2018 que não se ouvia ou via o seu nome no mix dos Wallabies, tendo passado por um período de reflexão, recuperação mental e solidez no temperamento, o que modificou enquanto pessoa, tendo afectado, positivamente, também o seu papel como jogador e gestor de jogo. Aos 33 anos, Quade Cooper foi capaz de convencer o staff técnico dos Wallabies em abrir-lhe a porta dos treinos, fazendo parte do grupo desde o primeiro jogo na Bledisloe Cup, apesar de não ter sido convocado até ao encontro com os Springboks, esperando quase dois meses até conseguir receber uma convocatória para voltar a usar a camisola da Austrália.

Em quatro jogos, o abertura marcou 47 pontos, assistiu para ensaio por 3 vezes ou abriu espaço para 7 quebras-de-linha de colegas seus (excelente parelha com Samu Kerevi e Andrew Kellaway), conseguindo fazer alguns sidesteps mágicos, sem ser com a consistência do passada, o que não significa que seja um apontamento negativo, pois evoluiu para outro tipo de n°10 com uma abordagem estratégica mais conservada entre os 50/30 metros finais, para depois apostar em criar um ataque dinâmico e de construção de linhas directas de contacto com apoio sempre no jogo interior, estando uma unidade exterior à espera de um offload rápido. O retorno destas antigas lendas aos Test Matches confere um sentimento de que tudo é possível se o caminho for bem trilhado, como aconteceu com Quade Cooper, ficando agora a dúvida se continuará a ser opção (vai continuar a jogar no Top League japonês) para Dave Rennie, ou se James O’Connor e Noah Lolesio vão ser os primeiros nomes na lista para aberturas da Austrália.

A MELHOR EQUIPA: ALL BLACKS

Difícil não dar o título de melhor equipa à hoste neozelandesa de Ian Foster, pois foram campeões, marcaram o maior número de pontos, sofrendo o menor também, tendo ainda conseguido uma sequência de cinco vitórias consecutivas no decurso de todo The Rugby Championship. Sim, perderam no fim contra uma África do Sul que aparentemente já não jogava para não, a não ser o orgulho próprio (um erro que avalia estes jogos desta forma quando o título já está entregue), mas também a derrotaram na semana anterior, conseguindo realizar várias exibições de categoria e de alta qualidade, especialmente na resposta ao jogo ao pé, no contra-ataque, velocidade das fases, execução técnica e aproveitamento máximo das suas principais faculdades tácticas e físicas, sendo, novamente, o alvo a abater do rugby mundial.

Continuam a surgir algumas intermitências psicológicas, como se viu naquele início de segunda-parte frente aos Springboks (perda de agressividade, pouca luta nos rucks, falta de compromisso no apoio) e isso será o maior problema de Ian Foster para os próximos tempos, mas em termos de jogo jogado, qualidade exibicional e proposta estratégica, foram a seleção mais compacta deste The Rugby Championship 2021. Acertando as falhas pela via de apostar nas melhores unidades disponíveis, especialmente aquelas que oferecem mais ao colectivo, e garantindo um plano B para quando surgem adversários do estilo da África do Sul naqueles 25 minutos finais (pontapé em profundidade, bloqueio constante nas fases-estaticas e uma pressão mais caótica nos centros), dificilmente estes All Blacks não estarão na final do próximo Mundial de rugby, mesmo sendo Ian Foster um seleccionador com pouca arte para recriar está espantosa seleção em algo similar mas pulsada de novas nuances, que só Scott Robertson ou Clayton McMillan serão capazes de trazer.

O GÉNIO PROMISSOR: ANDREW KELLAWAY E DAVID HAVILI

Andrew Kellaway foi o líder da maior parte dos dados estatísticos do The Rugby Championship 2021, seja nos ensaios (7), quebras-de-linha (8), defesas batidos (21), metros conquistados (430) ou melhor taxa de aproveitamento quando consegue penetrar na linha defensiva opositora, subindo ao topo dos maiores finishers actuais do rugby australiano ou do Hemisfério Sul (10 Ensaios em 7 internacionalizações). O ponta tem pormenores técnicos refinados e de luxo, tendo massacrado os seus adversários em 2021 muito por via não só da velocidade ou sentido de oportunidade, como por causa da sua leitura rápida ao jogo, percebendo onde e como consegue fazer diferença, que tipo de estratégia a implementar para garantir uma fase de ataque de sucesso para os Wallabies, detalhes bem vislumbrados durante o decorrer desta competição.

Já David Havili tornou-se prepondera no modelo de jogo de Ian Foster, surgindo como primeiro movimentador do ataque dos All Blacks, o que permite soltar o seu abertura para outras funções, sem esquecer a sua virtude de devorador de metros e sentido de predador quando assalta o ataque adversário. A panóplia de “truques” do centro é imensa, o que oferece outras oportunidades à Nova Zelândia especialmente em jogos onde é necessária uma adaptação à estratégia adversária, podendo passar de um centro habilidoso e de constante movimentação da oval para um mais dedicado a insistir em entradas no canal 2 – isto após uma fase-estática – com o intuito de forçar uma rotura defensiva no bloco opositor, seguindo-se um perigoso offload ou uma fase veloz, dinâmica e pulsada de um carácter ameaçador. Os dados finais provam a influência de Havili nesta Nova Zelândia, que busca um camisola 12 competente, mágico e agressivo: 4 assistências, 4 intercepções, 357 metros conquistados, 5 offloads, 11 defesas batidos e 3 ensaios. Dois jogadores que subiram ao nível de estrelas em 2021 e que se esperam grandes conquistas num futuro próximo.

O MELHOR XV DO THE RUGBY CHAMPIONSHIP


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