O Rugby Championship e os testes de Novembro – Coluna Pedro Sousa Ribeiro

Fair PlayOutubro 15, 20184min0

O Rugby Championship e os testes de Novembro – Coluna Pedro Sousa Ribeiro

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Vem aí a última fase de selecções do Mundo da oval com os testes de Novembro. Pedro Sousa Ribeiro explica o porquê vir a ser um grande mês para o rugby mundial

A Nova Zelândia foi mais uma vez a vencedora do Rugby Championship o torneio realizado anualmente entre as 4 mais fortes nações do hemisfério sul. Mas, ao contrário de anos anteriores, as suas últimas exibições deixaram algumas dúvidas sobre a sua superioridade. Os dois jogos com a África do Sul, uma derrota em Wellington e uma vitória nos últimos momentos no jogo realizado em Pretória, mostraram à evidência que a grande superioridade dos dois anos anteriores se tem vindo a esbater.

Por outro lado, notou-se uma clara melhoria nas exibições da África do Sul o que perspetiva uma forte ambição para o próximo campeonato do mundo.  Os outros dois países participantes, Argentina e Austrália tiveram exibições que as deixaram um pouco afastadas das duas anteriores.

Especialmente a Austrália atravessa um período menos bom tendo descido para o 7º lugar no ranking mundial. A forte concorrência de outros desportos coletivos, Futebol Australiano (“Aussie Rules”), Rugby League e Futebol  tem certamente limitado o recrutamento de jogadores para o Rugby Union originando um enfraquecimento das suas equipas nacionais.

Mas, sendo a Austrália um país onde a prática desportiva é mais generalizada, conseguirá certamente encontrar os meios necessários para voltar a disputar os lugares cimeiros do rugby mundial.

A Argentina depois de um período bastante frouxo nos testes de junho onde foi batida sem margem para dúvidas pelo País de Gales, apresentou-se no Rugby Championship, depois de uma mudança de treinador, bem mais forte e esteve prestes a atingir a 3ª posição, não fora uma desastrada 2ª parte no jogo com a Austrália.

Passado que foi este período, todas as atenções se voltam para a Europa e para os jogos teste da chamada janela de novembro. Todas as nações do hemisfério norte irão realizar, 3 ou 4 jogos com nações do hemisfério sul.

Escócia, França. Inglaterra, Irlanda, Itália e País de Gales irão medir forças com África do Sul, Argentina, Austrália e Nova Zelândia. Os diversos jogos, os últimos antes do campeonato do mundo de 2019 a realizar no Japão, irão aferir da situação das diversas equipas.

Todos os jogos estão a ser encarados com elevada expetativa mas os jogos dos “All Blacks” com Irlanda e Inglaterra atingem níveis de interesse estrato-esférico. Este conjunto de cerca de uma quinzena de jogos vão-nos dar uma ideia, mais ou menos segura, do que se vai passar no Japão. Os “All Blacks” defrontaram a Inglaterra pela última vez em 2014 e Twickenham vai ser cenário de um embate com forte carga emocional.

Por outro lado a Irlanda foi a última equipa europeia a vencer os All Blacks, o que fizeram em 2016 pela primeira vez na história, e leva os irlandeses a esperar que uma 2ª vitória seja possível. Se o estádio Aviva em Dublin, tivesse o triplo ou quádruplo da lotação esgotaria do mesmo modo, tal a procura de bilhetes para esse jogo.

Um amigo meu, com contactos privilegiados na World Rugby, tentou, recentemente, obter bilhetes. Teve a seguinte resposta “É mais fácil conseguir uma audiência com o Papa que bilhetes para esse jogo “.

Além dos jogos entre equipas do Tier 1 cada uma das nações europeias fará um jogo com uma equipa do Tier 2, EUA, Geórgia, Fiji, Japão e Tonga. Será que alguma equipa do Tier 2 poderá vencer um ou outro jogo? Apesar da sua lenta progressão não se vislumbra nenhuma surpresa e as nove posições cimeiras do ranking mundial continuarão a ter os mesmos donos.

Apenas a Itália não entra neste grupo e muito interessante vai ser o seu jogo com a Geórgia já que esta última tem vindo a subir consistentemente nos rankings internacionais, encontrando-se mesmo em melhor posição, e aspira a tomar um lugar no Torneio das 6 Nações.

Uma vitória da Itália afastará esse objetivo por vários anos, mas a acontecer o inverso a Itália ficará em situação muito delicada, com a sua continuada participação no 6 Nações em dúvida.


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