E o título continua em mãos All Blacks – Rugby Championship 2018

Francisco IsaacSetembro 30, 20187min0

E o título continua em mãos All Blacks – Rugby Championship 2018

Francisco IsaacSetembro 30, 20187min0
Sexto título em sete anos para a Nova Zelândia comprova o seu poderio a nível Mundial... o Hemisfério Sul está nas mãos All Blacks... o que se segue? O Mundo (de novo)?

WALABIES EM EXTINÇÃO E SPRINGBOKS EM BUSCA DA PLENITUDE

Michael Cheika começa a ter não só os resultados, adeptos e analistas contra si, mas também o relógio do Mundial está a “apertar”. O seleccionador da Austrália não conseguiu encontrar um rumo certo em Port Elizabeth e caiu perante uns confiantes (apesar de algo desajeitados) Springboks, o que os deixa no último lugar da classificação.

Mas realmente o que se passou com estes Walabies que cada vez mais perdem aquela beleza de jogo ao largo total e a eficiência na defesa? Sobretudo, as escolhas feitas pelo seleccionador aussie foram “fracas”, provando, mais uma vez, que Kurtley Beale a número 10 é uma perda enorme. Para além de tornar o jogo ofensivo australiano em algo caótico e inexplicável por vezes, a sua ausência da posição de centro é notada. Com Bernard Foley no banco, por opção, Beale tem agarrado o papel de médio-de-abertura sem que consiga fazer esse papel com qualidade.

Mais uma vez, foi caçado com facilidade pela 3ª linha, com Notshe (substitui Warren Whiteley sem que se notasse a ausência do nº8 dos Lions) a pressioná-lo de uma forma genial e Steph du Toit a ir às segundas bolas, de forma a “pilhar” a oval no breakdown. Com Beale completamente dominado durante largos períodos do encontro, a Austrália procurou outras opções de jogo, sem que conseguisse encontrar um rumo certo.

De novo, a opção de ter Israel Folau a ponta e não a defesa (a sua melhor posição) funcionou no fim contra os Wallabies, que perderam volatilidade, velocidade e explosão a partir da posição de 15. Haylett-Petty não costuma falhar, é um jogador sólido, mas não apresenta metade da qualidade na condução de bola que Folau e isso foi facilmente notado, também, no jogo.

Mais uma vez, Rassie Erasmus fez um bom trabalho de casa ao procurar forçar erros de ataque nos seus adversários, de modo a dar alguma posse de bola aos seus jogadores para depois traduzir em pontos. Em termos de pendor e qualidade de gameplay ofensivo não deslumbraram, ficando-se pela eficácia e aproveitamento das poucas ocasiões em que andaram nos últimos 22 metros.

Se o primeiro ensaio marcado da autoria de Dyantyi é uma oferta daquelas fáceis de aproveitar (mais uma vez, erro de Kurtley Beale na hora de olhar e passar), já o de Faf de Klerk provém de um erro de posicionamento da defesa ao largo… Pollard entra, abre e depois Beale sobe demasiado rápido sem o acompanhamento do colega do seu lado direito para impedir que haja sequência para um offload… como ninguém veio, facilmente o médio de formação dos Springboks conseguiu chegar à área de ensaio.

Mesmo com a recuperação australiana logo de seguida, os Springboks mantiveram a calma necessária para continuar a trabalhar, defendendo agressivamente bem e com uma eficácia acima da média (87%, 125 placagens confirmadas), o que levou aos Wallabies atingir níveis de impaciência gritantes fatais no final dos 80 minutos.

Mesmo com mais penalidades cometidas pelos ‘boks, os australianos recusaram-se a pedir “postes” optando pelo alinhamento… infelizmente, para Michael Cheika correu extremamente mal, não só pela fracasso dos seus próprios jogadores mas pela inteligência sul-africana na disputa nos saltos ou trabalho no chão. Eben Etzebeth, Franco Mostert e Siya Kolisi foram essenciais neste departamento, destruindo as tentativas de maul da Austrália, o que levou a várias recuperações da oval.

A somar a isto Handré Pollard esteve com o pé certeiro e umas linhas atrasadas competentes, os Springboks foram uns justos vencedores por 23-12 no 5º jogo do Rugby Championship. Para os Wallabies resta não perder em Buenos Aires… será que Michael Cheika vai tropeçar, novamente? E conseguirá a África do Sul derrotar os recém-campeões All Blacks?

CONFIRMAÇÃO DO TÍTULO COM DISSIPAÇÃO DE DÚVIDAS

Depois de uma derrota atemorizante em casa frente aos Springboks, os All Blacks deram a resposta necessária com uma boa exibição no terreno de jogo dos Pumas em Buenos Aires. Um duelo sempre quente, muito pela vontade de ganhar da Argentina que se entregou de uma forma totalmente física, com placagens soberbas e excelentes respostas defensivas perante as quebras-de-linhas dos neozelandeses, mas que no final não foram suficientes para aguentar com o poder ofensivo e lógico dos bicampeões mundiais.

A Nova Zelândia apresentou-se calma, serena e desperta para o desafio que se avizinhava, contrariando a ideia que seriam “dificultados” nos avançados o que levaria a depois terem um bloco de linhas atrasadas a sair com bolas mais lentas e, desta forma, menos proeminentes às roturas defensivas.

Felizmente para a selecção comandada por Steve Hansen, os seus 8 homens da frente deram garantias totais de que estão à altura ao desafio ao ponto de ganharem 4 penalidades em formações-ordenadas.

O trabalho foi bem conduzido por uma primeira-linha bem interessante de ver jogar, com Karl Tuinukuafe e Ofa Tuungafasi a criarem sérias dificuldades aos seus homólogos argentinos, aparecendo bem no jogo ao largo, especialmente o pilar dos Chiefs (ver a assistência para o ensaio de Waisake Naholo), surgindo no apoio e sempre preparado para um offload inteligente.

Para além disso, a introdução de Ardie Savea na posição de nº8 deu uma volatilidade e agressividade física e técnica à 3ª linha neozelandesa, que conseguiu fugir aos exímios defesas Kremer e Matera (jogo menos positivo dos asas, com só Matera a aparecer no final do encontro) abrindo espaço para várias jogadas de ataque dos agora-tri campeões do Rugby Championship. Kieran Read é um 8 mais clássico, dos atletas mais inteligentes no Planeta da Oval, com Ardie a ser uma espécie de perfurador de excelência.

Foi principalmente nos avançados que os All Blacks encontraram as forças necessárias não só para vergar a defesa da Argentina, como desmontar o ataque dos Pumas com alguma “facilidade” em certos momentos. Exemplo disso, foi como a Argentina não conseguiu marcar pontos a jogar contra menos um entre os 40 e os 50 minutos de jogo, não conquistando qualquer ensaio depois de 7 minutos de assalto aos últimos 5 metros dos seus adversários.

A defesa neozelandesa foi fria e eficaz, procurando criar sérias dificuldades na transição rápida da Argentina, que conseguia montar duas ou três boas fases, sem a possibilidade de se realizar a mais importante: a de rotura defensiva. Faltou cabeça para os caprichos dos Pumas, de encontrar alguma lógica dentro da sua imprevisibilidade atacante, que muitas vezes embateu contra a rápida recuperação kiwi no breakdown.

Beauden Barrett fez 100% em pontapés, Ryan Crotty e Sonny Bill Williams foram extraordinários no seu trabalho “meio” e Rieko Ioane voltou a ser o speedster imparável que a os All Blacks precisam.

Segue-se o último jogo do Rugby Championship 2018… com vitória ou derrota ante os Springboks? A Argentina de Ledesma recebe os Wallabies e seria proveitoso que parassem com as quezílias durante o jogo (constantemente a criticar as decisões do árbitro ou a “mordiscar” o adversário de modo a irritá-lo) para procurar a lógica dentro da sua tipologia de jogo.

EQUIPA DA SEMANA: Karl Tuinukuafe, Codie Taylor, Nicolas Chaparro, Franco Mostert, Scott Barrett, Siya Kolisi, Michael Hooper, Ardie Savea, TJ Perenara, Handré Pollard, Rieko Ioane, Sonny Bill Williams, Reece Hodge, Waisake Naholo e Emilliano Boffelli

JOGADOR DA SEMANA: Rieko Ioane (Nova Zelândia)

PONTUADOR MÁXIMO: Handré Pollard (África do Sul) com 13 pontos

MELHOR ENSAIO: Israel Folau (Austrália)


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