26 Mai, 2018

Portugal… recomeçar do zero para conquistar (de novo) o Grand Slam?

Francisco IsaacNovembro 17, 20179min0

Portugal… recomeçar do zero para conquistar (de novo) o Grand Slam?

Francisco IsaacNovembro 17, 20179min0
O recomeçar do zero para os Lobos é fundamental para voltar a encetar no caminho das vitórias e lutar pela subida de divisão que começa contra a Rep. Checa

Recomeça o “contra-relógio” da Selecção Nacional de rugby com a reentrada no Rugby Trophy, a 2ª divisão de Selecções da Rugby Europe. Após o fracasso da subida em Maio passado, com a derrota ante a Bélgica,  a “despromovida” ao playoff de subida/descida do grupo cimeiro. Os Lobos de Martim Aguiar não absorveram bem o impacto da derrota e voltaram a claudicar contra o Brasil, algo que nunca se tinha passado na História do rugby português.

Agora em Novembro de 2017, a selecção Nacional que há 10 anos tinha terminado a sua participação no Mundial de Rugby, vê-se numa situação complicada mas que em nada deve ser entendida como impossível: ganhar todos os jogos do Trophy, subir de divisão e reafirmar as qualidades do rugby português na Europa.

Nos últimos seis/sete meses o rugby português tem sofrido uma estagnação ou retrocesso por completo em termos do seu corpo dirigente, com as consecutivas demissões na Federação Portuguesa de Rugby, os desentendimentos entre staff técnico (a ausência de David Penalva e João Pedro Varela na comissão técnica é notada, não se sabendo os motivos do afastamento dos dois técnicos), o fracasso de contar com jogadores a actuar fora de “portas” (José Lima, Adérito Esteves, Diogo Hasse Ferreira e Pedro Bettencourt foram os únicos que atenderam à chamada do seleccionador Nacional) e a falta de entendimento entre clubes e Federação levou a que se chegasse a um cenário de ruína anunciada.

Esta situação actual leva a que muitos questionem o futuro da Federação, Selecção e do próprio rugby português que caminha, cada vez mais,para um afastamento de todas as partes e subsequentemente aproxima todos de um “precipício” preocupante para a modalidade. Todavia, os excelentes resultados obtidos pelas selecções sub-18 e 20 podem propiciar outro destino à Selecção Nacional, necessitando para isso de uma boa liderança, de uma direcção estável e de uma compreensão e esforço comum de todos os agentes do rugby Nacional.

Na convocatória anunciada para o jogo frente à República Checa o Fair Play apresenta aqui não só a convocatória mas também alguns pontos a reflectir.

Foto: FPR.pt

OS 4 ESCOLHIDOS PELO FAIRPLAY

Analisemos alguns dos jogadores que vão jogar frente à República Checa (já somou a sua primeira vitória no Trophy frente à Polónia) e que deve dar alguns motivos para os adeptos lusos sentirem esperançosos para com o futuro dos Lobos.

JOSÉ LIMA (US OYONNAX)

Não há dúvidas que José Lima é o melhor jogador formado em Portugal dos últimos 20 anos. O nível que o centro atingiu no espaço dos últimos quatro anos, permite distingui-lo como um dos melhores jogadores portugueses na Selecção Nacional.

Dotado de uma genialidade própria dentro do campo, o centro dá outra dimensão aos 3/4’s de Portugal apostando na exploração de offloads no contacto, onde a velocidade e capacidade de choque fazem diferença frente a selecções como a Holanda ou Polónia. Para além disso, José Lima tem-se dedicado por inteiro a Portugal, representando a Selecção com um grande “coração” e uma virtude diferente.

VASCO RIBEIRO (AEIS AGRONOMIA)

É um nome que se repete vezes sem conta nos artigos do Fair Play, mas em boa verdade merece. Vasco Ribeiro surgiu muito cedo no escalão sénior (só com 17 anos, pela mão de João Moura, o então treinador-principal da equipa sénior de Agronomia) e tem cortado “metas” a uma velocidade estonteante. Ribeiro é um jogador “agressivamente” físico, com uma placagem completa e amadurecida, para além de uma resistência inesgotável.

O centro pode não ser o melhor no que toca a “partir” a linha, mas é dos melhores em garantir controlo da bola, ganhar alguns metros no contacto e meter a oval longe do contacto. É uma “arma” perfeita para parar jogadores mais físicos como acontece no caso dos polacos e checos.

NUNO MASCARENHAS (GDS CASCAIS)

Na ausência de Duarte Diniz (está em terras australianas), surge Nuno Mascarenhas, um dos jogadores mais brilhantes da geração de jogadores que competiu em Agosto-Setembro o World Rugby Trophy. O talonador do Cascais é um “diamante” que tem sido bem lapidado pela equipa técnica do Cascais e tem tudo para assumir a titularidade na Selecção Nacional. Rápido no contacto, trabalhador no ruck, é ainda um especialista nas formações ordenadas, com um excelente índice de trabalho e sucesso.

Para além disso, Mascarenhas gosta de “trabalhar”, de dar às pernas e de assumir o papel de líder no cinco da frente, algo admirável num jogador tão jovem.

JOÃO LINO (CDUL)

Um jogador-exemplar, o asa do CDUL tem reforçado a sua posição no rugby Nacional, com uma atitude de fazer louvar e um espírito de sacrifício único. Lino é um placador nato que intervém com excelência no contacto, para além de aparecer bem no apoio ao ataque.

Uma das “estrelas” do CDUL e um dos jogadores mais versáteis em Portugal (fez parte da Selecção de 7’s por exemplo), o asa traz velocidade, explosão e resistência ao jogo dos avançados. Na ausência de Francisco P. Magalhães, assumirá Lino a capitania dos Lobos e, sem dúvida alguma, demonstrará todo um querer e “fome” que ilustra bem o rugby português.

O NOVO REFORÇO

JOSÉ RODRIGUES (AEIS AGRONOMIA)

É sem dúvida alguma um dos grandes “reforços” para o par de médios de Portugal. Não é mentira quando afirmarmos que o médio-de-abertura é o melhor na sua posição em Portugal, tendo concretizado cerca de 80 pontos nos últimos 5 jogos. É um abertura explosivo, rápido na decisão, com um passe de ponta e uma visão de jogo completamente diferente em Portugal. A somar a estes pontos todos, José Rodrigues não se esconde na hora de defender, mete o “ombro”, placa e é um comunicador nato dentro de campo. Portugal ganha um 10 completo e que será essencial para o futuro dos Lobos.

José Rodrigues (Foto: Nuno Oliveira)

DÚVIDAS E QUEM FICA DE FORA?

José Lima é o único atleta português na Selecção Nacional que joga fora-de-portas, algo que deve levantar um questionamento à acção da Federação Portuguesa e à própria equipa técnica. Sem tirar o mérito dos que jogam nas divisões nacionais, qual é o motivo para não contar com Diogo Hasse Ferreira (atleta dos Newcastle Falcons, tem jogado na equipa “B”), Francisco Vieira (titular a nº9 nos Rotherham Titans), Luís Cerquinho (grande temporada nos Cisneros em Espanha) José D’Alte (o atleta tem estado afastado das opções de Martim Aguiar a seguir ao jogo com Ucrânia), Pedro Bettencourt, Mike Tadjer, Samuel Marques entre outros?

Se por um lado os jogadores não podem actuar devido a compromissos internos dos seus clubes ou razões profissionais (porque nem todos estão com contrato profissional) – o que isenta desde já qualquer responsabilidade da Federação ., já em outros casos é necessário reflectir e questionar.

Observemos então a segunda situação:… A razão oficial, dada pela Federação Portuguesa de Rugby para a não convocação da larga maioria de jogadores a jogar pela Europa fora, é de que não há forma de atrair os atletas, como os que estão em França, pois não existe um projecto minimamente apaixonante.

O presidente da Federação, Luís Cassiano Neves, explicou que houve “embaixadas” junto dos jogadores na tentativa de montar uma “ponte” entre ambos os pontos, mas que no entanto não foi suficiente parar os colocar em campo pelas Quinas (ver entrevista em: PUBLICO).

A pergunta que fica é se o projecto apresentado foi o real ou os “custos” de ter estes jogadores na Selecção são demasiado altos e é preferível manter a aposta de 95% em jogadores locais.

Se existe a argumentação que os clubes franceses estão, de certa forma, a fazer uma pressão para que não joguem pela Selecção, então a Federação Portuguesa de Rugby já deveria ter comunicado tal situação à World Rugby, a entidade máxima do rugby, uma vez que vai contra os princípios e leis instalados na modalidade a nível mundial.

Poderá parecer que isto é um problema bem menor do que aqui apresentamos, mas deixamos o alerta: se atletas como Vasco Ribeiro, José Luís Cabral, Nuno Mascarenhas, Jorge Abecassis, Manuel Picão ou Bruno Medeiros fossem contratados por clubes do Top14, PROD1, Engish Premiership ou Championship, o mesmo ir-se-ia passar, ou seja, deixaríamos de poder contar com os atletas por pretensa pressão dos clubes para que não alinhem pelas Quinas.

Portugal continua a tratar o rugby como modalidade marginal, elitizada por alguns clubes e politizada por outros, o que acaba por abrir “brechas” na comunidade e nas estruturas existentes. Para já estamos à frente de selecções como Holanda, Ucrânia, Polónia, Rep. Checa, entre outras, mas se o espírito e intenções se mantiverem iguais, então poderemos assistir uma ultrapassagem nos próximos anos dos nossos adversários actuais.

O relançamento da campanha do Trophy tem de estar obrigatoriamente ligada ao sucesso e vitórias, de modo a preparar a equipa para a luta da promoção. A Federação, clubes e restantes membros do rugby Nacional devem estabilidade, paz e condições aos jogadores jovens que lutaram para chegar ao nível actual, graças a uma correlação de factores (desenvolvimento dos clubes, apoio de treinadores, pais e colegas de equipa, trabalho e sacrifício pessoal, entre outros factores)  e que necessitam agora de acreditar num projecto sólido e que lhes dê algo mais que uma “palmada nas costas” e um obrigado nas vitórias.

Portugal entra em campo sábado às 15h00 no Jamor, num encontro que terá transmissão em directo pela Sporttv. Depois segue-se a dupla jornada no mês de Fevereiro (Holanda e Suíça) e viagens até à Moldávia e Polónia no mês de Março (consultem o calendário oficial em: Calendário).

A Alcateia precisa de se unir (Foto: Luís Cabelo Fotografia)


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