Ponto da situação do rugby português – Coluna de Pedro Sousa Ribeiro

Fair PlayJulho 16, 20184min1

Ponto da situação do rugby português – Coluna de Pedro Sousa Ribeiro

Fair PlayJulho 16, 20184min1
O antigo Presidente da FPR coloca a seguinte pergunta: qual o Ponto da situação do rugby português em 2018? Uma leitura aos mais recentes acontecimentos

A demissão hoje apresentada pelo presidente da FPR, aliás anunciada desde agosto 2017 e só agora concretizada, e por arrastamento da direção, vem colocar novos desafios ao rugby em Portugal.

Em termos gerais a situação atual pode caraterizar-se por:

– ambiente de crispação entre diversos clubes

– tensão continua entre a FPR (presidente, direção e conselho de arbitragem) e os árbitros representados pela ANAR

– situações de conflitualidade e indisciplina entre jogadores e apoiantes dos diversos clubes

– estagnação no número de praticantes depois de anos de subida continua.

– situação critica das finanças da FPR

–  maus resultados internacionais das seleções seniores de XV e Sevens, parcialmente compensados pelas boas prestações das seleções mais jovens.

– perda de exposição internacional quer ao nível de dirigentes quer desportivo. Pela primeira vez em mais de 40 anos não há nenhum português nos órgãos dirigentes da federação europeia (anteriormente FIRA-AER agora Rugby Europa).

Mas felizmente que nem tudo é negativo.

Os clubes mais tradicionais têm praticantes na ordem de 300-400 e as suas escolas tem um excelente nível.

Muitos clubes, mais recentes, têm trabalhado consistentemente para se consolidarem, aumentando significativamente as zonas onde se pratica rugby.

Torneios e convívios para os mais jovens que se têm multiplicado e que englobam centenas de jogadores, mostram a vitalidade do rugby e a sua atratabilidade, infelizmente sempre ausentes de exposição mediática.

Rugby feminino com tendência de crescimento.

A qualidade da nossa formação bem expressa nas boas prestações internacionais das equipas jovens.

Tudo isto são fatores de satisfação e indicam que a atual situação de crise pode e deve ser invertida.

Mas como poderá isto ser feito?

É necessário que a FPR tenha uma ação de liderança forte, pois lhe compete definir as linhas estratégicas do desenvolvimento do rugby e que encontre soluções para uma consolidação financeira que permita estabelecer um plano realista a médio prazo. Para isso os seus dirigentes devem ter o rugby como sua prioridade desportiva e terem um conhecimento profundo, quer das situações prevalecentes a nível internacional quer dos problemas que os clubes enfrentam.

As competições nacionais por parte da FPR devem ter sempre em conta a realidade dos clubes e estabelecer modelos que permitam uma competição continuada e não intervalada. E ainda definir um período de anos razoável para cada modelo, não os alterando anualmente.

Os clubes e os seus dirigentes terem sempre presente os valores do rugby, promovendo-os continuamente, não temendo afastar quem tenha comportamentos menos apropriados. E ainda educar os assistentes aos jogos, muitas vezes responsáveis por comportamentos menos positivos dos jogadores.

A ida a um ou outro jogo dos grandes torneios internacionais é uma excelente formação para os dirigentes sobre o que o rugby representa e como os seus valores são efetivamente praticados.

Não há segregação de claques não se vê polícia presente, são permitidas as bebidas alcoólicas e é comum a partilha dessas bebidas entre apoiantes dos diferentes intervenientes. Apoiar os árbitros, que muitas vezes se sentem um corpo estranho quando são indispensáveis para a realização de jogos.

Um clima de conflitualidade como se tem verificado em diversas ocasiões ultimamente em Portugal tem de ser completamente erradicada sob pena de o nosso jogo passar a ser companhia daqueles que criticamos. Só um clima de saudável e intensa competição pode atrair os indispensáveis patrocinadores e possibilitar uma maior presença na comunicação social.

Apesar de toda a conflitualidade dos últimos tempos ainda acredito que seja possível ultrapassar estes momentos difíceis e voltar a uma senda de progresso culminada na obtenção de resultados internacionais que nos voltem a colocar em plataformas competitivas já alcançadas no passado.

Os jogadores atuais, que são a mais valia do rugby português, bem merecem que todos os outros intervenientes no jogo, árbitros, dirigentes, treinadores e apoiantes lhes proporcionem um clima que lhe possibilite que se exprimam na plenitude das suas capacidades. E muitos outros, que ao longo do tempo contribuíram para a expansão e consolidação do rugby português assim o esperam e confiam.


One comment

  • ALBERTINO MINHOTO

    Julho 19, 2018 at 4:25 pm

    como sempre concordo contigo Pedro , no entanto ponho a prioridade = jogadores -treinadores – árbitros -dirigentes , penso que neste momento Á muita gente no dirigismo que não são nem foram do rugby , apareceram porque os filhos quiseram jogar . nem só quem dá o tiro é o unico responsavel , quem lhe deu a pistola e depois retirou as balas tambem tem muita responsabilidade , é bom que se pense para não voltarmos ao mesmo .

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