Peitaças, malabarismos e outros detalhes estranhos no rugby… tudo legal?

Francisco IsaacJulho 2, 20195min0

Peitaças, malabarismos e outros detalhes estranhos no rugby… tudo legal?

Francisco IsaacJulho 2, 20195min0
Sabes que no rugby não é falta se deres um toque na bola com o peito? E que podes usar a cabeça para assistir um colega? Pormenores, legalidades e muito mais neste artigo sobre coisas estranhas da oval!

O rugby tem os seus preciosismos e pontos especiais e hoje trazemos três apontamentos bem curiosos que entre uma boa dose de comédia têm o seu quê de debate e discussão. De peitaças poderosas, passando por malabarismos legais ou ilegais para terminar com uma real cabeçada só ao nível dos maiores! Conheces alguém que já tenha conseguido esboçar algum destes movimentos?

NGANI LAUMAPE E A IMPORTÂNCIA DE FAZER UM BOM TREINO DE SUPINO!

É a invenção artística mais recente e a razão pela qual este artigo existe: o ensaio de Ngani Laumape que foi antecedido por um passe do centro para si próprio, mas de uma forma invulgar e talvez nunca vista no século XXI nos campeonatos profissionais… um passe com o peito. Laumape saiu disparado atrás da bola, que tinha sido disparada de forma desamparada das mãos de Goodhue (bela placagem de Dane Coles) e com a aproximação acelerada de David Havili só teve uma escolha… dar a tal peitaça que enfeitiçou a oval de tal forma que acabaria nas mãos do mesmo jogador de novo.

Mas é legal? Sem dúvida. Um avant ou, como os ingleses chamam, knock-on só se dá caso o portador da bola ou receptor deixa cair a bola para a frente. Por isso se a bola tocar nos braços ou mãos e depois desferir um movimento para a frente, é considerado avant. Outra informação importante é que é considerado também avant/knock-on caso o portador da bola liberte a bola e tente dar um toque desde o peito aos joelhos. No caso de Laumape, o centro nunca segurou a bola com as mãos antes de dar o tal toque com o peito, o que significa que não há qualquer passe para a frente.

O outro ponto de discussão é se o internacional pelos All Blacks teve intenção de dar o tal toque com o peito… observando pelo movimento em câmara lenta é perceptível que Laumape tem toda a intenção de dar uma peitaça na bola para depois recuperá-la logo de seguida. Genial, não há dúvidas… e em época de Mundial estes pormenores contam muito para quem “manda” na selecção neozelandesa!

O’DRISCOLL A DEMONSTRAR QUE OS MALABARISMOS NÃO SÃO SÓ PARA OS BOBOS

Brian O’Driscoll foi responsável por ter feito um movimento inesperado e nunca antes visto, que ainda hoje em dia coloca adeptos, experts e árbitros em discussão. Mas do que estamos a falar? Bem, em 2008 o centro decide passar a oval por cima de um colega para depois ir buscá-la uns centímetros mais ao lado, naquilo que é considerado como juggling, uma espécie de arte do circo mas que chegou a entrar no Mundo do rugby.

O’Driscoll foi um dos melhores jogadores de todo-o-sempre da modalidade e foi responsável por alguns dos apontamentos mais fantásticos, com este malabarismo a ficar nos pergaminhos de um debate intenso. A regra 12.1 dos manuais da World Rugby é muito clara: avants intencionais ou passes atirados para a frente devem ser considerados como falta anti-desportiva e dá-se lugar a uma penalidade. Mas terá O’Driscoll atirado a bola para a frente? E no caso deste movimento ser considerado legal, não poderá haver uma obstrução deliberada por parte de Hickey?

O irlandês realmente atira a bola por cima de si mas parece captá-la de lado ou no máximo uns centímetros ligeiramente mais à frente. Aqui pode entrar o argumento que O’Driscoll perdeu o controlo da bola durante um segundo e que por entre a atrapalhação conseguiu recuperá-la sem perder o controlo da mesma, mas mesmo assim seria um argumento minimamente falacioso. A obstrução nesta jogada é também um tema que divide opiniões, já que o defesa parece ficar completamente desnorteado e ir de encontro com um jogador sem a bola (Hickey), o que permite a O’Driscoll escapar sem oposição. Todavia, esse choque entre atacante e defesa dá-se exactamente no momento que a bola está a viajar pelo ar ficando tudo em suspenso.

A jogada do antigo capitão da Irlanda é de uma pura genialidade, mas a legalidade da mesma é questionável, apesar da decisão do árbitro naquele momento ter sido no sentido que não houve qualquer falta quer no manuseamento da bola ou no choque entre o jogador do Leinster e o do Ulster.

FALCON PASS… OU COMO O JARDEL TERIA JEITO PARA O RUGBY

O que é um Falcon Pass? Ora, é um passe feito com a cabeça! E no rugby isto é admissível? Como a peitaça de Ngani Laumape, claro que sim desde que o jogador que dá o toque com a cabeça não tenha atirado a bola contra si próprio para realizar este pormenor e detalhe tão ridiculamente impossível como genial. Na história do rugby já se sucederam alguns passes com a cabeça, mas foram raros aqueles que acabaram como ensaio e nos últimos 15 anos encontrámos só uma situação de jogo que terminou com um toque de meta.

Os Hurricanes em 2017 foram até Canberra jogar frente aos Brumbies e o segundo ensaio teve uma assistência de Ben May, pilar da franquia neozelandesa. TJ Perenara tira a bola do ruck e faz um passe, o pilar aparece no sítio e hora errada, com a oval a bater estrondosamente na sua cara… felizmente, a cabeçada foi de tal forma poderosa que a bola foi para a frente e Jordie Barrett apareceu a reciclá-la para fazer o toque de meta.

Não dúvidas da sua legalidade, mas a execução é ardilosamente complicada e teve de ser um primeira-linha a assinar a concretização de um Falcon Pass perfeito que fica na história recente do Super Rugby.


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