Os sub-18 de Portugal na corrida pela Europa: As novas gerações!

Francisco IsaacMarço 8, 201814min0

Os sub-18 de Portugal na corrida pela Europa: As novas gerações!

Francisco IsaacMarço 8, 201814min0
O caminho em direcção à Polónia está apontado e os sub-18 de Portugal estão a meio da sua preparação. Um artigo com destaques, entrevistas e calendário

Muito mudou no espaço de um ano, mas há algumas coisas que se mantêm exactamente iguais na selecção portuguesa de sub-18: Rui Carvoeira e Francisco Branco continuam ao leme de um escalão que tem dado alegrias, vitórias e novos internacionais ao rugby português.

Com o destaque de continuarem a ser a 3ª melhor selecção europeia no Ranking da Rugby Europe (do qual não constam as selecções das Ilhas Britânicas e Irlanda, após a sua saída em 2015 da competição), é agora a hora para novos jogadores ganharem o seu lugar no elenco que vai lutar por um lugar cimeiro na competição europeia.

A preparação já começou muito antes de 2017, ao bom estilo das selecções e “captações” idealizadas pela dupla de seleccionadores nacionais, mas só agora em Fevereiro tiveram um teste de fogo frente à Espanha: vitória por 20-10!

Mas os resultados e vitórias são apenas a “ponta do icebergue” no que toca ao trabalho de Rui Carvoeira e Francisco Branco, já que o grande objectivo é formar jogadores para o degrau que se segue. Dar as ferramentas necessárias para se desenvolverem, garantir que aprendem bem os novos processos e, desta forma, que consigam dar o passo seguinte no seu crescimento como atletas e pessoas.

Posto este preâmbulo, o que há para saber destes sub-18? Exactamente como o artigo dos sub-20, vamos tentar perceber quem são os herdeiros do 4º lugar do Campeonato da Europa em 2017 (significa 3º, uma vez que em 4º lugar ficou o Japão, país convidado a par dos EUA e Canadá para o torneio da Rugby Europe, mas não como parte do ranking da Rugby Europe).

OS NOVOS INTERNACIONAIS PRONTOS PARA A MESMA EXIGÊNCIA?

Em comparação com os atletas que foram a essa prova em 2017 é fácil perceber que há toda uma nova geração de atletas ao serviço dos sub-18. Todavia primeiro há que saber quem é que ficou dos convocados do ano passado. São eles: Francisco Nobre, Jerónimo Morais, Martim Bello e Pedro Lucas (o formação do Técnico é um dos jogadores mais talentosos da sua geração, com um excelente passe e um estratega de qualidade a partir das fases estáticas) são os únicos “resistes” da equipa que viajou até Quimper o ano passado.

Da sua geração (2000) voltaram a ser convocados ou foram chamados pela primeira vez: Sebastian Castanheira (pilar da formação do Section Paloise), António Andrade, João Sousa (figurou nas primeiras convocatórias em 2016 mas devido a uma lesão não participou nos trabalhos), António Neto, Diogo Correia, Jerónimo Morais, José Ulrich, Tiago Gelweiller, Max Falcão, Alexandre Fonseca, Joaquim Félix, Celso Mateus, Miguel Martinha, Tomás Cabral (um dos melhores jogadores nascidos em 2000, tem uma enorme capacidade de luta, trabalho no contacto e ainda é munido de uma placagem de qualidade), António Cunha (não confundir com o seu homonimo que joga agora nos sub-20), Duarte Nunes, Pedro Braga, Francisco Thomaz, Pedro Silva, Francisco Curica (bom jogador da Académica de Coimbra, é um três-quartos multi-facetado), Tito Pereira, Gonçalo Barbosa, Raffaele Costa Storti,  Guilherme Dias e Manuel Vacas.

Ou seja, a maioria destes jogadores só fizeram parte da preparação para o torneio de 2017, não figurando nas 26 escolhas da equipa técnica na listagem final. Agora estão todos na corrida por um lugar mas terão que lutar com a vibrante geração de 2001 que tem nos surpreendido pela sua qualidade técnica e capacidade física.

Casos de Domingos Cabral (médio-de-abertura com uma saída para o ataque felina, rápido e veloz, para além de saber apontar aos postes), José Madeira (o 2ª linha conseguiu ganhar à concorrência directa e já obteve o seu primeiro jogo a titular em 2018 pela selecção), Simão Bento (destreza e boa percepção do espaço são qualidades do jogador do Técnico), e Francisco Silva.

Deste total de 38 jogadores convocados para os trabalhos em Évora, só 25 foram a jogo diante da Espanha e a maioria destes deverão ver o seu nome na futura lista de convocados para o Europeu. Não significa que não hajam alterações e novidades, mas grandes revoluções de convocatória não costuma ser comum sob a liderança dos actuais seleccionadores.

Para os adeptos que possam ficar preocupados com o facto de existir pouca experiência nestes atletas em competições internacionais, não há razões para tal, uma vez que já em 2017 a situação tinha sido exactamente a mesma e o resultado final foi bastante bom.

Naquilo que pode ser um dos colectivos mais interessantes dos últimos anos, o Fair Play destaca três nomes de jogadores neste artigo para ficarem a conhecer um pouco melhor.

DESTAQUES

PEDRO LUCAS (AEIS TÉCNICO)

“Rato” é o melhor adjectivo para descrever o tipo de formação que Pedro Lucas é, pois consegue descobrir brechas e buracos que mais ninguém vê, para além de os explorar com toda uma incrível aceleração e um virtuosismo especial. O nº9, formado no Técnico, é um dos líderes desta selecção sub-18, assumindo-se como o típico “guia” dos avançados para depois fazer uma bela ligação com as linhas atrasadas.

Diferente do anterior nº9 (Vasco Morais, que agora está nos sub-20), Lucas pode trazer ao jogo segurança, disciplina e trabalho contínuo.

FRANCISCO DA SILVA (CR ÉVORA)

Um nº8 cheio de raça, trabalhador e poderoso é isto que podem esperar do jogador do CR Évora, Francisco da Silva. Com um físico impressionante, o 3ª linha-centro pode fazer a diferença nas saídas de com bola, assim como no apoio a uma investida mais inesperada no ataque. Na defesa revela-se um jogador confiante e que não vira as costas à luta no breakdown.

Facilmente surge no apoio a uma combinação de ataque nos três-quartos, apresentando bons argumentos para desbravar terreno e galgar os metros suficientes para que a sua equipa consiga chegar à área de ensaio.

TOMÁS CABRAL (AEIS AGRONOMIA)

O centro da AEIS Agronomia desenvolveu excelentes capacidades, pouco comuns na sua idade, seja a atacar (offload de elevado recorte, para além de ser muito duro na entrada e de ter uma passada difícil de acompanhar) ou a defender (placador agressivo, consegue rapidamente meter o adversário no chão e executar um ataque à oval logo no imediato).

Jogador notável dentro deste elenco, o agrónomo vai ter o espaço necessário para dar outra consistência ao centro do terreno dos sub-18.

Há muito mais para além destes atletas que apresentámos e iremos tentar dar-vos a conhecer um pouco melhor de quem são os outros membros que apresentam um nível de rugby elevado, para além de uma forte vontade em fazer algo diferente. No sentido de sabermos quem são, entrevistámos alguns dos protagonistas do jogo frente à Espanha para perceber melhor os seus objectivos, o que tem sido o trabalho de grupo e se estão prontos para as exigências dos próximos tempos.

Tomás Cabral (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

ENTREVISTAS

RUI CARVOEIRA (SELECCIONADOR NACIONAL SUB-18)

Professor Rui Carvoeira, qual é a avaliação final do estágio em Évora que culminou com um jogo com um potencial adversário do Campeonato da Europa? Os novos internacionais estiveram à altura do que lhes foi pedido?

A preparação tem vindo a decorrer de uma maneira bastante satisfatória. Se excetuarmos algumas lesões impeditivas e outros problemas de ordem pessoal que não conseguimos controlar, a resposta dos jogadores na criação de uma identidade coletiva e no seu desenvolvimento pessoal (técnico e físico) tem sido surpreendentemente positiva.

Começámos no final de outubro com 4 treinos regionais. Em novembro tivemos o mini-estágio que antecedeu o jogo Portugal-Irlanda e depois o Estágio de Natal. Entrámos em 2018 com a realização de treinos nacionais semanais (à 4ª feira). Estivemos em Braga no Estágio de Carnaval. Realizámos o mini-estágio antes do jogo Portugal-Espanha.

A maior parte dos jogadores já realizou 21 sessões de treino (sem contar com as de treino físico individual) e 2 jogos internacionais.

Em relação aos 25 que tinham jogado com a Irlanda, neste jogo com a Espanha houve 9 alterações, o que atesta bem da qualidade do grupo e das vantagens de trabalhar com grupos alargados com as mesmas oportunidades de prática e estimulação.

Foi um jogo muito exigente do ponto de vista físico mas onde a equipa conseguiu ser coesa e agressiva a defender e muito eficaz nas oportunidades que teve para fazer pontos.

Quais é que têm sido as maiores dificuldades e sucessos com este grupo? É uma confluência de gerações diferente do que as que jogaram sob seu comando em 2016 e 2017?

Todas as gerações que temos acompanhado têm apresentado características diferentes mas um traço comum, a capacidade de resistir e lutar com as adversidades e de reagir nos momentos mais incómodos.

Esta geração (2000/2001) tem um pouco das 3 anteriores (1997/1998/1999), uma dimensão atlética muito razoável, uma maturidade apreciável em competição e uma prazer enorme para jogar bom rugby, diversificando e arriscando nas decisões.

A preparação agora vai ter mais estágios e jogos de teste? Vai ser complicado reduzir o grupo?

A preparação segue agora com mais 2 treinos nacionais, 7 e 14 de março. A 16, 17 e 18 de março realizamos o estágio final onde serão divulgados os 26 que irão representar Portugal no Campeonato da Europa, de 23 de março a 1 de abril em Poznan (Polónia). No dia 22 de março realizaremos ainda o treino final na véspera da partida.

Na presente semana iniciámos um processo de incremento da preparação física com a inclusão de treinos extra específicos e para os quais os jogadores reagiram de uma forma muito entusiástica e muito positiva.

Vai ser muito complicado como já foi complicado reduzir para os 35 que agora vão estar presentes nos treinos finais. No entanto, tal como nas gerações anteriores, a mensagem é bem clara. A participação no Campeonato da Europa não é um fim em si mesma, é um “exame” no percurso para o alto rendimento e para ser consistentemente bom jogador sénior e se possível futuro Lobo. O processo de formação desportiva não termina aqui e é desejável que quem vier a ficar de fora faça disso uma alavanca de melhoria futura para a integração nas equipas séniores nos clubes e nas próximas seleções, sub-20 e sénior.

TOMÁS CABRAL (AEIS AGRONOMIA)

Tomás, a estreia pela Selecção Nacional em jogos frente à Espanha não te podia ter corrido melhor (dois ensaios). A equipa esteve no ponto ou ainda falta afinar algo? E aonde é que estiveram melhor?

É sempre bom estrear-me num jogo contra a Espanha com 2 ensaios. A equipa teve muito bem mas ainda temos muito a melhorar, este jogo foi apenas uma amostra do que podemos fazer no campeonato da europa. Penso que neste jogo conseguimos por em prática algo que andamos a dedicar muito tempo nos treinos, a criação de um jogo rápido, divertido e imprevisível mas sem nuca descurar a vertente mais física e de combate do jogo.

Penso que o nosso ponto forte este jogo foi conseguirmos jogar à largura do campo todo, misturando avançados com 3/4, isto permitiu nos contrariar a equipa espanhola que fisicamente eram mais fortes que nós. Os principais aspetos a melhorar são as fases estáticas e conseguirmos fazer um jogo mais territorial, mais no meio-campo do adversário.

Já trabalham juntos desde um pouco antes do Verão de 2017… evoluíram muito? Têm sido difíceis os encontros e estágios?

Desde que nos juntamos pela primeira vez nota-se uma evolução enorme, com o passar do tempo o grupo tornou-se mais unido e com mais qualidade! O facto de Portugal ser um país mais pequeno e de maior parte dos jogadores jogarem em Lisboa facilita muito os nossos encontros. Os treinos semanais ajudam-nos a evoluir tecnicamente e taticamente, mas os estágios são os momentos que unem o grupo, e é como uma pequena experiência do que vamos viver na Polónia.

O que esperas do próximo mês de treinos? Achas que estão prontos para o Campeonato da Europa? E vocês estão pronto para a exigência da equipa técnica?

O próximo mês vai ser um desafio para todos nós, com os últimos jogos do campeonato e com o europeu cada vez mais perto, mas todos gostamos de bons desafios e a equipa está pronta para o enfrentar. Tenho a certeza que ao fim deste mês vamos tar prontos para deixar a nossa marca no campeonato da europa, logo no primeiro jogo com a Rússia. Com a frequência de treinos que temos tido e iremos ter, toda a equipa está em sintonia com a equipa técnica. Nós sabemos e percebemos o que nos é pedido, e os treinadores conhecem-nos bem e sabem que temos muito para dar!

FRANCISCO DA SILVA (CR ÉVORA)

Francisco, como foi o estágio em Évora? Quais foram os objectivos traçados por vocês nesse fim-de-semana? E sentiram-se uma equipa coesa durante os 70 minutos contra Espanha?

Os objectivos traçados para o jogo contra a Espanha era pôr em prática aquilo que temos vindo a trabalhar ao longo das últimas semanas e praticar um rugby bonito e ao mesmo tempo eficaz de modo a alcançar a vitória. Acho que a equipa esteve bastante coesa ao longo dos 70 minutos revelando um espirito de entreajuda e um espirito combativo muito forte.

Como avalias o trabalho feito por vocês até ao momento? Onde é que ainda têm de melhorar um pouco? E quais são as vossas melhores qualidades?

O Trabalho tem sido bastante positivo com treinos de elevada qualidade tanto a nível de seleção, a nível de clube e ate a nível individual. Acho que podemos melhorar em todos os aspetos: técnicos, táticos e físicos, somos uma seleção jovem com uma margem de progressão e um potencial enorme.

Já só falta um pouco mais de um mês para o Campeonato da Europa… a equipa está pronta para os próximos estágios mesmo aqueles que vão doer e tirar-vos da zona de conforto?

Temos uma equipa bastante coesa, de elevada qualidade. Tenho a certeza que estamos prontos para esses momentos de desconforto, que certamente, nos irão pôr à prova na Polónia, mas com resultados positivos que poderão justificar todo o nosso trabalho desenvolvido nos treinos.

A Selecção segue a preparação para o Campeonato da Europa a realizar-se nos dias 25 a 31 de Março, na Polónia em Szamotuly. O Campeonato da Europa funciona por eliminatórias, com a primeira eliminatória a ser já frente à Rússia, um adversário de peso.

A equipa técnica é liderada por Rui Carvoeira e Francisco Branco como já tínhamos mencionado, com João Mirra a manter-se também no triunvirato (já fazia parte da equipa técnica em 2017) com uma nova adição que eleva de um trio para um quarteto já que Nuno Aguiar também agora faz parte deste “elenco” técnico.

Portugal vai agora continuar os trabalhos em busca dos 25 nomes finais para seguir viagem para a Polónia nos últimos dias de Março.

União e trabalho de grupo (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

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