Geniais Lobos ficam a 2 pontos do Championship – o “grubber” do World Rugby Trophy 19’fpi

Francisco IsaacJulho 22, 20197min1

Geniais Lobos ficam a 2 pontos do Championship – o “grubber” do World Rugby Trophy 19’fpi

Francisco IsaacJulho 22, 20197min1
Os sub-20 de Portugal foram geniais na maior parte do encontro, perdendo a vitórina na final da competição nos minutos finais. A última análise do Fair Play à prestação da selecção comandada por Luís Pissarra

Portugal esteve à beira de fazer história no World Rugby Trophy 2019, perdendo na final por 34-35, oferecendo a reviravolta ao Japão quando faltavam só 6 minutos para o término do encontro. Uma exibição de raça e genialidade dos jovens lobos sub-20 que ficaram a um pequeno passo da subida de divisão.

A última análise e “grubber” do ano do Fair Play

DAR 10 MINUTOS DE AVANÇO NA DEFESA PARA ENGANAR? – 6 PONTOS

Começou mal o jogo para Portugal, com o Japão a conseguir dois ensaios em 10 minutos devido a uma desconcentração geral da equipa portuguesa não só na “arte” de placar, mas também no que toca ao auxiliar o placador e oferecer uma cortina defensiva rápida e intensa. Contudo, e depois de recuperar o fôlego do nervosismo, a Selecção Nacional voltou a impor o seu estilo de jogo, especialmente no que toca ao atacar o breakdown, onde José Câmara (mais uma vez foi a melhor arma de arremesso das linhas-atrasadas no que toca à defesa), Manuel Maia, Martim Belo, David Costa e Manuel Pinto foram um problema constante para o Japão.

Veja-se o que se passou aos 43 minutos de jogo, momento em que o asa formado no Belenenses Rugby atacou rapidamente a bola no chão para arrancar uma penalidade que Jerónimo Portela (jogo ao pé corrido de requinte, apesar de ter errado a mira em quatro pontap]es) converteu para o 24-14. Foi sucessiva esta capacidade de reacção por parte dos lobos sub-20 ao portador da bola, oferecendo um trabalho e comunicação de qualidade entre placador e apoio a este, conseguindo incomodar e “destruir” a capacidade ofensiva dos adversários asiáticos.

A arte de saber como atacar o breakdown tem sido um dos principais pontos-chave e até identidade dos grupos de trabalho de Luís Pissarra coadjuvada por João Mirra, e em São José dos Campos, ao fim de quatro jogos foi mais que notório a importância deste “pormenor” que ajudou a dominar os encontros frente ao Tonga, Canadá e, parcialmente, Japão.

Contudo, os 10 minutos iniciais viriam a ser fatais para as contas finais, apesar da espectacular recuperação portuguesa que se deu logo de seguida.

PACIÊNCIA NO CONTROLO DE BOLA… O SEGREDO-CHAVE PARA SE SER CAMPEÃO – 5 PONTOS

Saber jogar à paciência é uma das regras absolutas para se ganharem jogos e títulos no Planeta da Oval e os sub-20 de Portugal foram capazes de se mostrar inteligentes o suficiente para não encetarem num manter de um ritmo alto constante, que poderia levar para um jogo mais anárquico e caótico, isto durante a maior parte do encontro.

O 2º ensaio de Raffaele Storti foi um claro exemplo de como trabalhar pacientemente, de explorar bem a linha-defensiva do Japão (mais pesado e menos enérgico no contra-ruck), montando sucessivas fases e boas entradas (David Costa e José Roque foram imperiais neste aspecto durante os 80 minutos) para depois haver espaço suficiente para que as linhas atrasadas produzissem mais 5 pontos.

Enquanto os lobos mantiveram estes princípios do controlo inteligente da bola, do trabalho constante e eficiente no contacto e de leitura ofensiva estrategicamente bem executada estiveram sempre por cima do encontro, gerando uma série de problemas para as unidades nipónicas.

Porém, a saída de Simão Félix e o cansaço geral da equipa foram elementos que acabaram por ser fatais para os comandados de Luís Pissarra, abrindo espaço para uma galvanização do adversário que continuamente apostou no confronto físico puro e duro até conseguir marcar os pontos suficientes… o ensaio do 35-34, a favor do Japão, aconteceu ao fim de 18 fases à mão (praticamente 4 minutos), com Portugal a defender bem em cima da linha de ensaio… infelizmente não foi o suficiente.

Verdade que se pode falar dos pontapés falhados, mas o problema foi essencialmente no não conseguir manter a calma em certos momentos de forma a tirar a capacidade física e de reacção do adversário. Portugal foi superior ao Japão na maior parte da final, mostrou um rugby mais explosivo, exuberante, intenso e corrido, tendo praticamente igualado o embate físico, faltando só uma centelha de “sorte” e de “cabeça”.

MAUL DE CATEGORIA E TESTE DE FERRO NA FORMAÇÃO ORDENADA – 3 PONTOS

A formação-ordenada portuguesa sentiu profundas dificuldades em certos momentos, conseguindo em outros superiorizar-se e arrancar mesmo algumas penalidades ao Japão. No cômputo final, os nipónicos arrancaram 5 faltas na FO e Portugal 3, sendo que para o conjunto asiática, uma sequência de duas penalidades resultou num ensaio de penalidade vital no caminho para reviravolta aos 66 minutos e aos 70′ voltaram a procurar esse “trilho” fácil, mas aí houve uma resposta de qualidade.

Apesar de um biding por vezes ilegal do nº3 do Japão, a primeira-linha lusa soube responder e contra-atacar, carecendo por vezes de um finca-pé mais sustentado e capacitante para impedir que o adversário conseguisse extrair uma vitória moral desta fase estática.

Já o maulcontra-maul apresentaram-se em forma, com um trabalho de excelência na primeira-parte ao ponto que forçou a equipa adversária a recuar e a entrar num pânico geral, sem saber como paralisar Portugal neste aspecto. David Costa e José Roque (dois líderes de uma imensa entrega e de uma atitude exemplar) foram dando o mote enquanto tiveram “pernas” e alimentaram constantemente uma avançada aguerrida e fisicamente pronta para lidar com quem surgisse pela frente.

O problema passou especialmente com as substituições e a queda anímica dos 8 avançados na 2ª parte, ao contrário do que se passou com o Japão que conseguiu encontrar trocas viáveis (e bem melhores que os titulares, diga-se) no período de jogo que mais importava.

No geral da competição, Portugal foi um bully constante nas fases-estáticas e deu uma resposta de qualidade a quem criticava a postura no encaixe, o trabalho de força ou há suposta falta de qualidade no 5 da frente, provando que não é peso a mais que faz a diferença. O Japão soube explorar excelentemente bem esta plataforma de jogo, algo que têm-lo feito graças à intervenção de técnicos neozelandeses e sul-africanos especializados nesta “arte” dos 8 contra 8.

PONTUAÇÃO FINAL: 14 PONTOS

Pontos Positivos: boa movimentação de jogo no ataque, explorando bem a lentidão da cortina defensiva japonesa, conseguindo desorganizar o adversário de forma consecutiva durante a primeira parte; Joaquim Félix e Jerónimo Portela foram dois “motores” de qualidade no gerir o jogo; trabalho de qualidade dos avançados no contacto, em especial de José Roque que acabou como o MVP da final; maul e contra-maul agressivos, conseguindo marcar um ensaio no ataque e salvar dois na defesa; jogo ao pé corrido de qualidade e quase sempre bem correspondido; três-de-trás surgiu bem nas entrelinhas, criando várias roturas na defesa contrária; 6 turnovers conquistados e uma resposta de excelência na primeira cortina defensiva, com destaque para Manuel Pinto, José Câmara, Helano Alberto, José Roque, entre outros; defesa foi largamente física, impondo sérios problemas ao Japão;

Pontos Negativos: alguns pontapés aos postes falhados, que poderiam ter sido importantes; 10 minutos iniciais polvilhados por uma desconcentração e nervosismo geral; queda física abrupta a partir dos 65 minutos de jogo; penalidades na formação-ordenada poderiam ter sido evitadas; falta de paciência na 2ª parte na conservação da posse de bola e no delinear de uma estratégia mais pausada, que retirasse a intensidade ao Japão;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Rodrigo Bento (5), Duarte Conde, Helano Alberto, Martim Belo, Manuel Maia, Manuel Pinto, José Roque, Joaquim Félix, Joaquim Portela (2+2+2+3), Francisco Salgado (5), José Câmara, Rodrigo Marta (5), Raffaele Storti (5+5), Simão Bento

Suplentes: Márcio Pinheiro, António Cunha, Frederico Simões, André Gouveia, José Madeira, Sebastião Silva, Pedro Lucas, Tomás Lamboglia, João Vieira, José dos Santos e Francisco Rosa


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