Lobos sub-20 são finalistas! – o “grubber” do World Rugby Trophy 19′

Francisco IsaacJulho 17, 20197min1

Lobos sub-20 são finalistas! – o “grubber” do World Rugby Trophy 19′

Francisco IsaacJulho 17, 20197min1
Os jovens lobos sub-20 são finalistas no World Rugby Trophy pela 2ª vez em três anos, reeditando a final de 2017 em 2019. A análise ao jogo frente ao Tonga no Fair Play

Portugal vai reeditar a final do World Rugby Trophy de 2017, depois de mais uma exibição de total domínio frente ao Tonga como expressa o 40-03 final. Em mais um jogo épico para os comandados de Luís Pissarra, agora espera o Japão faltando apenas conquistar mais uma vitória para fazer algo impensável, conseguindo ser finalistas em três anos consecutivos.

A análise ao Portugal-Tonga no Fair Play

COMO PARAR UM ATAQUE VELOZ, INTELIGENTE E GENIAL? –  7 PONTOS

Em relação à pergunta no subtítulo, a resposta é desde logo clara: não há (praticamente) forma de parar. Portugal durante toda a fase-de-grupos demonstrou exactamente estes pormenores e contra o Tonga foi mais do mesmo, com outra exibição de grande qualidade frente ao suposto adversário mais complicado até aqui. Os primeiros 12 minutos foram mal jogados, verdade, com várias perdas de bola no contacto ou com precárias transmissões da oval que ajudaram ao Tonga respirar… contudo, mal começou a existir equilíbrio e uma maior concentração no uso da posse de bola tudo mudou.

Com Rafaelle Storti a demonstrar uma genialidade pura e uma inteligência macabra para aproveitar o espaço (em excesso) no jogo ao largo, com um José Câmara e Rodrigo Marta a desmontarem a linha de centros adversária de forma constante e uma avançada que apresenta-se sempre pronta para participar no jogo rápido, Portugal construiu logo na primeira-parte uma vantagem larga que até pecou por escassa, perante a diferença de qualidade entre ambas as formações.

A somar a estes jogadores-detalhes, houve ainda outro aspecto que foi decisivo para o encontro: Simão Bento. O defesa do Técnico Rugby mostrou uma classe interminável com e sem bola, conseguindo assistir para ensaio por três ocasiões, para além de ter o dom de saber aparecer no sítio e hora certa.

Joaquim Portela não esteve no seu melhor no jogo ao pé, mas a capacidade de fazer jogar e de construir boas combinações de ataque foi suficiente para quebrar um Tonga demasiado lento e pesado, não tendo o engenho para fazer sequer uma gestão de bola minimamente perigosa. Mesmo quando tentaram fechar o jogo e apostar numa posse de bola de lógica mais “curta” acabaram por sair derrotados e isto foi devido, principalmente, pela postura portuguesa no breakdown.

As combinações de ataque de Portugal não são complicadas, não são construídas numa base “tremida”, são sim eficientes, bem aproveitadas e de um ritmo sempre alto, intenso e destruidor, para além de que o apoio está sempre ao lado do portador de bola, o que permite uma bola mais “limpa” e rápida.

O USO INTELIGENTE DA FORÇA VS PESO BRUTO SEM UTILIDADE – 6 PONTOS

Voltamos ao tema que já foi explicado nos dois resumos e análises anteriores da participação de Portugal no World Rugby Trophy: formação-ordenada não só não vacila, como está sempre ligada na máxima velocidade. O Tonga conseguiu conquistar duas penalidades neste aspecto, mas nenhuma deveu-se a erros dentro do trabalho do 5 da frente, caindo por “terra” o argumento de que faltava um adversário de peso para perceber a qualidade ou não dos jovens lobos sub-20, pois o que se passou neste encontro foi cópia do que aconteceu ante o Canadá e Hong Kong.

Com José Roque a dirigir a FO com uma excelência total (o jogo de pés do nº8 é um detalhe definidor da capacidade do capitão da Selecção Nacional do escalão) e David Costa a mostrar-se como um pilar-líder, Portugal acabou por dar outra lição neste aspecto do jogo ao adversário que apesar de ter vários kilos a mais não soube utilizá-lo em 95% das ocasiões e acabou a ser arrastado para trás, com Portugal a conseguir marcar mesmo um ensaio através desta plataforma de jogo.

maul foi também uma repetição exacta do que se passou na formação-ordenada: Portugal soube como montar e onde atacar, deixando os seus adversários perdidos no campo (uma defesa anárquica que se transformou em completamente caótica neste aspecto), marchando em direcção à área de ensaio, garantindo assim 5 pontos, que até poderiam ter sido mais, caso o juiz de jogo tivesse tido uma mãos mais “pesada”.

A avançada lusa foi dominadora e dinâmica, esteve sempre por perto para garantir uma posse de bola correcta e eficiente e não deu espaço para erro nos alinhamentos, formação-ordenada ou mauls, em nova prova que muito peso e tamanho não significa avanço no território, ensaios ou domínio.

UMA ALCATEIA UNIDA SIGNIFICA UMA DEFESA INTRANSPONÍVEL – 5 PONTOS

Aos 60 minutos e já a ganhar por 37 pontos de diferença, Portugal foi forçado a defender em cima da linha de ensaio. O Tonga conseguiu conquistar duas penalidades nesse espaço do terreno, mas nunca ultrapassou ou tocou na linha de ensaio, com o conjunto português a montar uma defesa não só fisicamente agressiva como ardilosa.

Voltando a lembrar que a equipa das Quinas já ganhava por 40-03, era perfeitamente possível que se desse um momento de desconcentração total que abrisse uma brecha na defesa e permitisse ao Tonga conseguir o seu primeiro ensaio do jogo… não aconteceu e esta concentração, postura e manha para desarmar o adversário são aspectos normais dos comandados de Luís Pissarra.

O timoneiro dos sub-20 tem vindo constantemente a pedir uma defesa solidária e pensada, de alta velocidade e de que o placador conseguisse saltar logo do chão para voltar a alimentar a linha-defensiva, não dando sequer oportunidade para a equipa contrária pensar e aproveitar um possível espaço.

Com o Tonga foi exactamente o que se passou, onde José Câmara (e poucos notam o papel do 1º centro nas exibições de Portugal, mas não há dúvidas que foi uma chave-mestra na estratégia portuguesa), Rodrigo Marta, Joaquim Félix, Manuel Pinto (outro jogo enorme do nº7, sempre com as ganas de querer se atirar ao breakdown e roubar a bola), Sebastião Silva, David Costa tiveram papéis preponderantes na montagem de uma linha de placagem agressiva e de uma reacção à bola no chão de alto nível.

É uma defesa à Alcateia que não só dá vitórias como procura garantir um lugar na história do rugby mundial.

PONTUAÇÃO FINAL: 18 PONTOS

Pontos Positivos: formação-ordenada voltou a ser uma pedra basilar na estratégia de jogo, para além de que Portugal soube montar um maul de qualidade; ataque começou com erros de captação e transmissão de bola, que foram rapidamente resolvidos para dar lugar ao jogo rápido, veloz e eléctrico de Portugal; placagem de enorme fisicalidade, onde a agressividade e capacidade de reacção rápida foi decisiva para desmontar a frágil estratégia de jogo do Tonga; linhas atrasadas apareceram em todos os pontos do terreno, ferindo o adversário de forma constante com Raffaele Storti e Simão Bento a rubricarem exibições de excelência; solideridade e apoio de qualidade ao portador de bola, mantendo um fio de jogo constante; par de médios manteve a bola em rápida circulação, abrindo bem o ataque para investidas sempre perfurantes;

Pontos Negativos: jogo ao pé não foi tão positivo como em outros encontros, com registo de alguns erros durante o encontro, especialmente na primeira-parte; ritmo por vezes demasiado frenético quando se pedia um estancar e uma gestão mais lenta para fomentar erros no Tonga;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Rodrigo Bento, António Cunha, Sebastião Silva (5), Martim Belo (5), Manuel Maia, Manuel Pinto, José Roque (5), Joaquim Félix, Joaquim Portela (2+2+2+2+2), Francisco Rosa (5), José Câmara, Rodrigo Marta, Raffaele Storti (5+5), Simão Bento

Suplentes: Márcio Pinheiro, Duarte Conde, Frederico Simões, André Gouveia, José Madeira, Helano Alberto, Pedro Lucas, Tomás Lamboglia, João Vieira, José dos Santos e Francisco Salgado


One comment

  • Antonio Rocha Quaresma

    Julho 17, 2019 at 8:37 pm

    Discussão? Satisfação, ver essa malta a jogar , imensamente bem. Força agora na final. Abraço para todos

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