Mitre10 6ª Jor – Auckland põe fim ao domínio de Tasman… para já!

Francisco IsaacOutubro 20, 20207min0

Mitre10 6ª Jor – Auckland põe fim ao domínio de Tasman… para já!

Francisco IsaacOutubro 20, 20207min0
Fim-de-semana gordo para a Mitre10 Cup já que quatro dos principais favoritos ao título jogaram uns contra os outros, com a formação de Auckland a garantir uma vitória que os catapultou para o 1º lugar à passagem da 6ª jornada!

Há novo líder na divisão Premiership e uma disputa total pelo mesmo spot na Championship da Mitre10 Cup 2020, com agora Auckland a comandar a principal divisão do rugby de pronvíncias da Nova Zelândia, enquanto Ash Dixon e o “seu” Hawke’s Bay foi capaz de segurar a liderança e a Ranfurly Shield por mais uma semana!

Os destaques e a análise ao que se passou por mais uma ronda emotiva desta competição especial neozelandesa!

A MELHOR EQUIPA DA JORNADA: AUCKLAND

A 6ª jornada da Mitre10 Cup tinha dois encontros que reuniam todo um universo de grandes expectativas, com o Waikato-Canterbury e Auckland-Tasman, numa luta entre quatro dos candidatos ao título da divisão Premiership. Ambos encontros foram espectaculares, deliciando bancadas e conferindo números gordos aos placards e optámos por escolher o elenco de Auckland como o melhor conjunto da semana já que foram capazes de forçar a 2ª derrota a Tasman – têm apresentado o melhor rugby nesta temporada – e saltar para o topo da competição, vincando dois pormenores que ajudaram a dominar neste alto embate: voracidade e poder soberbo de luta dos avançados; e postura paciente e competente no gerir a posse de bola.

Comecemos pelo resultado final, 31-10. Tasman, os campeões em título, não sofriam uma derrota deste género há bastante tempo, tendo só conseguido fazer os seus 10 pontos nos últimos 16 minutos de jogo, estando a perder por 31 pontos a zero durante a maior parte do encontro, o que vinca o tal domínio expressivo de Auckland num dos jogos mais esperados da temporada. Para este controlo total voltamos aos dois pontos já referidos, começando pelo trabalho excelente do pack de avançados, que manipularam os timings e dinâmicas de jogo por completo, fazendo um uso eficiente e surpreendentemente eficaz das fases-estáticas, somando três ensaios a partir de dois alinhamentos e uma formação-ordenada, aproveitando a alguma apatia de Tasman, que postulou uma defesa demasiado expectante.

Os segundas-linhas da equipa da casa, Scott Scrafton e Jack Whetton foram dos elementos mais decisivos em campo, cumprindo com excelência o seu papel nas fases-estáticas, como conduziram o bloco dos avançados, incitando a um contínuo castigo sob os defesas contrários, abrindo espaço para dois dos cinco ensaios, sem esquecer o papel desempenhado na linha-de-defesa. Olhando agora para a maneira como Jonathan Ruru (primeira grande exibição do formação) e Harry Plummer combinaram, é de louvar a capacidade contínua de criar problemas na defesa de Tasman, especialmente a partir do jogo ao pé para as costas da linha-de-vantagem, onde David Havili, Leicester Fainga’anuku e Mark Telea tiveram mais dificuldades que o costume tanto na leitura como no momento certo para ir buscar a oval no ar, permitindo espaço de manobra para Auckland se agigantar e tomar controlo da velocidade do encontro.

A combinação destes dois factores, sem esquecer uma capacidade de placagem de um patamar elevado, permitiu a Auckland “partir” com a estratégia habitual de Tasman e impor a sua lógica de trabalho dos avançados e de garantia de sucesso de um jogo mais físico e frio, mas sem deixar de ter o seu rasgo de genialidade.

A SURPRESA: WAIKATO

É uma “relativa” surpresa, ou, nem por isso, pois nesta semana nenhuma das equipas da divisão Championship ou em pior situação classificativa foi capaz de ganhar ante as mais fortes, sendo que a nossa escolha tinha de recair na vitória de Waikato frente a Canterbury.

Este era um duelo que todos esperavam por ver não espectáculo, mas sim uma luta total pelo posse de bola, por garantir problemas ao adversário através das formações-ordenadas e jogo ao pé (Canterbury ressentiu-se dos pontapés de Xavier Roe na primeira-parte, acabando por organizar-se mais celeremente na segunda) e onde a fisicalidade, com a atitude mental de manter a mesma intensidade, foram os pratos fortes do dia. Isto significa que foi um encontro nada bonito, com períodos longos onde se notou a ausência daquela irreverência de jogadores como Fergus Burke, Quinn Tupaea, Ngane Punivai ou Josh McKay contudo foi agradavelmente intenso, agressivo e físico, oferecendo duras placagens (três cartões amarelos no total) e uma disputa avassaladora no breakdown que foi dando um sentido dramático ao encontro, pois este só acabaria ao minuto 90.

Canterbury segurou a liderança no marcador desde o minuto 28 e só perderia aos 90′, repetindo a façanha de conseguir ter a vitória na mão mas perdendo-a quando mais importava, tudo devido a penalidades cometidas na linha de fora-de-jogo e por disputa ilegal junto ao ruck, ficando Tom Christie, Sam Darry, Whetu Douglas ou Billy Harmon mal na fotografia.

Por outro lado, Waikato teve a presença de espírito de lutar e ostentar um estilo mais combativo que o normal, recuperando mesmo de duas bolas perdidas no contacto nos últimos 5 minutos regulares, indo resgatar a oval à formação-ordenada adversária – estranhamente foi uma das falhas da equipa da casa, apesar de terem um 5 da frente de respeito, comandados por Luke Romano e Dan Lienert-Brown – para entrar junto ao ruck até encontrar o espaço suficiente que permitiu passar do 15-09 para 15-14 ficando tudo nos pés de Rivez Reihana… e o abertura não foi capaz de desapontar os seus parceiros!

É muito raro ver Canterbury a cair em casa e, ainda por mais frente a um dos rivais de longa data, não há dúvidas disso, só que Waikato mostrou uma presença mental mais forte, trabalharam para virar os acontecimentos e foram buscar a vitória e vice-liderança da competição de uma maneira emotiva e altamente física!

O MVP DA JORNADA: KALEB TRASK (BAY OF PLENTY)

Manawatu e Bay of Plenty protagonizaram o embate com mais pontos, com os visitantes a conseguir uma boa vitória por 53-35, tendo Kaleb Trask somado 15 pontos para a formação vencedora. O jovem internacional sub-20 da Nova Zelândia surgiu com a camisola nº15, criando uma combinação de relevo com Otere Black, abrindo vários espaços numa defesa algo desorganizada e que deixou muito a deseja na hora da leitura da placagem, especialmente quando Trask surgia lançado e embalado numa rodagem maior em termos de velocidade.

O primeiro ensaio concretizado pelo defesa teve um pouco de tudo, seja uma boa finta de passe que anulou o seu placador directo, ou uma capacidade de fazer um sprint e um gruber de qualidade para depois captar a oval, impondo aquilo que se gosta de ver num jogador próprio dos Chiefs, franquia pelo qual joga no Super Rugby. A nível da organização da equipa vincou uma comunicação de bom tom o que facilitou a saída para o contra-ataque, ocupando bem os espaços para impedir o explorar do jogo ao pé dos 3/4’s de Manawatu, revelando excelentes traços para quem não tem tido grande oportunidade para jogar na posição de 15. Bisou, terminou com 100% de eficácia nos pontapés, criou ainda mais três situações de ensaio e furou a linha por quatro ocasiões, enchendo as medidas de quem assistiu à vitória de Bay of Plenty.

O 1º ensaio de Trask (1:55)

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Bay of Plenty – 53 pontos
Maior marcador de ensaios (equipa): Bay of Plenty – 7 ensaios
Maior marcador de pontos (jogador): Jackson Garden-Bachop (Wellington) e Kaleb Trask (Bay of Plenty) – 15 pontos
Maior marcador de ensaios (jogador): Vários – 2
Melhor da Jornada: Kaleb Trask (Bay of Plenty)


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