Mitre10 2020 2ª Jor – Taranaki derrota Canterbury e rouba o Ranfurly Shield

Francisco IsaacSetembro 20, 20206min0

Mitre10 2020 2ª Jor – Taranaki derrota Canterbury e rouba o Ranfurly Shield

Francisco IsaacSetembro 20, 20206min0
Os irmãos Barrett e a equipa de Taranaki são os novos detentores do Ranfurly Shield, um troféu especial e que muda de mãos várias vezes durante a época! Este foi o grande o destaque de mais um espectacular jornada da Mitre10 2020!

Fim-de-semana bem longo de rugby pela Nova Zelândia, já que começou sexta-feira e só terminou no Domingo, onde se deu a disputa de um troféu muito especial, o Ranfurly Shield, que pertencia até sábado passado à formação de Canterbury, tendo o perdido no desafio lançado pelos irascíveis de Taranaki! Mas terá sido a equipa de Barrett&Barrett (quando Scott voltar a jogar teremos o trio a representar a mesma equipa de província) a melhor da semana? Ou esse destaque vai para os lados do Norte?

A MELHOR EQUIPA DA JORNADA: TARANAKI PARA UMA PRATA ANTECIPADA!

Nada melhor que conquistar logo o primeiro título da época após a 2ª jornada da Mitre10 e, ainda por mais, contra um rival de longa data, não é Taranaki? A equipa de Beauden e Jordie Barrett (as duas principais estrelas de uma equipa que ainda tem Tupou Vaa’i e Lachlan Boshier) foi capaz de conquistar uma vitória no difícil reduto de Canterbury por 23-22 e não só levou os 4 pontos como também conquistou, pela 7ª vez na sua história, o Ranfurly Shield.

Este troféu foi criado no início do século XX e a explicação mais sucinta é de que a equipa detentora desta prata tem de defende-lo em todos os jogos em casa até ao final da temporada, podendo também lançar o desafio em jogos como visitante, mas não obrigado a fazê-lo. Ora Canterbury foi capaz de conquistá-lo em 2018 e desde então nunca tinha perdido qualquer jogo em casa na fase regular (as eliminatórias não contam como desafio de Ranfurly Shield), tendo realizado mais de 15 defesas bem sucedidas… até jogarem frente a Taranaki em 2020.

Mesmo com Richie Mo’unga (exibição mediana do abertura, que foi completamente dominado na defesa e manietado no ataque,), Mitchell Drummond (duas assistências para coroar uma exibição de grande nível do nº9), George Bridge, Cullen Grace, entre outros, Canterbury só por uma vez esteve à frente do resultado e revelou diversos problemas em tentar perceber como contornar a estratégia de kick and fetch de Taranaki, assim como fazer valer o seu maior domínio do pack de avançados, com estes a perderem o controlo do maul dinâmico ou sem impacto necessário na formação-ordenada. Mas indo ao porquê de Taranaki ter sido a melhor equipa da semana, é fácil… rugby extremamente inteligente e de controlo, optando por prescindir da defesa em blitz ou de uma pressão constantemente alta, subindo desfasadamente de forma a tentar criar a ilusão que havia espaço para jogar.

Canterbury caiu na rasteira e as suas unidades isolaram-se em demasia nas acções de ataque, ficando expostas aos especialistas de breakdown do adversário, com Lachlan Boshier a registar 7 conquistas de bola no ruck ou contacto, sem esquecer duas intercepções para Beauden e Jordie Barrett (no total). O ataque viveu entre o kick and fetch, onde Jordie Barrett se destacou no ir buscar a oval no ar, bem apoiado sempre pelo Tei Walden ou Sean Wainui, lançando depois acções rápidas que surtiram em pontos em pelo menos três ocasiões. É um estilo de jogo mais metódico, táctico e que opta por esgotar as energias do adversário na defesa e em contra-ataques que forçam medidas drásticas do outro lado.

A versatilidade de jogo de Taranaki (00:38)

A SURPRESA: AUCKLAND DESPISTA-SE ÀS MÃOS DE ASO E SAVEA’S

A maior surpresa da ronda coube a Wellington, que depois de ter começado a época com uma derrota em casa, foi capaz de ir a Auckland garantir uma vitória bonificada e até pacífica mostrando atributos que podem levá-la a sonhar a uma nova ida à final da Premiership da Mitre10. Foi talvez o maior blockbuster da 2ª jornada, até porque de um lado estavam os irmãos Ioane, Sotutu ou Tu’ungafasi e do outro constavam os Savea, TJ Perenara ou Asafo Aumua, sendo aquele típico jogo pincelado e apimentado com o estilo Maori mesclado com o virtuosismo e genialidade do risco das Ilhas do Pacífico.

Quando se esperaria um jogo de igual para igual, surpreendentemente o resultado final ficou nos 39-21, podendo até ter sido mais largo caso Vince Aso e Billy Proctor tivessem aproveitado duas francas boas oportunidades na 2ª parte, altura em que Auckland estava algo perdida nos processos de jogo e a registar diversos erros nas fases estáticas ou a cometer penalidades por fora-de-jogo.

Este caos táctico e exibicional adveio do que se passou nos primeiros 40 minutos, já que nesse período do jogo, Wellington tinha sucesso na maioria das combinações ou jogadas, impondo um jogo ao pé atemorizante, que tanto nascia de pontapés mais recuados de Jackson Garden-Bachop ou de kicks matreiros junto ao ruck por TJ Perenara (assistência primorosa para Umaga-Jensen que apareceu bem nas costas e acelerou até capturar a oval para seguir até debaixo dos postes), com os homens de Alama Ieremia (o treinador de Auckland é um ex-All Black com mais de 40 caps) a serem apanhados desprevenidos e sem capacidade para contrariar esta sagacidade e volatilidade ofensiva de Wellington. Seis ensaios contra três, rugby pulsante e dinâmico contra algo mais estático e pesado e, sem dúvida, uma equipa que tanto consegue fazer algo extraordinariamente mágico num dos jogos mais esperados deste início da Mitre10.

O MVP DA JORNADA: MITCH HUNT (TASMAN)

Jogou e fez jogar, é isto que se espera de um médio-de-abertura, especialmente um da Nova Zelândia. Tenha sido no jogo ao pé ou na construção de jogo da super equipa de Tasman (é, a par de Waikato, o elenco que melhor joga em termos de excentricidade, velocidade e capacidade de criar algo estrondoso do nada), Mitch Hunt foi a unidade mais importante dentro de campo, conferindo os mecanismos necessários para que conseguissem dominar quase por completo Northland, que nunca seriam um adversário à altura. Cinco conversões (83% de eficácia nos pontapés aos postes), duas assistências, três quebras-de-linha, 38 metros conquistados e uma série de pormenores técnicos que alimentaram o fluxo de ataque de Tasman ao ponto de terem conquistado uma vantagem larga desde os primeiros 10 minutos do encontro. Hunt está num momento de forma de grande nível e é uma das chaves-mestras, com Will Jordan e David Havili, da espectacularidade de jogo dos primeiros classificados da Mitre10.

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Tasman – 54 pontos
Maior marcador de ensaios (equipa): Tasman – 8
Maior marcador de pontos (jogador): Damian McKenzie (Waikato) – 16 pontos
Maior marcador de ensaios (jogador): Sevu Reece (Tasman) – 3 ensaios
Melhor da Jornada: Mitch Hunt (Tasman)

O pontapé de Mitch Hunt para o ensaio de Leicester Fainga’anuku


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