Mitre10 2020 1ª Jor – Tasman entra a ganhar e Waikato dá show

Francisco IsaacSetembro 13, 20205min0

Mitre10 2020 1ª Jor – Tasman entra a ganhar e Waikato dá show

Francisco IsaacSetembro 13, 20205min0
O campeonato de províncias do rugby neozelandês já arrancou e Waikato foi das equipas a entrar melhor na competição, com uma pequena-grande ajuda de Damian McKenzie! Os destaques desta 1ª jornada no Fair Play

A competição de províncias neozelandesa já começou, com os elencos a serem apetrechados com os vários All Blacks do recente passado e de agora a alinhar pelas suas equipas, seja em Taranaki (dois dos três irmãos Barrett jogaram), Tasman (Will Jordan e Sevu Reece por exemplo) ou Auckland (os irmãos Ioane deram a sua força à sua equipa de sempre). O Fair Play lança pela primeira vez um artigo de acompanhamento a esta competição provincial, que em 2020 terá outro gosto e dimensão devido não só à participação de vários internacionais neozelandeses mas também pelo facto de estar a passar por uma fase de reformulação e investimento forte!

Antes de começar, importante saber que os campeões em título são o Tasman, Wellington (formação onde despontam os Savea por exemplo) são vices e Bay of Plenty foi a equipa que subiu de divisão na época 2019 (a Mitre10 está dividida em duas divisões, a Premiership e Championship, cada uma com 7 equipas mas com cruzamento de jogos entre si), sendo estas as linhas mais básicas a seguir!

Os destaques de mais um fim-de-semana de muito rugby na Nova Zelândia!

A MELHOR EQUIPA DA SEMANA: WAIKATO

Fogo, espectáculo, piromania, explosivo e intenso, são só alguns dos adjectivos ou etiquetas que podemos adjudicar à exibição da formação de Waikato, que elevou-se nas asas do soberbo Damian McKenzie, responsável por um ensaio, uma assistência e ainda mais 28 pontos ao pé, numa daquelas exibições à DMAC dos melhores tempos, nesta vitória por 53-28. A equipa treinada por Andrew Strawbridge (treinador adjunto da franquia de Super Rugby dos Chiefs) foi constantemente superior durante o seu embate ante a compacta adversária de Wellington, apostando numa combinação de jogo mais ágil e rápido, evitando bloquear a oval em jogadas mais pesadas ou nos pontapés para as costas, muito baseado na genialidade de Damian McKenzie e Anton Lienert-Brown, que foram bem coadjuvados por Quinn Tupaea e o regressado Patrick Osborne (regressou do Japão esta época), imputando aquele rugby clássico dos Chiefs.

É verdade que ajuda ter no pack de avançados jogadores dotados não só de uma fisicalidade dominante mas também de poderem ser unidades de grande mobilidade no rugby contínuo, com Luke Jacobson e Mitch Jacobson, criando surpreendentes dificuldades a um bloco contrário que “só” tinha Ardie Savea, James Blackwell, Asafo Aumua ou Duplessis Kirifi. Independentemente de terem do outro lado um elenco extremamente bem reforçado a nível individual (Julian Savea jogou pela 1ª vez em solo neozelandês desde 2018 e até marcou um ensaio logo a abrir o encontro), os Waikato Mooloos (é a alcunha oficial deste clube provincial) não consentiram nas formações estáticas, impuseram um equilíbrio notável no choque físico e deram vida à oval sempre que viram uma oportunidade e espaço para desenvolver aquele virtuosismo ofensivo sempre baseado nas invenções de Damian McKenzie.

A SURPRESA: NORTHLAND

A par de Southland, Northland foi uma das piores equipas das províncias da Nova Zelândia em 2019, terminando nessa época em penúltimo lugar da Championship (2ª divisão) com apenas 11 pontos somados… contudo, 2020 começou de forma completamente diferente, já que Northland arrancou logo uma vitória bonificada ante os Counties Manawatu, muito inspirada pelo trabalho assertivo de Josh e Jack Goodhue (o centro foi um predador em termos de conquistar a linha-de-vantagem), Tom Robinson e Sam Nock, virando uma desvantagem de 03-20 para 36-29 no final dos 80 minutos.

A evolução da estratégia de 2019 para 2019 foi notória, explorando uma mobilidade penetrante baseada em rápidas combinações entre o 9-12 ou 9-10-14 a partir de um ruck mais desenvolvido, o que força desde logo uma ruptura no bloco defensivo adversário, como aconteceu ao elenco de Manawatu, tendo estes sofrido com aquele handling vibrante de Jack Goodhue. Poucos esperavam por ver um Northland tão em sincronia e competente, com um alto aproveitamento de oportunidades, sem esquecer a agressividade imposta a partir do alinhamento, tendo feito constantemente mossa no elenco opositor.

O MVP DA JORNADA: DAMIAN MCKENZIE (WAIKATO)

Damian McKenzie é realmente um jogador diferente, possuidor de características técnicas que rapidamente alteram o sentido de um jogo, com isto a acontecer exactamente na recepção à equipa de Wellington tanto pelos arranques praticamente impossíveis de parar (quatro quebras-de-linha e mais uns quantos sprints que acabaram na área de validação), um jogo ao pé refinado e que submete uma pressão asfixiante ao adversário ou aquela visão que descobre os melhores espaços e oportunidades num espaço de tempo pequeno e só ao nível de jogadores-referências.

Os 38 pontos somados logo na jornada de abertura de Mitre10 lançam um sério aviso aos adversários dos Waikato Mooloos e que deve ser tomado com toda a atenção necessária, pois Damian McKenzie é uma unidade com poderes para alterar o fluxo de jogo seja ao pé, mão ou no comandar das movimentações de ataque.

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Waikato – 53 pontos
Maior marcador de ensaios (equipa): Northland e Canterbury – 6 ensaios
Maior marcador de pontos (jogador): Damian McKenzie (Waikato) – 33 pontos
Maior marcador de ensaios (jogador): Vários – 2
Melhor da Jornada: Damian McKenzie (Waikato)

Ensaio de Damian McKenzie (2:51)

TABELAS DE PONTOS E ENSAIOS


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