Mitre10 10ª Jor – Canterbury salva-se à conta do pé de Kaleb Trask

Francisco IsaacNovembro 15, 20208min0

Mitre10 10ª Jor – Canterbury salva-se à conta do pé de Kaleb Trask

Francisco IsaacNovembro 15, 20208min0
Um pontapé aos 80 minutos de Kaleb Trask assinou a descida de North Harbour para a Championship com Canterbury a poder respirar de alívio... contamos o que se passou na 10ª e última jornada da fase regular da Mitre 10 Cup 2020

Sufoco para Canterbury, tremenda tristeza para North Harbour, alívio para Wellington e festejos para os de Bay of Plenty, pois as quatro equipas tinham o seu destino entrelaçado na luta pelo apuramento para os playoff, manutenção e descida de divisão. A “fava” tocou à equipa do melhor marcador da competição da fase regular, Bryn Gatland (onde joga Jared Page, antigo atleta do GDS Cascais), enquanto Canterbury garantiu a manutenção numa vitória memorável ante Auckland. Mas como é que a equipa de Christchurch derrotou o 1º classificado da Premiership?

Tudo analisado e explicado neste artigo da 10ª jornada da Mitre 10 Cup 2020!

A MELHOR EQUIPA DA JORNADA: CANTERBURY E BAY OF PLENTY

Num fim-de-semana que prometia ser do mais dramático possível, Canterbury e Bay of Plenty fizeram questão de subir o tom do drama para um patamar híper elevado, já que os encontros frente a Auckland e North Harbour, respectivamente, só ficaram decididos nos últimos minutos, decidindo quem ficava com o último lugar do playoff, quem garantia a manutenção e quem recebia a triste notícia da descida de divisão que acabou nas mãos da equipa de North Harbour. Comecemos pelo porquê de atribuirmos a menção de co-melhor equipa da semana a Canterbury.

A perder por quase 20 pontos de diferença frente aos super-favoritos Auckland, o elenco de Christchurch foi capaz de recuperar da diferença pontual e acabar na frente tudo isto na 2ª parte, e apesar do excessivo sofrimento sentido em cada nova bola ou cada pontapé efectuado, a verdade é que naqueles segundos 40 minutos foi possível de assistir uma equipa extremamente competente e focada na missão de garantir o máximo número de pontos.

Com Mitchell Drummond a realizar uma extraordinária exibição – foi um dos jogadores que mais lutou pela manutenção de Canterbury – e um bloco de avançados agressivamente lutadores no breakdown (destaque para os 3ªs linhas Tom Christie e Tom Sanders, que terminam em grande a época) e na formação-ordenada, foi possível aos da casa garantirem 27 pontos na segunda metade do encontro, pulsando um rugby de domínio em tudo o que concerne a acção directa do bloco avançado e confiança nos momentos decisivos, como foi no pontapé do ponta de 19 anos Chay Fihaki aos 75 minutos.

Ultrapassado este jogo de grandes emoções, quem realmente pôs fim à dúvida de quem ficava ou descia de divisão foi Bay of Plenty, equipa que o ano passado militou e ganhou a divisão Championship e foi capaz de garantir um apuramento para a fase-final da Premiership, nesta sua primeira temporada depois da subida, enviando a formação de North Harbour de volta ao escalão secundário da Mitre10 Cup. As duas equipas mostraram excelentes argumentos nos últimos encontros da temporada e ambas mereciam ter igualmente recebido o bilhete de permanência, mas quis a sorte (para uns) que fosse o elenco dos Steamers a garantir a permanência e apuramento para as meias-finais da primeira divisão do campeonato provincial neozelandês.

Começaram francamente mal o encontro, permitindo North Harbour mandar como queriam nos avançados, especialmente nos alinhamentos e maul dinâmicos (conseguiram quatro ensaios a partir desta plataforma), recuperando logo de seguida por meio da maior mobilidade das suas acções de ataque com Kaleb Trask a realizar uma estupenda prestação com e sem bola, governando com qualidade a partir da posição de defesa.

Mais velocidade, maior virtuosismo e uma confiança inabalável foram os elementos técnicos e mentais que acabaram por fazer a diferença quando mais importou, ou seja, nos últimos 5 minutos, altura em que North Harbour foi capaz de marcar um ensaio que Bryn Gatland – o melhor marcador da prova na fase regular com 119 pontos – não foi capaz de converter, seguindo-se uma penalidade que Trask teve toda a calma e lucidez do Mundo para garantir os 3 pontos que puseram um fim ao dramatismo e tragédia.

5 minutos em que estiveram vários pontos em discussão e que acabaram por pender para o lado da equipas sensação de Bay of Plenty, olhando estes agora para o sonho supostamente improvável… ganhar a Mitre 10 Cup.

O pontapé de Fihaki que selou a vitória de Canterbury

A SURPRESA: NORTHLAND

Improvável e inesperada a vitória da equipa sediada em Whangārei, numa das partes mais a norte da Nova Zelândia, frente a uma das formações (teoricamente) candidatas ao título da divisão Premiership da Mitre 10 Cup, submetendo aquilo que ficou uma derrota quase histórica. Northland é dos elencos mais “pobres” em termos de jogadores-referência, tendo só Sam Nock, Rene Ranger, Kara Pryor ou Tom Robinson, apresentando depois atletas menos conhecidos mas que lutam por um lugar ao “sol” Dan Hawkins, Jordan Olsen ou Lua Li, elevando a dose de trabalho árduo e focado evitando todos os anos fugir ao último lugar da 2ª divisão do campeonato de províncias da Nova Zelândia, um cenário “comum” para esta equipa de Whangārei.

Contudo, 2020 tem sido um ano atípico para o Mundo e rugby, e o facto de Northland ter conseguido o apuramento para a fase-final da divisão Championship com a conquista de 4 pontos ante os supra-favoritos Waikato deixa antever que outras surpresas possam acontecer… mas bem, vamos ao que se passou dentro de campo.

Waikato foi algo superior no que toca à imprevisibilidade técnica, com bons momentos técnicos evocados por Liam Messa, Xavier Roe ou Quinn Tupaea, mas faltou consistência física para aguentar a maior fisicalidade de Northland, principalmente nas fases-estáticas, em que a equipa da casa foi bastante “agressiva” nas suas conquistas, forçando penalidades a partir do maul dinâmico ou nas formações-ordenadas, tendo que se dar destaque à excelente primeira-linha, onde estão Lua Li, Jordan Olsen (o talonador é um activo bem interessante e que deveria ter uma oportunidade no rugby de franquias) e Coree Whata-Colley.

Este amassar físico do bloco adversário foi essencial para elevar Northland nos momentos mais desesperantes do encontro, em especial quando Waikato se aproximou com muito perigo da área de ensaio na reentrada da 2ª parte, só que a disponibilidade mental de Northland inspirou para uma capacidade defensiva física comprometida e inteligente, impedindo os seus adversários de conseguirem fazer os pontos necessários para se distanciarem no marcador.

Sem penalidades, sem erros e com várias doses de paciência e calma, Northland foi capaz de respirar “fundo” e recuperar a oval por dois erros de controlo de bola dos seus adversários e retomaram o tal domínio territorial, conseguindo um ensaio aos 50′ que acalmou por completo o encontro e lhes deu a “paz” necessária para ganhar o encontro de forma merecida, podendo agora sonhar com algo mais na fase final da competição.

O MVP DA JORNADA: JACKSON GARDEN-BACHOP (WELLINGTON)

O abertura esteve em todas melhores jogadas de Wellington, conferiu um sentido de jogo sempre positivo e de grande velocidade, desprendendo-se daquelas amarras de ficar entregue ao jogo puramente táctico, impondo uma série de acelerações de supremo nível, ludibriando bem os possíveis placadores para abrir espaço ou uma linha de apoio ofensivo de nível e que os Leões da capital neozelandesa para a vitória e, assim, apuramento para a fase de decisão de campeão da principal Mitre 10 Cup.

Jackson Garden-Bachop foi autor de uma assistência para ensaios, cinco assistências para quebras-de-linha de colegas da sua equipa, oito defesas batidos e cinco quebras-de-linha suas que deram outro gosto e vivacidade ao ataque de Wellington, abrindo então roturas na defesa de Manawatu, com os jogadores deste elenco a mostrarem-se demasiado permeáveis na hora de defender ou subir ou não em pressão. O abertura da equipa visitante foi sempre um problema, elevando-se sempre que havia uma oportunidade, impondo um ritmo alto e, por vezes, impossível de acompanhar por parte dos seus marcadores directos, incomodando constantemente os seus adversários e transformou o domínio de Wellington em algo palpável e concreto.

Nota para Mitchell Drummond e Joe Webber, com ambos os jogadores a realizarem jogos de alta categoria, com o formação a criar três situações de ensaio (e duas assistências) e Webber a mostrar o porquê de ser considerado um dos pontas mais incisivos e perigosos deste campeonato da Nova Zelândia.

Os pés de Joe Webber

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Bay of Plenty – 37 pontos;
Maior marcador de ensaios (equipa): V]arias – 5 ensaios;
Maior marcador de pontos (jogador): Mitchell Hunt (Tasman) – 16 pontos;
Maior marcador de ensaios (jogador): Salesi Rayasi (Auckland) – 3 ensaios;
Melhor da Jornada: Jackson Garden-Bachop (Wellington);


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