Mitre 10 Finais – Bicampeonato sorri aos “tubarões” de Tasman

Francisco IsaacNovembro 28, 20207min0

Mitre 10 Finais – Bicampeonato sorri aos “tubarões” de Tasman

Francisco IsaacNovembro 28, 20207min0
E há campeões da Mitre 10 Cup 2020: Tasman Makos e Hawke's Bay! A análise ao que se passou nas finais em mais um artigo do Fair Play

Tasman são campeões da Premiership e Hawke’s Bay sorri com a subida de divisão e o título da Championsip (o 3º nos últimos 10 anos), colocando um ponto final no campeonato de províncias neozelandês. Quem foram os destaques dos encontros?

Para este artigo deixamos cair a “Melhor equipa da Jornada” e “A Surpresa”, já que Northland não conseguiu fazer a “surpresa” e seria redutor não falar de uma das finais da Mitre10 Cup 2020, que fechou por fim a sua temporada em grande com dois jogos de elevado nível!

MITRE 10 PREMIERSHP: DURINHO E SOFRIDO MAS COM SORRISOS PARA TASMAN

1 ensaio em 80 minutos finais de temporada significa que o jogo foi fraco ou não? A nível daquelas combinações e jogadas de grande entusiasmo, pautados por uma apaixonante atração pelo risco e de espírito vertiginoso indomável, podemos dizer que sim que foi um encontro pouco elétrico quando olhamos para a manobra ofensiva, principalmente quando qualquer uma das duas equipas estava dentro do meio-campo do seu adversário. Mas se falarmos em emoção pura, dedicada à fisicalidade, ao burburinho dos corpos a bater e a entrar no contacto, de duas defesas a tentarem ser o mais astutas possível e carregado de despiques e embates físicos que elevaram o tom do jogo, não há dúvidas que sim foi um grande jogo nesse sentido.

O 13-12 que garantiu o bicampeonato de Tasman foi mais jogado no aproveitamento táctico e no aproveitar de penalidades para chegar aos postes, optando tanto os actuais bicampeões em título como os vencidos de Auckland por um approach mais frio ao jogo, de impedir que a emoção ou “guelra” de dar alegria arriscada à bola tomasse as rédeas do encontro, apesar de no final esta estratégia ter sido penalizadora para os perdedores. Porque é que dizemos isto? Bem, Auckland foi uma equipa que durante toda a época fez valer o seu maior virtuosismo no ataque, terminando a fase regular como a equipa com mais ensaios marcados (43), não querendo estar tão agarrada aos pontos pelos pontapés na procura incessante e válida de chegar longe através de uma postura ofensiva de ter a bola em seu poder e procurar castigar o adversário com quebras-de-linha desconcertantes (AJ Lam e Salesi Rayasi foram as duas principais ameaças nesse aspecto) e uma manobrabilidade da oval desconcertante.

A alteração de estratégia de Auckland teve a ver mais com Tasman do que outra coisa, pois os campeões da edição 2019 e 2020 da Mitre 10 Cup são dos melhores no que concerne ao jogo táctico e na reação às quebras-de-linha do adversário, postulando sempre uma atitude calma, paciente e inteligente, ao jeito do que se passa com os Crusaders no Super Rugby, sendo que acima de tudo, ter David Havili na posição de defesa e líder permite sempre aos Makos ter toda uma panóplia de opções que podem desequilibrar por completo o xadrez de rugby.

E, na final, Havili foi preponderante sempre que chamado à acção, assumindo os pontapés aos postes após a lesão de Mitch Hunt, terminando o encontro com 8 pontos, com a última penalidade marcada aos 70 a “fechar” o encontro, sem esquecer as 10 vezes em que teve de saltar no ar para captar a bola, sem errar uma única vez neste aspecto, para além de ainda ter conquistado uma série de metros e duas quebras-de-linha.

Tasman mereceram o título não pela sua melhor qualidade técnica com oval na mão, mas pela categoria em saber aguentar quando Auckland queria dominar nas fases-estáticas e no território e de penalizar o adversário sempre que possível.

MITRE 10 CHAMPIONSHIP: HAWKE’S BAY DESLUMBRA NA 2ª PARTE

A final da 2ª divisão da Mitre 10 Cup foi extremamente “quente” nos primeiros 40 minutos, com Hawke’s Bay e Northland a trocar pontos e placagens tudo num ritmo vertiginoso, já que o emblema do norte da Nova Zelândia não iria deixar de lutar pelo título sendo underdog ou não, e teve em Tom Robinson, Kara Pryor e Joshua Goodhue os seus principais homens-fortes no que toca à defesa e no tentar criar algum tipo de impacto mental negativo ao seu adversário, uma estratégia com resultado na primeira-parte.

Nisto também ajudou a classe técnica de Réne Ranger e Tamati Tua (o MVP de Northland, com um ensaio e duas assistências, mais 65 metros e 3 quebras-de-linha) nas linhas atrasadas, oferecendo uma letalidade superior e que criou vários problemas aos Magpies, que apesar da boa defesa imposta não conseguiram tirar margem de manobra da condução de bola de Northland, com estes a mostrarem uma agressividade bem atractiva e até poderia os ter levado ao título, não fosse acontecer a 2ª parte.

Na segunda metade do encontro foi quase tudo diferente, pois Hawke’s Bay entrou em campo com outra lucidez mental e uma disponibilidade física para irem ao contacto e forçarem uma aglomeração defensiva de Northland, que não foram capazes de placar com a mesma atitude da 1ª parte oferecendo demasiado espaço de manobra para os seus adversários ganharem não só metros mas também para atirarem o sempre matreiro offload, com este pormenor a ser significativo para garantirem o caminho até à vitória. Com Solomone Funaki e Ash Dixon a destruir na avançada e Neria Fomai (o centro foi extraordinário durante todo o encontro) e Folau Fakatava a inventarem combinações surpreendentes, Hawke’s Bay foi encontrando constantemente o caminho para a área de ensaio durante os 40 minutos finais da época e terminaram como os justos vencedores desta 2ª divisão.

Depois de terem descido em 2016 para a divisão que actualmente jogam, Hawke’s Bay foi capaz de realizar uma temporada de alto nível terminando com 9 vitórias em 12 jogos, marchando vitoriosamente até garantir o troféu de campeão do Championship, confirmando assim o seu regresso à Premiership, sem esquecer que sobem com o Ranfurly Shield também debaixo do braço. Northland podia ter tido mais, mas há que relembrar que em 2019 lutaram para não ser o pior dos últimos, tendo dado um salto qualitativo sensacional.

O MVP DAS FINAIS: NERIA FOMAI (HAWKE’S BAY) E DAVID HAVILI (TASMAN)

Dois três-quartos foram escolhidos como os melhores das finais e merecidamente, pois tanto o centro dos Magpies foi extraordinário na circulação de bola, na velocidade imposta a cada recepção da oval e na imposição física na defesa, somando-se um jogo ao pé imprevisível, enquanto David Havili pautou por uma exibição de patamar alto, capturando a oval nas alturas com segurança ou a dar os comandos e ordens certas aos seus colegas de equipa, sem esquecer a arte no jogo táctico ou na conversão de pontapés.

Curto mas eficiente, foi assim que a acção do 15 de Tasman foi preponderante, com um ritmo elevado mas sem cair nas emoções quentes da final da Premiership, o que deu uma espécie de rede de segurança às linhas atrasadas dos Makos na final. Já Fomai esteve em todo o lado, e foi uma autêntica surpresa neste encontro, pois o centro samoano de 28 anos foi dominante na defesa (7 placagens efectivas, nenhuma falhada e ainda um turnover) e rápido a fazer danos na defesa de Northland, com 60 metros, 3 quebras-de-linha e 2 ensaios.

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Hawke’s Bay – 36 pontos
Maior marcador de ensaios (equipa): Hawke’s Bay – 6 ensaios
Maior marcador de pontos (jogador): Neria Fomai (Hawke’s Bay) e Jonah Lowe (Hawke’s Bay) – 10 pontos
Maior marcador de ensaios (jogador): Neria Fomai (Hawke’s Bay) e Jonah Lowe (Hawke’s Bay) – 2 ensaios
Melhor da Jornada: Neria Fomai (Hawke’s Bay) e David Havili (Tasman)


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