Lions entram com fome de devorar – Ronda 1 Super Rugby 2018

Francisco IsaacFevereiro 18, 20186min0

Lions entram com fome de devorar – Ronda 1 Super Rugby 2018

Francisco IsaacFevereiro 18, 20186min0
O Super Rugby começou a meio gás mas os Lions entraram com tudo e abateram os Sharks. O que há para saber mais? Três pontos da ronda 1!

A primeira Ronda do Super Rugby decorreu só com quatro equipas (Lions, Sharks, Jaguares e Stormers) da conferência sul-africana, com o Fair Play a destacar jogadores, set-pieces, treinadores e equipas. Fiquem a saber o que de bom, mau e mais ou menos aconteceu neste reinício da maior competição de clubes do Hemisfério Sul.

JAGUARES: MAIS DO MESMO?

Reentrada dos argentinos com o pé esquerdo na competição… tiveram uma oportunidade de ouro para ganhar na Cidade do Cabo mas não conseguiram matar o jogo no momento certo, ou seja, quando estavam a jogar contra 14, dispondo uma formação-ordenada nos 5 metros da equipa da casa. Mas o que se passou com os Jaguares?

Olhando só para a estatística percebemos que algo vai mal, já que só completaram 53% das placagens durante todo o encontro, falhando o alvo por 38 vezes, abrindo a defesa de uma forma, por vezes, tão simples e fácil que os Stormers só tiveram que entrar e marcar os pontos necessários para ganhar.

Pior que tudo foi a forma como os Jaguares conseguem transitar de um rugby vistoso, acelerado e inteligente, para os erros mais desconcertantes e incapacitantes possíveis, dando autênticos “tiros nos pés” nos momentos mais cruciais do jogo.

Já falámos dessa formação ordenada a meros metros da área de ensaio, mas também tiveram um alinhamento que perderam no meio da confusão do drive, ficando na retina a falta de um nº8 e de uma primeira-linha mais móvel (Arregui e Chaparro passaram ao lado do jogo, excepto nas fases estáticas), algo necessário para fazerem algo mais no Super Rugby.

De pouco valeram as boas exibições de Moroni, Tuculet, Sanchez ou Boffelli… será que os Jaguares vão voltar a não impressionar?

DÊEM UMA OPORTUNIDADE A KWAGGA SMITH!

O homem dos 7’s, o Barbarian que ia “arrebentando” com os All Blacks e o asa mais “diferente” do Super Rugby voltou a entrar com tudo: explosão, magia, velocidade, finta e pormenores que fazem a maioria dos adeptos sul-africanos gritar “dêem a oportunidade de ser um Springbok a Kwagga!”.

O nº7 dos Lions foi uma das “armas” do novo treinador da equipa, Swys de Bruin, que atacou da melhor forma a defesa articulada e mexida dos Sharks. Kwagga foi sempre um problema com a bola nas mãos, como aconteceu a meio da primeira-parte, entrando com força, abalroando adversários pelo caminho, denotando-se um excelente trabalho técnico no ataque. É muito complicado de ser parado na primeira placagem e isso faz dele um trunfo importante no ataque.

O ensaio que marcou aos 59′ parece que foi “fácil”, mas na realidade a forma como entra no contacto, o ir ao chão e conseguir rebolar sem que fizesse falta (os tais dois movimentos) para chegar à linha de ensaio é notável.

A defender só placou por 5 vezes, mas conquistou três turnovers, duas penalidades e forçou dois erros ao ataque dos Sharks, algo que faz dele um asa não só dinâmico e acelerado, mas excêntrico, diferente e que pode muito bem ser chamado, em 2018, para a selecção da África do Sul. A sua participação quer seja no ataque ou defesa garante outra visibilidade à sua equipa.

Há por aí mais jogadores de 7’s assim? (por acaso há mais um sim, de seu nome Seabelo Senatla!)

HÁ NOVAS COQUELUCHES: S’BUSISO NKOSI E APHIWE DYANTYI

Dois pontas de equipas diferentes, partilhando o mesmo destino… a linha de ensaio! Sem brincadeira agora, Nkosi e Dyantyi partilham algo único, que é a velocidade e capacidade de rasgo quando têm a bola nas mãos, evidenciando-se toda uma passada que faz inveja a vários jogadores.

Nkosi, dos Sharks, é um jovem que fez a sua estreia no Super Rugby agora em 2017, mas parece ser em 2018 que vai agarrar a oportunidade com todas as forças possíveis. O talentoso ponta tem uma capacidade para fugir encostado à linha de lateral, impulsionando-se no último momento de modo a chegar ao objectivo máximo de qualquer equipa.

Com 22 anos, o internacional sub-21 da África do Sul, prepara-se para ser uma das caras dos Sharks nesta temporada e o ensaio, aliado a duas quebras-de-linha e 50 metros conquistados, são um bom aviso para os seus adversários.

Mas, Nkosi não foi a estrela que brilhou com mais força… esse papel ficou reservado para Aphiwe Dyantyi no jogo dos Lions na abertura da época para a formação de Joanesburgo.

O ponta que tem uma história de vida fantástica, já que com 15 anos foi “declarado” pelos seus treinadores que “não tinha tamanho físico para jogar ou singrar na modalidade”, algo inexplicável e discordante perante os valores da modalidade. O sul-africano retirou-se momentaneamente, para voltar cheio de força e vontade, sendo uma das caras dos Golden Lions na Currie Cup em 2018.

Agora, na sua estreia no Super Rugby, Dyantyi fez um “jogão” (pedimos desculpa pelo vernáculo utilizado) com uma série de quebras-de-linha, defesas tirados do caminho (desconcertante a troca de pés que deu a Robert du Preez a certa altura) e um ensaio que denota duas características: genialidade e eficácia.

Recepção de bola de enorme qualidade, explosão com a bola nas mãos e depois um grubber maldoso que garantiu-lhe o seu primeiro ensaio na competição… de muitos esperemos! A época começou assim da melhor forma para os Lions, mas os Sharks não devem ficar desolados porque têm muita matéria-prima no plantel (aquele super arranque de Bosch foi delicioso, com o defesa a embalar e “bailar” de uma forma que deixou a defesa dos Lions pregada ao chão).

Um alerta a todos os leitores: o Super Rugby Fantasy da Fox Sports começa já no próximo fim-de-semana. Os interessados deverão clicar no link: FOX SPORTS. O Código de adesão para a liga é: H2XNE3VW. Temos 3 prémios para oferecer, mas a liga só será válida com um mínimo de 15 participantes.

Ensaio de Nkosi… se desejam ver o Dyantyi cliquem no minuto 00:40


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter