E começaram os Internacionais de Inverno 2018! – Semana 1

Francisco IsaacNovembro 5, 201810min0

E começaram os Internacionais de Inverno 2018! – Semana 1

Francisco IsaacNovembro 5, 201810min0
A colisão de rugbies já começou e o Hemisfério Norte é novamente o palco de alguns dos melhores encontros da modalidade. Lê este resumo dos Internacionais de Inverno 2018

E estamos no ar novamente, os Internacionais de Inverno 2018 já chegaram e o Mundo do rugby aperalta-se mais uma vez para a colisão entre Norte e Sul, com as super-poderosas Irlanda, País de Gales, Inglaterra, França, Escócia a medirem forças com os “titãs” da Austrália, África do Sul, Argentina e Nova Zelândia, para além dos “pozinhos” soberbos ou caóticos que Japão, Itália, Geórgia, Namíbia trazem a este momento anual da modalidade.

Num fim-de-semana que não está contemplado dentro da janela de Paragem para Selecções (ou seja, os clubes não têm de ceder os atletas no fim-de-semana que passou) tivemos alguns momentos de excelente rugby com grandes estreias, resultados algo inesperados e, mas principalmente, foram deixadas algumas mensagens preocupantes para algumas selecções.

Esta foi a Semana 1 dos Internacionais de Inverno 2018!

O MAU: DEFESA JAPONESA NÃO É À PROVA DE ESTREANTES ALL BLACKS

Muito se falou das trocas profundas na Nova Zelândia entre o jogo da semana passada com a Austrália para este com o Japão, com a entrada de 8 estreantes para o 23 convocados para o confronto. Desses oito, dois assumiram a titularidade (Dalton Papalii e Matt Proctor) enquanto o resto foi para o banco. Mas o mais importante foi o facto de só 1 jogador ter transitado do jogo contra os Wallabies (outra vitória por números “gordos”), o que lançou uma série de comentários negativos e depreciativos.

Contudo, no final os 80 minutos os All Blacks responderam às críticas com uma exibição destruidora com um 69-31 final. Voltamos a relembrar, nenhum titular da semana passada jogou o que prova que os bicampeões mundiais em título têm não uma, nem duas, mas três XV com capacidade de surpreender.

Em Tóquio, a equipa da casa apresentou-se com claras deficiências defensivas que já não eram vislumbradas há algum tempo. O tempo de reacção à placagem e a expansão na linha defensiva foi quase sempre feita de uma forma deficitária com uma ausência de dinamismo preocupante, em que passou principalmente pela falta de auxílio e a apoio aos corredores dos últimos 5 metros.

Kenki Fukuoka e Jamie Henry estiveram muito desacompanhados e a falta de clarividência tanto a Ryohei Yamanaka ou Michael Leitch (o asa tem obrigação de meter a equipa a andar a outra velocidade e de socorre-la em zonas mais largas do território) não ajudou a missão de defender na linha os neozelandeses.

Os All Blacks aproveitaram esses erros, e mesmo tendo começado a perder (outro erro de Jordie Barrett, desta vez um pontapé que foi carregado facilmente), conseguiram facilmente dar a volta ao resultado com ensaios de Dane Coles, Richie Mo’unga e Ngani Laumape. Dois destes três ensaios foram marcados ou tiveram a penúltima fase conquistada nas pontas.

O Japão consentiu 25 falhas de placagem, 90% dentro dos seus 40 metros, abrindo claramente os “portões” da área de validação para que se continuassem a sofrer consecutivamente ensaios. A dupla de centros neozelandesa, composta por Laumape e Proctor, foi destruidora em fases mais dinâmicas com 6 quebras-de-linha, construindo uma rampa de lançamento para as melhores movimentações de ataque… o Japão defendia demasiado na expectativa e acabou por pagar caro esta postura.

Foram 10 ensaios marcados do lado dos All Blacks, com o estreante George Bridge a entrar em grande logo na 2ª parte e somou dois ensaios e uma assistência durante o período de jogo em que participou. Laumape fez um trio de ensaios, Papalii foi intransponível (11 placagens do asa estreante), Te Toiroa Tahuriorangi e Mo’unga pautaram com qualidade e Dane Coles marcou o seu regresso ao rugby com um ensaio.

Do lado do Japão mesmo que a liderança de Leitch não tenha sido fenomenal, não deixou de ser dos melhores, acompanhado por Timothy Lafaele e Kazuki Himeno. Faltou Lomano Lemeki e Amanaki Mafi para darem outra dimensão ao jogo japonês. 69 pontos sofridos não é boa notícia para os nipónicos a 11 meses do próximo mundial. Para Steve Hansen, esta equipa “C” neozelandesa deixou excelentes promessas para o presente e futuro.

O ASSIM-ASSIM: BOKS E “ROSAS” EM DUAS PARTES FÍSICAS

Muito músculo, muitas placagens, excessivas fases estáticas (25 alinhamentos e 14 formações-ordenadas) e alguma emoção foram marcas do encontro entre ingleses e sul-africanos em Twickenham… Eddie Jones volta a sorrir e pode contar com alguma sorte, sobretudo na forma perdulária como os Springboks não aproveitaram 40 minutos de domínio na primeira parte para construir um resultado estável.

Malcolm Marx falhou em quatro introduções, três das quais nos últimos 10 metros, impossibilitando que montassem um maul decisivo e aumentassem a vantagem inicial. Foram 40 minutos em que só existiu uma equipa com vontade de atacar à mão, de encontrar formas de jogar mas que nunca teve a execução pretendida.

Handré Pollard passou ao lado do jogo, com falta de ideias para montar boas movimentações, Ivan van Zyl não tem argumentos para ser um formação de velocidade e dinamismo (Faf de Klerk vai ficar de fora em alguns jogos dos boks neste final de 2018) e Damian Willemse passou ao lado do jogo (teve apenas uma boa acção com a bola nas mãos).

Sem movimentadores de bola dinâmicos, a África do Sul precisava de um acerto total do par de centros e dos avançados e teve-o parcialmente, com boas acções de Warren Whiteley, Duane Vermeulen e Pietr-Steph du Toit. A conquista de metros foi minimamente eficiente, todavia não o suficiente para chegar à área de ensaio. Faltou mais sorte e explosão no último passe.

Veja-se que os Springboks fizeram quatro quebras-de-linha… números insuficientes para uma equipa do topo mundial e que pareceu estar completamente dependente dos alinhamentos ou formações-ordenadas.

A Inglaterra sobreviveu com “alguma sorte” aos primeiros 40 minutos, mas também é importante ressalvar a excelente atitude defensiva liderada por Brad Shields, Maro Itoje (não fosse o amarelo, tinha feito uma exibição de gala), George Kruis, Kyle Sinckler e sobretudo Mark Wilson. O número 8 fez uma exibição genial, garantindo uma opção sólida à selecção inglesa para a posição, comandando bem a equipa na formação-ordenada, para além de se ter revelado um placador exímio.

Depois de uns primeiros 40 minutos sofríveis, a Inglaterra mudou por completo e realizou uma exibição de boa qualidade. Contudo, e como à África do Sul, falhou nos últimos e decisivos metros não por causa do bloco de avançados, mas sim devido à falta de acerto das linhas atrasadas. Das 13 quebras-de-linha conseguidas, nenhuma levou à área de validação e alguma da culpa vai para a falta de decisão de Elliot Daly.

O defesa teve três oportunidades claras para fazer um último passe decisivo, decidindo sempre mal… invés de apostar na ponta, virou para o interior do terreno e acabou apanhado na boa defesa sul-africana.

Perante isto, os pontapés de Farrell e Daly deram os 12 pontos necessários para chegar à vitória… o que acabou por ser “menos mau” no final das contas. Ben Te’o é um centro de físico e não de garantia de ganhos de metros ou quebras-de-linha, Slade precisa de mais consistência e Elliot Daly tem de confiar mais nos seus parceiros das pontas.

No fim… um empate, que até podia ter sido desfeito se Angus Gardener tivesse apitado uma suposta falta de Owen Farrell no contacto. A discussão em redor à abordagem do abertura a André Esterhuizen é discutível, mas a argumentação da equipa da arbitragem e TMO foi que o inglês tentou colocar o braço esquerdo no momento que dá o impacto com o ombro no peito do centro sul-africano (a regra de placagem ilegal continua a ser acima da linha dos ombros e não dos sovacos para cima). Aceitável portanto, para gáudio de Eddie Jones e desalento de Rassie Erasmus.

EXCELENTE: GATLAND DEIXA UM SÉRIO AVISO PARA TOWNSEND

O País de Gales voltou a derrotar a Escócia (desde 2002 que não perde em Cardiff contra os escoceses) e Gatland explicou a Townsend o porquê de ainda estar uns “degraus” acima, especialmente na estratégia de timings e de controlo de posse de bola.

Os dados estatísticos finais parecem dar um domínio quase total à Escócia, no que toca a metros ganhos, território, posse de bola e número de “portagens” de bola: 420 para 294 metros conquistados, 60% de posse de bola para 40%, 64% território para 36% e 180 para 110 “portagens” de bola.

Perante estes dados como é que o País de Gales saiu do Millenium Stadium com um 21-10? Inteligência, frieza e excelência no controlo da bola. O País de Gales terminou com 100% de eficácia nos alinhamentos (15 em 15), formações-ordenadas (4 em 4), não fez mais que 5 erros com a oval em seu poder (a Escócia realizou uns 13 erros próprios), atingiu uma percentagem de 91 na placagem (171 confirmadas em 187) e 85% das faltas que realizaram (13 no total) foram feitas no meio-campo adversário. Ou seja, foi uma exibição “limpa” dos galeses, enquanto que a Escócia gaguejou sempre nos últimos 20 metros.

Ora tentavam colocar a bola na ponta após três ou quatro fases-rápidas e eram parados por uma defesa astuta e veloz (Dan Lydiate “só” fez 23 placagens sem falhar qualquer uma), ora apostavam em piques e piques até que conseguissem algum espaço de manobra para uma entrada fulminante… só que a avançada galesa foi exímia na defesa e impediu que acontecessem mais ensaios (tremendos na disputa no breakdown, com alguns “saques” no chão).

Gregor Townsend nunca conseguiu corrigir a equipa após o intervalo e os erros acumularam-se ao longo do restante tempo de jogo, completamente dominados pela defesa galesa e enganados por um ataque adversário eficiente e rápido.

Gatland voltou assim a ganhar o duelo e a sonegar a revolução do Thistle, num jogo em que Tipuric, Moriarty, North, Halfpenny, Jonathan Davies estiveram no seu melhor e deram o mote para a exibição de soberba qualidade galesa.

OS PRÉMIOS DA SEMANA 1

Melhor Ensaio: Jonathan Davies vs Escócia
Melhor Placador: Dan Lydiate (23 placagens, 100% de eficácia)
Melhor Jogador: Jordan Larmour (Irlanda – 3 ensaios, 1 assistência, 250 metros conquistados, 6 quebras-de-linha e 12 defesas batidos)
Melhor Marcador: Richie Mo’unga (23 pontos marcados – 1 ensaio, 1 penalidade e 7 conversões)
Melhor Estreante: George Bridge (Nova Zelândia – 2 ensaios e 1 assistência)
Melhor Jogo: Japão-Nova Zelândia

O jogador da semana, Jordan Larmour


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