Diário do Treinador – 5 propostas de Pedro Vital para o futuro do rugby

Fair PlayJaneiro 21, 20194min0

Diário do Treinador – 5 propostas de Pedro Vital para o futuro do rugby

Fair PlayJaneiro 21, 20194min0
O treinador do St. Julians e Jaguares Rugby apresenta 5 visões que tem para a oval portuguesa. Dar arbitragem aos modelos competitivos, qual é que é mais exequível?

No Artigo deste mês do “Diário do Treinador” venho escrever sobre projectos, que enquanto treinadores, podemos desenvolver dentro dos nossos clubes para ajudar a desenvolver o Rugby em Portugal.

Venho-vos falar de um projecto que estou a tentar desenvolver e que está directamente ligado ao primeiro artigo que escrevi sobre a arbitragem. Tema que tem sido abordado ultimamente, depois da decisão da Comissão de Gestão da Federação Portuguesa de Rugby informar os clubes que a partir de 1 de Fevereiro do presente ano, serão os mesmos a assegurar a arbitragem nos escalões de Sub 16 (grupo A e B) e Sub 18 (grupo B).

Sempre fui da opinião que os Árbitros são fundamentais para o desenvolvimento da modalidade em Portugal. Quanto mais preventivos forem durante os jogos, mais os nossos atletas têm a possibilidade de jogar um jogo sem faltas e com menos paragens.

Contrariamente ao que ouvi e debati durante algum tempo, com vários intervenientes do Rugby, acho que o problema da arbitragem não está no facto de os clubes não “darem” pessoas para a Arbitragem, mas sim na falta de condições que existe hoje em dia, para uma desenvolvimento/aprendizagem continua. Tal como qualquer outro interveniente no Rugby: Treinadores, Jogadores, Fisioterapeutas, etc… os árbitros também deveriam ser obrigados a realizar um trabalho de aprendizagem durante a sua carreira.

Foi com esta perspectiva, que em Agosto de 2018 (no início da presente época), tive várias reuniões com o Presidente do St. Julian’s Rugby Club e com os responsáveis na altura da formação de jovens árbitros – Paulo Duarte e Afonso Nogueira. Com o intuito de criar uma “Academia de Arbitragem”.

O objectivo deste projecto era dar condições a Árbitros Federados e em Formação, para que pudessem desenvolver o seu trabalho de forma sustentada em 3 áreas: Análise de Vídeo, Desenvolvimento da Condição Física e Treino das suas competências.

Relativamente à Análise de Vídeo, os árbitros teriam uma sala com projector disponível, para os formadores conseguirem corrigir certos aspectos que entendessem.

Para Desenvolvimento da Condição Física, está criado uma estrutura de treino contínuo com os respectivos testes físicos, de modo a haver um seguimento da sua evolução. O clube disponibiliza tanto as instalações (ginásio e campo) como o preparador físico.

Já no ponto do Treino de Competências, foi apresentada a estratégia de os árbitros poderem trabalhar em grupos durante os treinos dos diversos escalões do St. julian’s e “JAGUAR’s” (ajustando os níveis de conhecimento dos árbitros aos escalões). O objectivo seria haver um maior número de feedbacks promovendo uma evolução mais sustentada.

Este projecto tem a parceria da Escolinha de Rugby da Galiza, assim como já foi falado com alguns responsáveis do Cascais. Por outras palavras, já temos pessoas interessadas em realizar esta formação contínua de Arbitragem. Vou continuar a tentar desenvolver o projecto, de modo a que seja mais um recurso sem custos para o nosso Rugby Português continuar a crescer. Numa fase posterior a perspectiva é alargar o mesmo curso para treinadores.

Resumindo, gostaria de sublinhar que os treinadores podem ter um papel muito importante, não só na formação de atletas, mas na criação de novos projectos. Eu irei continuar a lutar pela implementação deste projecto dentro do St. Julian’s, pois é fundamental que todos trabalhemos com o mesmo propósito – que os nossos atletas tenham as melhores condições possíveis para evoluir dentro da modalidade.

Sendo a arbitragem uma peça fundamental deste processo, pelos aspectos referidos e por serem responsáveis pela segurança dos atletas em campo (ex: só um árbitro com experiência é que consegue analisar de forma correcta o posicionamento dos jogadores nas Formações Ordenadas), temos de procurar soluções o mais rapidamente possível.

Se tenho a opinião que os Árbitros Federados deveriam de ter condições para desenvolverem o seu trabalho, fico preocupado com a possibilidade de no espaço de um mês se colocarem pessoas a arbitrar escalões de competição, onde possivelmente nunca tiveram contacto com a Arbitragem. E não tem a ver com resultados nem tendência pelo facto de o árbitro ser da “casa”, tem a ver com o facto destas pessoas influenciarem directamente na formação dos nossos jovens.

Se nós enquanto treinadores temos de ser licenciados e/ou ter cursos de treinadores, tendo de os renovar periodicamente, porque é que os restantes intervenientes não têm de o fazer?!


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