27 Mai, 2018

As Crónicas do Sr. Ribeiro – A Lei Experimental 16

Fair PlayDezembro 12, 20174min0

As Crónicas do Sr. Ribeiro – A Lei Experimental 16

Fair PlayDezembro 12, 20174min0
O rugby está sempre em constante mudança e o novo corpo de leis vem mudar a velocidade do jogo... conhece a Lei Experimental 16 com o Sr. Ribeiro

Meus senhores, não pode ficar um ruck sem levar uma mocada!

A Lei experimental sobre esta formação espontânea não vem ajudar instantaneamente o ataque, ao contrário do que a malta pensa. Pelo menos não em Portugal. Vem antes mostrar uma lacuna que a maior parte das equipas tem, o encadeamento do jogo após a placagem.

Agora é claro, um jogador sobre a bola – há ruck. Já não são precisos dois jogadores, um de cada equipa a disputar a bola, para ser criada a linha de fora de jogo.

Mais ainda, se juntarmos esta nova lei à, também experimental, 15.4 que obriga o placador a respeitar o portão da placagem, o ruck está quase sempre limpo, por definição.

Há uma placagem, o jogador placado tem de ser largado para poder disponibilizar a bola, o placador se a quiser disputar tem de sair do chão e ir até ao portão. Entretanto o apoio terá chegado, pelo que sobrarão dois jogadores na zona da placagem, um placado e o seu apoio que fará a limpeza da situação.

Ou seja, tudo correndo bem, os olhos estão sobre o jogador que está em pé.

A Lei 15.6, “Other players (a) After a tackle, all other players must be on their feet when they play the ball. Players are on their feet if no other part of their body is supported by the ground or players on the ground.”

Finalmente os árbitros, por causa desta lei, ganham mais sensibilidade para o sealing. Parece que, de uma vez por todas, vão acabar aquelas irritantíssimas pilhas de jogadores que fecham a bola, tornando impossível disputar um ruck, e que são a práctica comum nos campos deste país.

Deste modo, a frase com que começo o texto é agora mais verdade que nunca.

Não pode ficar um ruck sem levar uma mocada!

Depois de fazerem uma placagem, quando o ataque fechar o ruck, a defesa só tem uma coisa a fazer, ir lá dar uma mocada.

Disputar as formações espontâneas, neste momento, vai deixar claro se o jogador do ataque está a fazer falta, concedendo uma penalidade à defesa. Em alternativa, se o jogador estiver em pé, apenas com os dois apoios que a lei lhe permite, esta mocada irá sacudi-lo criando uma oportunidade de ouro para recuperação de bola.

A verdade é que há muitos anos, em quase todos os escalões, em quase todas as equipas, os jogadores são ensinados a fazer ponte/ túnel/ bridging, o que lhe quiserem chamar, descurando as mais básicas técnicas de limpeza de uma formação espontânea.

Também do ponto de vista táctico o rugby vai ter de mudar. Na impossibilidade de fechar um ruck, todos se tornam disputáveis, tornando mais urgente tirar a bola de lá, o que irá criar novas dinâmicas, novas velocidades de ataque.

Esta nova lei pode significar o segredo para países menos desenvolvidos na modalidade serem obrigados a jogar mais rápido.

A partir deste momento, não basta baixar a cabeça e avançar, é preciso cada jogador tomar uma decisão, ler a defesa, e actuar, tem de se escolher se protege a bola, se ataca uma ameaça, ou se tira a bola evitando um contra-ruck rápido que o desarme.

No fundo, é o fim do rugby dos quatro cantinhos. Acabou o correr até ao ruck e descansar.

Venham os offloads, os ataques de pick & go rápido (lembrem-se do nosso ensaio contra os All Blacks) venha o rugby espetáculo.

Às defesas, peço que tornem isto possível.

Peço então, não deixem um ruck sem levar uma mocada!

Para consultar todas as Leis Experimentais ou perceber melhor o “corpo” da Lei nº16 clique aqui.

Foto de Destaque de Rui Cardoso IP Thomar Rugby


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