Copa Ibérica 2026: bons sinais do masculino e feminino
Arranque do ano positivo para o rugby nacional, com o Belenenses Rugby a caputar a Copa Ibérica pela primeira vez desde 2023 nos masculinos, enquanto o Sport Rugby/CRAV tentou contornar o El Salvador no feminino, com o emblema espanhol a garantir no fim uma vitória por 51-12.
O El Salvador, que surpreendentemente se sagrou campeão na Division de Honor da temporada passada (o VRAC caiu de forma chocante ante o Cisneros, permitindo que a única equipa completamente amadora da principal divisão do rugby espanhola chegasse à final) e apresentou-se em Lisboa com uma Matheo Triki e Facundo Munilla são dois dos poucos internacionais espanhóis a jogar pelo El Salbador, não significando isto que o emblema espanhol não possuia, à partida para o encontro, uma equipa capaz de ganhar, muito pelo contrário. Contudo, o Belenenses Rugby mostrou o porquê de ser uma das melhores equipas de sempre dos últimos 60 anos, já que conquistou quatro títulos nacionais desde a temporada 2017/2018.
Nos últimos 10 anos, Portugal só tinha conquistado a Taça/Copa Ibérica por duas ocasiões com o GD Direito (2015/2016) e Belenenses (2022/2023) a conseguirem levantar um troféu que tem vindo a ser dominado pelas coortes espanholas desde meados dos 2010s.
João Mirra é um dos poucos treinadores a ter conquistado duas Taças Ibéricas, um marco formidável de um dos treinadores mais impactantes da história do rugby português de clubes e que demonstra a sua importância para o crescimento auspicioso do Belenenses Rugby desde que trabalha com as equipas séniores do emblema do Restelo. Este título é essencial para contrariar ligeiramente o ascendente espanhol dos últimos três anos, com este feito do Belenenses Rugby a merecer pleno destaque e aplauso pela importância que detém para o futuro da modalidade em Portugal.
Já em relação ao feminino, o Sport Rugby/CRAV mostrou valor e ambição ante a equipa feminina do El Salvador que estava bem apetrechada por atletas espanholas que actuaram no Mundial de Rugby 2025 como Bingbing Vergara, Tecla Masoko e Ines Antolinez. Apesar do resultado final parecer desnivelado, a verdade é que as campeãs nacionais em título lutaram a fundo para contrariar o poderio físico e técnico de um dos maiores emblemas femininos de Espanha, com Daniela Correia e companhia a terem feito suar as campeãs nacionais espanholas durante a primeira-parte.
Poderá parecer errado afirmar que é possível retirar ilações positivas desta derrota, contudo, a verdade é que o rugby feminino português necessita destes jogos para perceber em que ponto está e qual o caminho a tomar, ficando desde logo a ideia que resultados melhores poderão ser possíveis caso haja mais investimento e apoio.
Que a vitória do Belenenses Rugby e a boa exibição do Sport Rugby/CRAV sirvam de tónicos para o que vem aí, começando pelas meias-finais da Rugby Europe Super Cup.
Foto de destaque de Luís Cabelo Fotografia.



