CN1 2019/2020: 5 pormenores e curiosidades a descobrir!

Francisco IsaacFevereiro 9, 20207min0

CN1 2019/2020: 5 pormenores e curiosidades a descobrir!

Francisco IsaacFevereiro 9, 20207min0
Há dois sub-18 a dar cartas neste Campeonato Nacional 1 e um veterano com mais de 60 anos a jogar também, sabias? Descobre estas curiosidades desta 2ª divisão do rugby português

O Campeonato Nacional 1 2019/2020 tem tido vários jogos emotivos e com constantes trocas na classificação durante as suas primeiras 12 jornadas, oferecendo uma época entusiasmante aos adeptos que acompanham de perto esta divisão do rugby português.

Mas que histórias ou curiosidades há para saber das diferentes equipas que compõem este CN1? Apresentamos 5 pormenores e detalhes que valem a pena ficar a conhecer!

SANTARÉM, CASA DO MAIS ANTIGO JOGADOR PORTUGUÊS EM ACTIVIDADE

Miguel Zeferino, já ouviram falar? Uma das personalidades mais emblemáticas do rugby português tem alinhado pelo Rugby Clube de Santarém nas últimas décadas, clube pelo qual “começou” a sua viagem na modalidade. Com 55 anos nas pernas, Miguel Zeferino tem sido um verdadeiro “cavaleiro” representando o clube sempre com um sorriso estampado na cara  sem nunca olhar para a sua idade ou para o facto que 100% dos seus adversários têm pelo menos 25 anos de diferença para si – no mínimo -, onde a coragem, bravura e espírito positivo enchem os relvados.

Um primeira-linha no bilhete de identidade e um verdadeiro mito do rugby português que merece todo o destaque, elogios e honras, o pai de Francisco Silva (joga também no emblema escalabitano, estando a ser um dos melhores nesta temporada) mostra o porquê de ser visto como uma referência dentro e fora dos relvados. Já falámos anteriormente da importância da veterania neste Campeonato Nacional 1 com Luís Gaspar (Caldas RC), Rodrigo Aguiar (RC Santarém) a serem excelentes exemplos deste sector onde Miguel Zeferino é o “rei” máximo!

Miguel Zeferino (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

A COMPONENTE FAMILIAR NO CR ÉVORA

A família Leal da Costa tem estado em peso nas convocatórias do Clube de Rugby de Évora com os seis familiares a jogarem juntos no emblema eborense. José Leal da Costa é o mais conhecido de todos, uma vez que conquistou vários títulos ao serviço da AEIS Agronomia durante os quase 10 anos em que jogou pelo clube lisboeta para além de ter conseguido atingir o patamar de internacional português entre 2015 e 2018, sendo aquele pilar com um conhecimento total da formação-ordenada e uma mestria em trabalhar e ganhar metros no contacto seja no jogo ao largo ou no jogo curto.

Depois há Duarte Leal da Costa, um dos melhores centros do Campeonato Nacional 1 que tem marcado ensaios atrás de ensaios pelo seu clube de sempre, levando já seis ensaios na temporada actual, conhecido não só pela capacidade de aceleração quando vai captar a oval como pela facilidade em que transita linhas de corrida, sem perder a explosão e intensidade. Depois há Bernardo, Bernardo Maria, José Paulo, Vasco para completar esta sequência de 6 Leais da Costa que fazem parte da história de um dos clubes mais reconhecidos do Alentejo e Portugal.

OS ESTRANGEIROS QUE APIMENTAM A COMPETIÇÃO!

Ao contrário do que é vociferando por alguns adeptos do rugby português, a vinda de atletas de outras nacionalidades para as equipas séniores adiciona algumas componentes importantes para o desenvolvimento de melhores atletas ou, pelo menos, mais preparados para encaixar num jogo intenso e fisicamente dinâmico. O Campeonato Nacional 1 não foge à regra e na época actual apresenta alguns atletas estrangeiros que têm sido cabeças-de-cartaz como Thomas Goyochea (CR São Miguel), Oscar D’Amato (Caldas RC), Devon Larkan (RV Moita), Rafael Morales (RC Santarém), Robert Delai (CR São Miguel), entre outros. Olhamos especificamente para dois nomes que têm roubado as headlines nesta temporada: Oscar D’Amato e Robert Delai.

O centro argentino é um dos jogadores com maior repertório em termos de qualidades e técnicas, tendo substituído Tomás Lambolgia nos pontapés aos postes com excelência contando já 95 pontos no total (8 ensaios, 17 conversões e 7 penalidades) e tem sido um dos grandes nomes do Caldas Rugby Clube nesta temporada, seja pela forma como entra no contacto (acelera no momento certo conseguindo conquistar sempre metros ou uma quebra-de-linha) ou pela dureza na defesa.

Robert Delai é aquele primeira-linha dotado especialmente em três capítulos: fases-estáticas (um dos melhores scrummagers do rugby português), saída em pique (mesmo que vá alto ganha sempre uma boa dose de metros) e liderança. A forma como trintão fijiano fala e estimula os seus colegas do Clube de Rugby de São Miguel para não pararem de lutar a cada momento do jogo, de quererem atingir um nível superior e de superiorizarem independentemente do adversário que esteja à sua frente, afirmando-se como um dos homens-chave dos bulldogs.

Um dos vários ensaios de Oscar D’Amato

JOGAR E SER TREINADO PELO PAI… O EXEMPLO NO GUIMARÃES RUFC

André Soares é um dos atletas mais jovens a jogar pelo Guimarães Rugby Union Football Club, tendo chegado ao escalão sénior aos 17 anos de idade. Formado parcialmente no Braga Rugby, o centro foi subindo de escalão em escalão afirmando-se sempre pelos aspectos técnicos, como a troca de pés ou o excelente manuseamento da oval em seu poder, sem esquecer a leitura de jogo de enorme perspicácia, mostrando-se assim um jogador mais maduro do que aparenta.

Depois há que considerar a parte física, tanto a explosão desmedida quando recebe a oval em seu poder ou a agilidade de movimentos que pode garantir um desdobramento ameaçador para a equipa adversária. André Soares ocupa um lugar de importância na estratégia de jogo do Guimarães RUFC, alinhando ao lado de colegas de equipa de excelente qualidade como Samuel Lemos, Pedro Piairo, Manuel Machado ou Bruno Silva, e é um dos talentos de elevada categoria do rugby do norte de Portugal.

Já soma dois ensaios e quatro assistências na actual temporada e a par de Martim Faro (internacional português do escalão sub-18 que tem sido um dos responsáveis pela melhoria de forma do RC Santarém) é um dos sub-18 em grande forma neste Campeonato Nacional 1.

Um dos ensaios de André Soares nesta temporada (minuto 02:08)

QUE POSIÇÃO LEVA MAIS ENSAIOS?

Olhando para os dados estatísticos neste Campeonato Nacional 1 há duas posições que naturalmente se destacam como as maiores pontuadoras: centro e número 8. Não podendo dar um número certo, cada posição tem aproximadamente de 55 e 58, respectivamente. Veja-se que na posição de terceira-linha centro habitam nomes como Sabata Mokhachane (5), António Fonseca (8), Luis Ferreira (7), Pedro Piairo (4), Filipe Gil (o “pelicano” é para já o melhor marcador, com cerca de 14), Manuel Campilho (3), entre outros que têm sido assim referência nas equipas a nível do ataque e não só.

Já nos centros, e como são dois, é mais fácil atingir um número alargado de ensaios e os senhores responsáveis pelas quase seis dezenas de toques meta são várias, mas destacamos Oscar D’Amato (Caldas RC – 8), Manuel Dentinho (RC Santarém – 4), Miguel Heleno (MRC Bairrada – 4), Samuel Lemos (já transitou de 2º centro para ponta nesta temporada e conferimos os ensaios dependendo em que posição actuou), Paulo Machado (Guimarães RUFC – 5), Tomás Cardoso (CR São Miguel – 4), Tomás Jacinto (4), Tiago Rocha e Mello (CR São Miguel – 4) ou Duarte Leal da Costa (CR Évora – 6). Ou seja, há uma necessidade de procurar ganhar metros, quebras-de-linha e de se aproximar à linha de ensaio quer pelos 3ªs linhas centro ou pelo par de centros, um factor dominante neste Campeonato Nacional 1.

Contudo, há que ter atenção a uma posição que tem sido uma das pedras-basilares de algumas formações neste Campeonato Nacional 1: defesa. André Lemos do CR São Miguel já leva 9 ensaios e 135 pontos no total, Francisco M. Borges soma 8 toques de meta e 121 pontos, Diogo Vasconcelos com 7 ensaios e Henrique Monsanto com 3 ensaios e 92 pontos. Serão os nº15 os mestres por detrás do funcionamento das suas equipas?

O Poker de Filipe Gil no jogo contra o Braga Rugby


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