Wallabies superam no meio do caos – Ronda 2 Rugby Championship 2019

Francisco IsaacJulho 28, 20196min0

Wallabies superam no meio do caos – Ronda 2 Rugby Championship 2019

Francisco IsaacJulho 28, 20196min0
Enquanto que All Blacks e Springboks dividiram os pontos a "meias", os Wallabies finalmente voltaram a ganhar para o Rugby Championship frente à Argentina. Quem foram os melhores e os piores da jornada?

PORQUÊ O TÃO MAU TRATO DADO À OVAL, ALL BLACKS, WALLABIES E PUMAS?

Foi uma 2ª jornada intensa, mas no geral mal jogada em termos de qualidade de jogo atacante registando-se consecutivos erros tanto no passar a bola como segurá-la no contacto, algo que tirou alguma “magia” tanto ao encontro entre All Blacks e Springboks e Wallabies frente aos Pumas.

Os Pumas acabaram no 1º lugar do conjunto com mais perdas de bola com cerca de 30, enquanto que Wallabies ficaram-se pelas 24 e All Blacks 19, num sinal claro de que existiu pouca qualidade ofensiva no geral.

Em dois jogos tivemos “só” direito a quatro ensaios, um número bem reduzido para o Rugby Championship, mostrando o que significa realmente jogar em ano de Mundial… mas há explicações ou razões para o registo de quase 85 perdas de bola? Possivelmente encontramos três argumentos que podem ajudar a explicar parcialmente o problema, mas que não anulam a pergunta. São eles: experiências nas combinações; defesa inteligente; nervosismo na condução de jogo.

Os All Blacks que testaram colocar em campo Richie Mo’unga e Beauden Barrett procuraram desta forma novas vias de forçar erros do bloco defensivo adversário, assumindo aquilo que poderia ser um jogo consecutivamente mais rápido, incisivo e ameaçador, operando com dois manobradores de bola de excelência, oferecendo a Goodhue, Ben Smith, Rieko Ioane outro espaço para terem a oval nas mãos.

Em teoria a estratégia era bem estruturada, mas na prática deram-se constantes erros que permitiram à África do Sul dominar a posse de bola nos primeiros 40 minutos. Demasiadas combinações condenadas desde o primeiro momento, passes mal medidos em termos de timing e a falta do “verdadeiro” Sonny Bill Williams a explorar o jogo interior e o offload (o centro ficou muito preso às funções de um centro de primeiro embate) foram desgastando os neozelandeses que pareceram não estar com a cabeça no jogo durante um período largo de tempo.

O mesmo aconteceu aos Pumas, que entre os vários erros “praticados” deixaram escapar dois ensaios a centímetros da área de validação da Austrália, o que no final das contas foi letal e ofereceu uma espécie de redenção para Michael Cheika e os seus Wallabies. A Argentina conseguiu montar boas investidas em contra-ataque, apresentou uma defesa fisicamente mais poderosa que o adversário e mostrou-se mais disponível para se sacrificar quando era essencial… contudo, Nicolas Sanchez esteve demasiado a leste do encontro, não dando os elementos necessários que os argentinos precisavam em termos de comando e no pautar da estratégia no ataque, para além de que Joaquin Tuculet foi uma unidade a menos, não conseguindo nunca se envolver como era necessário.

Os 30 erros de handling têm de ser vistos como preocupantes para a Argentina, uma selecção que apresentou sinais de cansaço e de não conseguir manter a mesma capacidade física durante todo o jogo, quebrando animicamente a partir dos 65, altura em que se registaram 15 avants ou passes perdidos. Esperava-se mais e melhor do conjunto dos Pumas, que acabaram por se deixar levar para um jogo caótico e ilegível, o que favoreceu a Austrália.

A África do Sul foi a selecção que menos erros produziu, com apenas 13 erros, mas raramente foi capaz de dar forma e conteúdo ao controlo de bola, apesar de um jogo de excelência de Handré Pollard e Willie Le Roux. Faltou um Faf de Klerk mais dinâmico, com capacidade de meter os avançados numa rotação mais elevada, o que forçaria os All Blacks a ocuparem o terreno de outra forma.

Foram jogos claramente pré-Mundial, com várias experiências, combinações e estratégias de jogo para conseguir surpreenderem os adversários quando chegar a prova que importa em 2019.

UM REGRESSO EM GRANDE DE CHRISTIAN LEALIIFANO AOS WALLABIES

A Austrália conseguiu finalmente regressar às vitórias no Rugby Championship e houve um detalhe que não escapou a ninguém: Christian Lealiifano voltou a jogar pela sua selecção depois de ter ganho a batalha contra a Leucemia. O médio-de-abertura contraiu a doença em 2016 e entre a possibilidade de se retirar, a recuperação e o regresso ao rugby, foi capaz de conquistar a atenção dos seleccionadores australianos para voltar a ser chamado aos Wallabies.

Depois de uma época de sonho ao serviço dos Brumbies, o nº10 calçou assim as botas pela Austrália e por coincidência (ou não) foi precisamente no jogo de retorno às vitórias dos vice-campeões mundiais de 2015. Lealiifano não deslumbrou, não foi um dez com toques de “magia” como Quade Cooper nem a cultura defensiva de Bernard Foley, mas conseguiu ser consistente durante todo o encontro, dando uma ajuda constante à equipa, com apontamentos cirúrgicos que foram dando a força-extra necessária para os Wallabies não perderem pulso ao jogo.

Na jogada do ensaio de Reece Hodge, é precisamente Lealiifano a produzir o primeiro elemento essencial, com um delay e uma finta de passe inteligente que “agarrou” três argentinos a si (ou à zona do abertura) para depois soltar a oval para Marika Koroibete (o ponta fez uma linha de corrida espectacular, especialmente sem bola, trocando a volta ao seu marcador directo) para se seguir uma galopada até à área de validação, com o ensaio a ficar nas mãos de Hodge.

No jogo ao pé foi empurrando a Argentina para trás, conseguindo dar a Beale, Koroibete e Hodge o tempo suficiente para disputarem os pontapés altos, apresentando a tal consistência que Michael Cheika vinha pedindo a Bernard Foley. Acabou como o jogador com mais pontos marcados neste encontro (11), numa das histórias mais brilhantes de recuperação e redenção do rugby mundial!

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Christian Lealiifano (Austrália) e Handré Pollard (África do Sul) – 11 pontos (3 penalidades e 1 conversão – 80% eficácia)
Melhor Placador: Matt Todd (Nova Zelândia) – 17 placagens (100% eficácia) e 3 turnovers;
Melhor Marcador de Ensaios: Vários (todos com 1);
Melhor Marcador de Pontos: Handré Pollard (África do Sul) e Christian Lealiifano (Austrália) – 11 pontos
O Rei das Quebras-de-Linha: Samu Kerevi (Austrália) – 4
O Jogador-Segredo: Nada a apontar
Lesionado preocupante: Broadie Retallick – 4 semanas (mínimo);
Melhor Ensaio: Jack Goodhue (Nova Zelândia) vs África do Sul: turnover, bola rápida à ponta e aceleração dos 40 metros até à área de ensaio


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