O “Breakdown” do CN1: Montemor entrou com o pé direito em 2019

Francisco IsaacJaneiro 16, 20198min0

O “Breakdown” do CN1: Montemor entrou com o pé direito em 2019

Francisco IsaacJaneiro 16, 20198min0
O Top-4 do CN1 entraram em grande com vitórias, todas elas bonificadas, com destaque para uma excelente 2ª parte do Montemor! A Análise da Jornada do CN1 com vídeos

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

AVANÇADA MOUFLON CASTIGA APATIA BULLDOGUE

Depois de uma derrota desanimadora frente ao RC Lousã na última jornada, o RC Montemor necessitava de voltar ao seu melhor no regresso a jogos de campeonato, quase um mês depois desse fatídico resultado frente aos actuais líderes da tabela. Na visita ao campo do CR São Miguel, os alentejanos só tinham um objectivo: ganhar.

Ao fim de 80 minutos conseguiram atingir esse objectivo, apesar de terem chegado ao fim da 1ª parte empatados a 5 pontos para depois conseguirem marcar 34 pontos na segunda metade do encontro. A que se deveu esta diferença no placard entre “partes” no encontro? O São Miguel respondeu sempre melhor na 1ª parte, com uma defesa mais dinâmica e agressiva apostada em não dar espaço à avançada adversária.

Por outro lado, os 8 avançados dos mouflons estiveram alguns furos abaixo nos primeiros 40 minutos no que toca ao domínio nas fases-estáticas, consentindo vários erros tanto no alinhamento (duas bolas perdidas) e sem poder na formação-ordenada. Mesmo as boas intervenções de Luan Almeida, José Roque, Diogo Porto (estes dois aceleraram o jogo como ninguém) e Thankgod Okafor, os visitantes não foram além de um ensaio feito à ponta.

O São Miguel mostrou-se minimamente confiante no jogo à mão, com algumas boas movimentações a partir da formação-ordenada, destacando Simão Oliveira na “montagem” e Miguel Martins no aproveitamento do espaço para acelerar e conquistar metros. Para além destas movimentações, a equipa da casa “viveu” dos pequenos erros dos seus adversários, um dos quais deu ensaio a Diogo Pina (recuperação de bola após um avant, aceleração e o centro a fazer um grubber para as costas da defesa, captando-a logo depois).

Contudo, na 2ª parte tudo mudou… o São Miguel baixou a intensidade na defesa e o Montemor carregou no poderio físico e técnico da sua avançada, forçando erros atrás de erros à equipa da casa. José Roque, José Luís Castro e Luan Almeida foram imperiais no trabalho no contacto, Ricardo Romeiras rápido no passe e na leitura do ataque, dando-se os ensaios suficientes para a vitória.

No final do jogo a vitória por 39-12 foi inteiramente bem entregue à equipa que melhor trabalhou, apesar do resultado ser algo exagerado nos números finais. Manuel Nunes, asa internacional sub-20, falou com o Fair Play no pós-jogo

Depois de um final de 2018 nada positivo, uma boa vitória no regresso aos jogos. Correu como esperavam?

1. Era nossa intenção começar o ano com uma vitória não podendo apagar o que de menos bom acontecera no final de 2018 mas muito focados em trabalhar e consolidar o nosso jogo para que não haja mais surpresas e consigamos ultrapassar os desafios à partida mais complicados. A vitória e o ponto bónus era realmente o objetivo é foi alcançado apesar da exibição ter ficado muito aquém daquilo que a equipa tem potencial para o fazer.

A 3ª linha do Montemor fez a diferença contra o São Miguel. foi por aí que passou a vitória?? E achaste difícil e bem jogado?

Uma primeira parte bastante equilibrada com algum ritmo o que demonstra isso é que só desencadeamos o jogo na segunda parte e aí superiorizarmos-nos um pouco mais. A meu ver este domínio Talvez oriundo ou mais destacado na terceira linha e restante pack avançado que depois acaba por contagiar as linhas atrasadas. Um jogo com grandes momentos de rugby de ambas as partes, emoção, risco que fez a tarde aos espectadores.

ENCARNADOS REFORÇADOS GARANTEM 5 PONTOS EM GUIMARÃES

O Natal foi proveitoso para o Sport Lisboa e Benfica que recebeu como prenda a inclusão de Frederico Melim, atleta que até Dezembro serviu o RV Moita. O asa juntou-se ao irmão, Vasco Melim, que apesar de estar junto dos encarnados desde Setembro, só nesta jornada se estreou ao serviço do emblema treinado por Francisco Aguiar e Carlos Castro dando ainda melhores armas a uma avançada que tem dominado em vários jogos.

Na visita ao campo do Guimarães, foi precisamente a 3ª linha a dominar os processos de avanço de terreno do SL Benfica, com o destaque para o kiwi Matt Ritani. O nº8 voltou a ser um dínamo, movendo-se com facilidade na defesa contrária, produzindo alguns dos melhores pormenores durante o jogo, com um ensaio quase praticamente da sua área de validação até à dos vimaranenses.

O Benfica foi sempre fisicamente mais “fresco” e capaz, o que garantiu tomar controlo do domínio do território na 2ª parte, sendo que nos primeiros 40 minutos assistiu-se a algum equilíbrio (o resultado ao intervalo era de 14-12 a favor das “águias”). Mas numa tarde onde o brilhantismo de Rui Santos foi evidente (duas assistências para ensaio e ainda mais dois lances que estiveram directamente ligados a mais dois toques na área de validação) foi fundamental para a vitória por 36-17.

O Guimarães foi equipa durante a primeira parte, agressivo na placagem e bastante bem na reacção ao breakdown, onde caçaram ainda algumas faltas… contudo, foram notórias algumas más abordagens na placagem, uma da quais a Matt Ritani. De pouco valeu a excelente condução de jogo de Bruno da Silva, um dos melhores formações deste campeonato.

A segunda parte, como dissemos, foi de uma só direcção com o SL Benfica a subir parada em termos não só físicos mas também técnicos, com uma série de offloadsgrubers e outros pormenores de qualidade que tornaram o ataque encarnado mais dominante.

O resultado de 36-17 foi o esperado, com os encarnados mais entrosados como equipa e com os olhos postos no 2º lugar ocupado pelo RC Montemor.

A LEI DO PONTAPÉ DE MURTEIRA PARA ULTRAPASSAR SCALABIS

A exemplo do que foi o Montemor em Lisboa, o Clube de Rugby de Évora sofreu as mesmas dificuldades na primeira parte para depois dar a volta e garantir uma vitória por 34-16 ante os “cavaleiros” do RC Santarém, que teve em Rafael Morales um dos catalisadores de jogo.

O abertura internacional pelo Brasil foi categórico no jogo ao pé, seja aos postes (acertou três em quatro oportunidades) ou no jogo corrido, criando sérios problemas ao Évora a nível de recuperação de bola. Valeu Manuel Murteira que esteve também imperial nos pontapés, conseguindo encontrar boas soluções no meter a oval nas costas da defesa da equipa da casa.

Por outro lado, o CR Évora foi dominador nos avançados nas fases estáticas mas notou-se alguma “lentidão” nos processos e nas movimentações, o que impedia um jogo mais rápido e elástico por parte das linhas atrasadas do Évora. Só nos últimos 25 minutos é que houve uma mudança de postura, com António Fonseca e João Garcia a “sacudirem” a defesa do Santarém para saírem directos até à área de ensaio.

Com a colocação de uma maior pressão no ataque do Santarém, o Évora foi provocando erros do adversário no chão, recuperando a oval e optando por ir ao alinhamento ou prender a bola na formação-ordenada tirando a possibilidade dos “cavaleiros” fomentarem uma reviravolta no marcador.

Apesar das dificuldades sentidas na primeira-parte, o CR Évora acabou por ser a equipa mais competente, explorando bem as falhas do Santarém, ao jeito do que já tinham feito em outros encontros. Os 5 pontos conquistados (34-16) foram merecidos e permitem ficar colado ao SL Benfica no 3º lugar (dividido por 1 ponto).

CRAV REGRESSA ÀS VITÓRIAS E LOUSÃ TRUCIDA MOITENSES

O CRAV fez a surpresa da jornada ao ir até ao campo do Caldas RC e conseguir uma vitória importante para fugir aos últimos lugares da classificação. Um jogo de elevado nível físico conferiu os 4 pontos de vitória aos arcuenses que tiveram em Luís Salvado um dos “mestres” da vitória, para além de Viriato Teixeira ter continuado a “mandar” na avançada… o 22-19 tira a possibilidade dos “pelicanos” ultrapassarem o São Miguel na classificação.

E a Lousã derrotou o RV Moita por 84-10, num jogo com pouca história para além dos contínuos ensaios dos actuais primeiros classificados do CN 1ª Divisão. Os moitenses continuam à frente do Guimarães RUFC, mas a saída de alguns dos seus melhores jogadores podem vir a criar vários problemas no futuro próximo.

Foto de Destaque de Miguel Rodrigues Fotografia


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