O “Breakdown” do CN1: Guimarães foge ao último lugar!

Francisco IsaacJaneiro 29, 20199min0

O “Breakdown” do CN1: Guimarães foge ao último lugar!

Francisco IsaacJaneiro 29, 20199min0
Ao fim de 12 jogos, o Guimarães RUFC conquistou a sua primeira vitória que lhes permite fugir ao último lugar, apesar de ter os mesmos pontos que o RV Moita. Acompanha o CN1 no Fair Play!

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

FINALMENTE HOUVE SORRISOS EM GUIMARÃES!

Depois de 12 derrotas consecutivas, o Guimarães RUFC conquistou a sua primeira vitória no CN 1ª Divisão e logo de uma maneira “louca”, pois tudo terminou precisamente com um ensaio dos vimaranenses. O sofrimento e sufoco que se sentia desde o início da época foi posto fim então com uma vitória por 31-24 frente ao RC Santarém, que deixou fugir o empate nesse momento. Mas bem, que tipo de jogo foi visto em terras vimaranenses?

Ambas as formações efectuaram demasiadas (excessivas) faltas principalmente na disputa dos rucks ou na subida das linhas de defesa, notando-se algum nervosismo a mais que criavam sérios problemas na saída de bola rápida do chão. Perante esta taxa alta de penalidades, os chutadores do Guimarães RUFC ou do RC Santarém assumiram o palanque e foram adicionando ao pé pontos importantes.

O Santarém enquanto teve “pulmão”, ou seja, mais capacidade física de aguentar com os ritmos de jogo, dificultou a vida ao Guimarães ao ponto de estarem na frente do resultado por uma boa vantagem de 13 pontos. Infelizmente para os “cavaliros”, os erros defensivos, a alguma inexperiência da avançada e as faltas no chão deram alento ao Guimarães que na primeira parte ainda reduziram para uma desvantagem de 3 pontos.

Ou seja, jogo muito dividido, em que a ligeira ascensão do Santarém advinha da paciência do seu número 10, Rafael Morales, pautando bem as linhas de ataque e pedindo sempre que possível para ir aos postes. Os escalabitanos foram jogando bem nessa toada até aos 66 minutos, altura em que perderam o controlo do território e convidaram a equipa adversária a agigantar-se ao ponto que viraram um resultado de 16-24 para um 31-24.

O GRUFC não é uma equipa que joga peculiarmente bem, nem tem várias individualidades de alta classe, mas o colectivo tem um capricho por criar problemas quando acredita nas suas faculdades especialmente em jogo rápido e aberto. Se o último ensaio no último segundo de jogo de Samuel Lemos é um daqueles que fica para a história por toda a técnica e emoção envolvida, há que notar o penúltimo de Paulo Silva.

Alinhamento, maul dinâmico e uma saída rápida para atirar um passe tenso e curto para o centro que veio embalado directo à área de ensaio. O Guimarães foi mais competente na parte física, soube contornar a boa defesa escalabitana e somou os pontos necessários para a vitória. Avançados duros e trabalhadores e 3/4’s competentes e ágeis, é este o adn da formação vimarense.

Samuel Lemos, o autor do ensaio da vitória, falou sobre a importância da vitória e do futuro que se segue para os vimaranenses!

Vitória nos últimos minutos de jogo… Como foi o momento em que conseguiste ajudar o Guimarães conquistar a 1a vitória este ano?

SL. No momento antes de a jogada começar só pensava no quão era importante a vitória para a equipa. A bola foi jogada até as minhas mãos, furei a linha defensiva da equipa adversária e só parei na linha de ensaio. Senti desde logo uma enorme ansiedade pois estávamos prestes a conquistar a primeira vitória do campeonato

Pensam que esta pode ser a 1ª vitórias de algumas deste CN1 18/19? O que faltou até aqui para vos correr melhor?

SL. Sim claro. Esta vitória só ajudou a subir a moral da equipa para trabalharmos muito durante as próximas semanas até conseguirmos vencer os jogos que aí vem. Sem duvida que senti a equipa mais unida do que nunca e com garra para encarar o adversário, suar a camisola e chegar ao fim do jogo com o objetivo cumprido porque era essa mística que faltava que só quem é do Guimaraes rugby sabe o que é vestir esta camisola e entrar em campo com ela.

EBORENSES À PROVA DE BULLDOGUES E COM O 3º LUGAR (COMPLETAMENTE) RECUPERADO!

O CR Évora está em alta e que o diga a avançada dos eborenses, que conquistaram todas as suas formações-ordenadas e alinhamentos, para além de terem “roubado” quatro alinhamentos e duas FO aos seus adversários. Um jogo de perfeição nas fases estáticas foi a pedra basilar para a vitória ante uma equipa pouco esclarecida no ataque do CR São Miguel, que defendeu melhor do que atacou.

As grandes oportunidades de ensaio pertenceram na sua larga maioria ao Évora, sob o fio condutor dos 8 avançados, em que se destacou Frederico Couto na conquista de metros e na recuperação de bolas no breakdown, que foram permitindo rápidas acções de contra-ataque. Infelizmente para o CR Évora várias situações de ataque terminaram em avants, com particular destaque para alguma confusão na combinação entre os centros.

A ligação entre José Luís Cabral e Duarte Leal da Costa raramente resultou, mas esse pormenor só perturbou o Évora nos primeiros vinte minutos, altura em que os visitantes tomaram controlo da posse de bola, operando com bastante agressividade na conquista de território. O ensaio madrugador do São Miguel só foi um pormenor, numa primeira-parte em que o Évora viria a marcar três ensaios, em que se destacou Manuel Murteira e Miguel Valente nas linhas atrasadas.

Essencialmente quem ditou os ritmos de jogo foram os tais avançados do Évora, que foram sempre excelentes nos mauls dinâmicos e bastante ágeis e inteligentes na saída das mini-unidades de ataque. O trabalho exemplar no contacto produziu as oportunidades necessárias para que a avançada alentejana somasse o ponto de bónus ofensivo, mostrando-se extremamente duros na placagem, o que criou um certo pânico na equipa da casa, entregando o controlo da posse de bola de forma demasiado fácil.

A vitória por 27-12 para os actuais 3ºs classificados foi um resultado adequado, que tiveram algumas facilidades em certas áreas que o São Miguel tinha melhorado nas últimas semanas. Segue-se para os bulldogues de Alvalade a estreia oficial do seu novo recinto de jogo para dia 2 de Fevereiro na recepção ao SL Benfica.

O CR Évora mostra-se cada vez mais agressivo na luta pelos primeiros lugares e a harmonia entre o bloco de avançados e 3/4’s poderá continuar a fazer diferença até ao final da fase regular.

LOUSÃ A 14 AGUENTOU OFENSIVA (INCERTA) ENCARNADA

O Sport Lisboa e Benfica teve em mãos uma oportunidade de ouro para conquistar preciosos pontos ao CR Évora, mas uma segunda parte desinspirada e sem a qualidade suficiente nas linhas atrasadas (e também sem a raça e agressividade da 3ª linha) acabou numa derrota por 13-20 ante o ainda 1º classificado do CN 1ª Divisão., o RC Lousã.

Encontro especialmente jogado no contacto curto, onde se assistiu a um compromisso defensivo de qualidade de ambas as equipas, mostrando-se bem duros e efectivos na placagem, na reacção ao jogo rápido e na disputa do breakdown, algo que foi alimentado o jogo nas bancadas.

Contudo, a fisicalidade acabou por “roubar” tempo de antena aos brilhantismos de Rui Santos ou Francisco Bessa como de Vance Elliot (talonador que podia perfeitamente jogar na posição de nº8), que tiveram bem menos espaço para manobrar a oval. O centro ex-Académica de Coimbra foi dos mais inconformados das “águias”, sendo notório a sua progressão com a bola em sua posse.

Porém, a avançada encarnada não conseguiu vergar os seus adversários, caindo até numa apatia estranha na 2ª parte, altura em que jogavam contra menos um… a falta de soluções nas unidades de ataque e a parca velocidade de explosão disposta no contacto galvanizaram a Lousã que com um jogo mais pausado foram à procura dos (poucos) pontos para sair com a vitória.

Faltou mais capacidade de rasgo aos encarnados, que deixam o Évora ficar no 3º lugar com uma vantagem de quatro pontos. A Lousã fez uma exibição melhor comparativamente à jornada anterior, mas mesmo assim deixou a desejar no que toca à velocidade (que falta faz Luca Merolle) e imaginação no ataque.

JOGO QUENTE EM ARCOS DE VALDEVEZ E “ATROPELAMENTO” NAS CALDAS DA RAINHA

Arcuenses e mouflons foram bem para lá dos 80 minutos para decidir quem saía com a vitória, que acabou por sorrir aos visitantes por 27-24. Um aperto para o Montemor que teve de sofrer e aguentar com a garra do CRAV, que ainda acreditaram numa possível reviravolta, algo inesperada para as contas do CN1. A vitória permite ao Montemor manter-se a um ponto do RC Lousã, com a equipa de Arcos de Valdevez a aproximar-se do Santarém na classificação graças ao ponto de bónus defensivo.

Por fim, a equipa do Caldas RC fez uma exibição de gala frente ao Rugby Vila da Moita, que está em situação perigosa em termos da luta pela manutenção… um 92-06 demonstrou o total desnível entre estas duas formações que estão com sortes diferentes no CN 1ªDivisão, já que os “pelicanos” estão perto do 5º lugar do CR São Miguel, enquanto o RV Moita agora “afundado” no último lugar.

Foto: FPR

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