O “Breakdown” do CN1 – Ensaio de último suspiro dá Top-3 às Águias

Francisco IsaacDezembro 18, 20189min0

O “Breakdown” do CN1 – Ensaio de último suspiro dá Top-3 às Águias

Francisco IsaacDezembro 18, 20189min0
A 1ª volta do CN1 ficou completa com um jogo alucinante entre SL Benfica e CR Évora. RC Montemor deixou fugir ainda mais o 1º lugar. Os destaques e momentos da 9ª jornada!

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

ENCONTRO TITÂNICO TERMINA A FAVOR DOS ENCARNADOS

Foram precisos quase 85 minutos de jogo para encontrar um vencedor, com o SL Benfica a resgatar a vitória nos últimos 5 minutos, com ensaios de Afonso Boavida e Felipe Rosa, no que foi uma desfeita para o CR Évora que fez de tudo para sair do INATEL com os 4 pontos.

Foi sem dúvida alguma um dos melhores jogos deste Campeonato Nacional 1ª Divisão 2018/2019, muito pela intensidade e ritmo alto introduzido por ambas as equipas, procurando formas e ideias para chegar às áreas de validação. O Benfica foi sempre mais agressivo na pressão defensiva, muito incentivada pela voz de comando e incentivo de Diogo Conceição, uma das figuras destas “águias”.

Para além do mais, a nível de individualidades a equipa da casa saiu sempre por cima, com Matt Ritani a ser um autêntico desbloqueador de penetrações da linha-de-defesa (passou a linha-de-vantagem por 12 ocasiões) e Felipe Rosa e Jorge Bento a serem bem “agressivos” no contacto. Foi mesmo o 2ª linha carinho a dar o ensaio da vitória, com uma entrada a matar perante alguma apatia na placagem por parte dos eborenses.

Os comandados de Miguel Avó foram excelentes nas fases estáticas e no trabalho de avançados, com os três ensaios a pertencerem ao bloco de 8: o 1º por um maul dinâmico espontâneo (António Fonseca ficou com o direito de marcar); o 2º por Frederico Couto, depois da formação-ordenada ter arrastado o SL Benfica para dentro da área de ensaio; e finalmente num maul dinâmico a partir de alinhamento, para António Fonseca fechar o seu 8º ensaio da época.

Contudo, o trabalho minucioso dos avançados do Évora não foi suficiente no final de contas, apresentando alguns erros das linhas-atrasadas que tiraram aquela velocidade de jogo própria desta equipa. As difíceis condições meteorológicas e a lesão de Diogo Appleton (o Fair Play deseja as melhoras ao formação) foram elementos limitadores para a “magia” eborense.

O tal ensaio de Rosa fechou o jogo num 32-27… impróprio para cardíacos diriam alguns. As duas formações ficam separadas por apenas um ponto e qualquer deslize será aproveitado quando os jogos recomeçarem em Janeiro 2019.

Em nota especial, dar os parabéns pela arbitragem justa e de excelente qualidade por parte de Gonçalo Prazeres, jogador da AEIS Agronomia que se disponibilizou para arbitrar o jogo na ausência do juiz de jogo oficial. Não focando na inexplicável falta de um árbitro reconhecido pela Federação Portuguesa de Rugby e Comissão de Arbitragem, de valorizar a coragem, capacidade de explicar bem as faltas e de trabalhar com os jogadores por parte do formação internacional sub-20.

O Fair Play entrevistou Miguel Avó, treinador do CR Évora no pós-jogo,

O Évora perdeu uma boa oportunidade para se isolar no 3º lugar e se aproximar do Montemor. Mas gostaste da entrega e da qualidade de jogo? Onde é que podiam ter estado melhores?

MA. Foi sem duvida uma oportunidade que não aproveitámos! Não aproveitámos porque não conseguimos ser 100% competentes, cometemos alguns erros, principalmente na 1.ª parte, permitindo que o adversário, mesmo sem ter feito grande coisa se adiantasse no marcador, aproveitando bem os nossos erros (1 ensaio convertido e duas penalidades).

Considero que esses 13 pontos que sofremos tiveram muita influência no resultado final, pois se nesse período não tivéssemos facilitado, o adversário dificilmente iria em vantagem para o intervalo! Os jogadores entregaram-se e lutaram para sair do Inatel com a vitória, pois era esse o nosso objetivo que vimos fugir nos últimos instantes! O desporto é assim. Seguimos o nosso caminho! E acredito num 2019 melhor que 2018!

Foi um jogo sem casos de arbitragem, porque não houve arbitragem oficial. Esperavam por esta situação? Houve um espírito de fairplay dos dois clubes para arranjar uma solução?

Não esperávamos por esta situação, aliás tinha conhecimento desde 5.ª feira que havia árbitro nomeado! É uma situação que infelizmente acontece e provavelmente irá voltar a acontecer! Bem sei que somos amadores, mas se não há competência de quem dirige ou delega é provável que estas situações ou outras possam acontecer!

As equipas tiveram impecáveis! O Rugby é uma modalidade com valores especiais, basta colocá-los em prática e acreditar nesses mesmos valores! As equipas técnicas e direção tiveram de acordo em relação à solução encontrada (Gonçalo Prazeres). Não queria deixar passar a oportunidade de agradecer ao Gonças, de enaltecer a tua atitude, revela muito carácter!

BULLDOGUES VINGAM-SE DA FINAL DA ÉPOCA PASSADA

Ao fim 7 meses, CR São Miguel e CRAV voltaram a encontrar-se em jogos do CN1 e desta vez a vitória sorriu (justamente) à formação lisboeta, que realizou um jogo de qualidade apesar de alguns sobressaltos durante os 80 minutos de jogo.

Arcuenses apresentaram-se em Lisboa fiéis ao seu estilo de rugby, entre a fisicalidade na defesa e a inteligência de aproveitar os erros do adversário para partir para um contra-ataque dinâmico. Contudo, e ao contrário do que foi o CRAV de 2017/2018, não se viu a mesma capacidade de gerir a oval a seu belo-prazer, expelindo-a ao pontapé e oferecendo aos seus adversários boas linhas de ataque para ir ao ensaio.

Por sua vez, a equipa da casa foi bem mais dinâmica nos processos ofensivos, apostada em acelerar no contacto com Leandro Nunes, Gonçalo Melo, Diogo Pina a ganharem consideráveis metros na linha-de-defesa. O maior dinamismo do canal 9-10 (boa prestação de Simão Oliveira a gerir bem as combinações de ataque) foi fundamental para explorar a falta de postura dos arcuenses na placagem.

Todos os ensaios do São Miguel nasceram do mesmo âmbito: fases curtas dos avançados. A avançada miguelista dominou durante grande parte do tempo de jogo, procurando fazer uso de bolas curtas e piques para avançar no terreno ou, simplesmente, agregar o maior número de adversários para apostar numa acção rápida das linhas atrasadas… jogo clássico, mas que resultou na maioria das ocasiões em seu proveito.

O CRAV ainda esteve na frente do marcador, logo no reatamento de jogo (boa saída da FO e bola rápida à ponta), mas foi “sol de pouca dura”, pois a maior capacidade física, resistência de jogo e inteligência de movimentos favoreceu o São Miguel na 2ª parte. O 29-17 final pecou por pouco expressivo, perante a melhor qualidade individual e técnica dos Bulldogues, que encurtam a distância para o 4º lugar.

MOUFLONS ENTRE A APATIA E A INCERTEZA NA LOUSÃ

Foi um jogo cinzento para a equipa de João Baptista, que esperava sair das terras da Lousã com um resultado bem melhor do que obteve no final: 07-22. Os Mouflons permitiram que o 1º classificado do CN1 dominasse o ritmo de jogo, e isto permitiu à Lousã controlar a maior capacidade técnica da formação alentejana.

Foi um jogo “duro”, pesado e pautado pelos desafios entre blocos de avançados, com Vance Elliot a ser novamente uma das caras-fortes dos lousanenses.

Sem José Roque (ausente por motivos pessoais), Rugby Clube de Montemor esteve muito abaixo do esperado, com sucessivos erros de transmissão de passe, mau posicionamento nos apoios ao ataque e uma clara falta de vontade em trabalhar de forma intensa durante todo o jogo.

Manuel Nunes foi dos poucos a procurar em dar outra rotação ao jogo, com três turnovers e uma série de placagens que impediram a equipa local de chegar à área de validação. Contudo, as (poucas) boas exibições individuais não evitaram que se dessem os ensaios dos actuais 1ºs classificados, que terminam a 1ª volta sem qualquer derrota ou empate no registo, confirmando praticamente a presença na Final Four.

A equipa alentejana só conseguiu um ensaio por Thankgod Okafor, que acabou por ser um dos poucos apontamentos positivos num jogo demasiado cinzento e incaracterístico de uma equipa que já fez algumas das melhores exibições nesta temporada. A ausência dos tais apoios rápidos de ataque e a falta de clarividência entre combinações nos 3/4’s tiraram expressão ofensiva no cômputo global.

A Lousã termina assim a 6 pontos do 2º lugar e a 12 do 3º, bem colocada para confirmar uma das meias-finais no seu recinto de jogo. O Montemor mantém o 2º lugar, mas deixou o 3º a aproximar-se.

GUIMARÃES E MOITA DEIXAM TUDO NA MESMA

Guimarães e Moita voltaram a sair derrotados dos seus jogos, apesar de terem oferecido boa réplica em casa do Caldas e Santarém, respectivamente. Vimaranenses voltaram a ser inteligentes na saída dos alinhamentos, com Paulo Machado a ditar boas ideias nas combinações de ataque.

Contudo, a maior profundidade e velocidade por parte dos jogadores do Caldas revelou-se nociva para o Guimarães Rugby Union Football Club, que foi demasiado permissivo e estático na placagem. O 32-18 foi o resultado final, justo perante a eficácia do Caldas.

O Rugby Vila da Moita e Rugby Clube de Santarém realizaram o jogo mais “tremido” da 9ª jornada, com sucessivos erros de handling a replicarem-se nas duas equipas, com os moitenses a consentir mais espaço na defesa… os “cavaleiros” ao som do ataque de Rafael Morales caminharam para uma vitória confortável de 19-06.

CLASSIFICAÇÃO

Foto: FPR

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