O “Breakdown” do CN1: super-oito encarnada e reviravolta em Scalabis

Francisco IsaacNovembro 14, 201810min0

O “Breakdown” do CN1: super-oito encarnada e reviravolta em Scalabis

Francisco IsaacNovembro 14, 201810min0
A 5ª jornada do Campeonato Nacional 1 de rugby voltou em força e o SL Benfica e CR Évora voltaram a ganhar. Mas foi em Scalabis que os "cavaleiros" fizeram o improvável!

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

RECEITA PARA VITÓRIA ENCARNADA: DOMÍNIO NA AVANÇADA E CLASSE NOS 3/4’S

Nada fácil foi a visita do Caldas Rugby Clube ao Estádio Inatel (para os mais distraídos é agora o recinto de jogo do SL Benfica) averbando uma pesada derrota por 59-03. O resultado final não era o esperado em todas as previsões, não deixando de existir um favoritismo claro por parte da formação de Francisco Aguiar e Carlos Castro.

Ambas as equipas procederam alterações aos seus XV, com o regresso de António Ventosa para defesa (Rui Santos voltou a vestir a camisola 10 e Diogo Conceição a 9) nos encarnados, enquanto que os pelicanos não contaram com Cláudio França na camisola 15.

A parelha de médios do SL Benfica foi fundamental para criar sucessivas situações de ataque que os visitantes não souberam monitorizar na maioria das ocasiões, sofrendo com as consequências finais: ensaios. Se os 3/4’s da equipa da casa assumiram um excelente protagonismo no avanço exponencial no terreno, foram os avançados a dar à corda toda durante todo o encontro, com um claro domínio dos super-8 encarnado.

Novamente, Matt Ritani foi um autêntico dínamo na conquista de bolas no breakdown (3), para além de suscitar um constante trabalho eficiente dos seus colegas nas fases estáticas e mauls. Diogo Ramos, Pedro Ismael, Felipe Rosa foram outros três destaques não só pelos ensaios, mas também pelo trabalho no “chão”, onde o Benfica teve sempre um claro ascendente.

O resultado de 59-03 acabou por ser totalmente justo perante a inércia dos pelicanos em não conseguir parar o jogo ao pé do SL Benfica, as acções de contra-movimentos à ponta ou de garantir uma defesa rápida e inteligente, oferecendo o domínio de território e jogo à equipa da casa (pedia-se mais garra a uma avançada que tem qualidade e capacidade de luta). Mérito para as “águias” que voltam assim a conquistar 5 pontos importantes na luta pela final-four.

Francisco Bessa um dos melhores jogadores do encontro com ensaios e assistências, falou com o Fair Play sobre o regresso às vitórias

Depois de uma derrota na jornada passada, deram espectáculo frente ao Caldas. O que mudou de um jogo para o outro?

FB. Passámos por uma fase menos boa que nos fez perder 2 jogos em casa, fruto de uma atitude dentro de campo abaixo do exigido, demasiadas faltas que nos custaram muitos pontos e de erros básicos que perdem jogos no Rugby! Aproveitámos o fim de semana off para trabalhar fases do jogo em que estávamos mais fracos e conseguimos dar uma resposta completamente diferente com o Caldas! Jogo mais fluido, atitude digna de uma equipa que quer ser campeã, e acabamos por fazer menos faltas. Ainda assim, ainda temos muito a melhorar para expormos o nível que realmente conseguimos produzir.

Consideras que este CN1 tem bastante qualidade? Como te sentiste no jogo frente ao Caldas?

FB. Este campeonato tem qualidade, tem jogadores experientes e que ainda podem fazer a diferença no Rugby português. Apesar disso, penso que não se pode comparar com a Divisão de Honra. A meu ver, existem 3/4 equipas que vão competir pelo lugar de cima, e cabe nos a nós querer mais que os outros e trabalhar mais! O Caldas não fez jus aos seus resultados anteriores, esperávamos uma equipa mais forte, mas isso não aconteceu também pela nossa reação às semanas passadas e pelo nosso querer em reverter a situação.

5 MINUTOS À SANTARÉM DESFAZEM VANTAGEM BULLDOGUE

O quanto pode mudar um jogo em 5 minutos? Totalmente no caso do RC Santarém-CR São Miguel, com os cavaleiros  a arrancarem dois ensaios nesses espaço de tempo para passaram de um 09-14 para um 23-14, pondo fim às três vitórias consecutivas dos bulldogues no CN1.

Mas como foi possível esta reviravolta no marcador? Antes da breve explicação, há que explicar que o jogo foi pautado na primeira-parte por um ritmo errático de ambas as equipas, onde se verificaram constantes turnovers ou perdas de controlo da oval no contacto. O RC Santarém optou sempre por fazer duas a quatro fases, pontapeado a oval para as costas dos visitantes, procurando um erro de posse de bola.

Por sua vez, a formação lisboeta controlou a oval durante mais tempo mas sem conseguir arrancar qualquer ponto nos primeiros 40 minutos, com as tentativas de ataque a esbarrarem numa defesa escalabitana de qualidade. Rafael Morales foi quem desfez a igualdade a zeros, com um pontapé bem medido.

Na segunda parte é que se deu a maior movimentação do marcador com 34 pontos a serem concretizados. Primeiro foi novamente Morales a meter mais seis pontos na sua contabilidade (o abertura é o grande pensador de jogo do Santarém, sempre com pontapés bem direccionados), para depois o São Miguel responder com um ensaio de choque de André Lemos. O centro recebe a bola do 9 à saída de uma formação-ordenada e entra pelo meio do par de centros adversário.

O ascendente técnico e territorial dos bulldogues voltou a resultar em ensaio e até foi um dos melhores da jornada, com um pontapé-passe de André Lemos para Miguel Martins, que combina com Diogo Pina até à área de ensaio. Quando tudo parecia a estar a ir de encontro à 4ª vitória consecutiva, o São Miguel vai deixar cair a sua vantagem com dois ensaios-relâmpago, em 5 minutos de jogo.

Primeiro um erro de combinação resulta num avant bem reciclado pelo Santarém, metendo a oval na ponta para Martim Neves mergulhar e, logo de seguida, um alinhamento-rápido em resposta a um pontapé bem medido de Miguel Martins, suscitou um contra-ataque à la All Blacks dos escalabitanos… em quatro passes, novo ensaio e vitória assegurada!

O Santarém volta a assim a ganhar e a respirar, enquanto que os bulldogues viram a sua vantagem para o Benfica cair, permitindo que os restantes adversários do 4º lugar para baixo se aproximassem mais.

MONTEMOR NÃO PERDOA E SEGUE IMPARÁVEL

Início de época demolidora dos Mouflons com nova vitória por mais de trinta pontos! No campo do Rugby Vila da Moita a equipa orientada por João Baptista chegou aos 50 pontos, não sofrendo qualquer ensaio pelo caminho! A fisicalidade do Montemor foi novamente um aspecto decisivo na luta no contacto, com José Pedro Gouveia a regressar em grande (José Roque não jogou uma vez que foi convocado e se estreou pela Selecção Nacional ante a Roménia) e João Bibe a liderar com excelência as linhas atrasadas.

Foi um jogo de um sentido só, frente a um Rugby Vila da Moita valoroso mas (ainda) sem os argumentos necessários para contrariar a maior inteligência, capacidade técnica e velocidade de jogo apresentada pela formação alentejana.

Tanto a primeira como a segunda parte foram de total domínio do Montemor, com constantes conquistas de metros, onde a avançada já se revelou mais flexível e melhor no apoio às movimentações rápidas que se fizeram a partir do eixo do médio-de-abertura e defesa, abrindo espaço para mais pontos e boas quebras-de-linha. Com um jogo prático, foi normal que o Montemor atingisse a fasquia dos oito ensaios ao longo dos 80 minutos, reforçando bem o seu estatuto de favorito à subida de divisão.

Outro pormenor interessante foram os quatro ensaios que chegaram pelas mãos da primeira-linha dos mouflons, com Luan Almeida a ser preponderante no combate no contacto, de enorme agilidade e dureza.

O Rugby Vila da Moita ainda sem Frederico Melim, teve problemas em segurar a posse de bola e montar boas fases de ataque, podendo queixar-se de alguma apatia e falta de reacção em momentos importantes do jogo. Placaram bem em certos períodos de jogo, só que esse factor só por si não garante nada em termos de salvaguarda da defesa.

Vitória incontestável do Montemor antes do grande dérbi do CN1: o Clássico alentejano frente ao CR Évora!

EBORENSES REFORÇADOS REGRESSAM AO SEU MELHOR

Finalmente, falamos rapidamente dos dois últimos jogos: CR Évora-CRAV e RC Lousã-Guimarães RUFC.

Os vimaranenses tiveram uma difícil visita ao campo do Lousã e acabaram derrotados por um resultado muito pesado: 71-05. Foi das piores exibições do Guimarães nos últimos dois anos e deveu-se por dois factores: primeiro pelo facto da Lousã ter uma equipa recheada de experiência, com reforços de qualidade e que fazem sempre mossa nas participações ofensivas como defensivas (a taxa de recuperação de bolas no breakdown é bastante alta); e a ausência de experiência ou de atletas que consigam ombrear contra as equipas de topo do CN1.

A prova decisiva para o Guimarães está já na próxima jornada com a recepção ao RV Moita, num confronto que vai decidir o detentor do último lugar nas próximas semanas. Já em Évora, os comandados de Miguel Avó deram a volta por cima depois de algumas semanas sem vitórias com um excelente resultado frente ao campeão em título do CN1, CRAV.

O 31-08 foi justo, devido ao bom trato que os eborenses deram à oval, onde montaram jogadas de alta velocidade (ter Manuel Murteira no par de centros proporciona outro poder de explosão e aproveitamento de espaços) e de agressividade nas fases estáticas (José Leal da Costa tem sido um importante membro na primeira-linha, com Frederico Couto a assumir-se como um excelente líder do pack).

Com um jogo de maior capricho, foi natural o avolumar de resultado regressando o conjunto alentejano às vitórias antes do grande embate da próxima jornada. Destaque para dois regressos: Miguel Valente (que se tinha retirado no final da época passada) e João Pedro Oliveira (o abertura/formação internacional sub-20 que se tinha retirado em 2014). O Évora demonstrou que está em jogo e os novos reforços já deram sinais disso mesmo.

O CRAV continua numa das suas piores fases no CN1, depois de uma temporada anterior de pleno domínio e de grande crescimento a nível de jogo. Renato Rodrigues tem o maior desafio da carreira: dar à volta aos acontecimentos e garantir pontos nos 13 jogos que restam!

CLASSIFICAÇÃO

Foto: fpr.pt

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