As Eleições na FPR: disseminação e aproximação para Pedro Aguilar Monteiro

Francisco IsaacMarço 20, 20196min0

As Eleições na FPR: disseminação e aproximação para Pedro Aguilar Monteiro

Francisco IsaacMarço 20, 20196min0
O dirigente do Braga Rugby é mais um dos convidados do Fair Play para falar das próximas eleições na Federação Portuguesa de Rugby. As dúvidas e certezas de Pedro Aguilar Monteiro!

O Fair Play durante as semanas que antecedem as eleições na Federação Portuguesa de Rugby propôs três perguntas a dirigentes, jogadores, técnicos e árbitros sobre o futuro da modalidade. As reflexões, propostas e desejos de cada um dos entrevistados. Pedro Aguilar Monteiro do Braga Rugby expõe a sua opinião!

Pedro, as eleições estão próximas. Acha que vai haver uma mudança de comportamentos e ideias? Quais são os pontos mais importantes a focar no futuro-próximo?

PGM. Não acredito em mudanças radicais até porque os intervenientes serão na sua grande maioria pessoas já ligadas à modalidade e ninguém muda radicalmente de um dia para o outro. No entanto acredito que se possa começar um novo ciclo, procurando-se corrigir erros feitos no passado e procurando lançar as sementes de um futuro diferente daquele que, à data de hoje, se vislumbra.

Penso que há dois pontos que devem ser o foco a curto prazo: 1) unir o rugby nacional: há que canalizar as energias dos agentes do rugby nacional em prole de um objetivo final que é o crescimento – desportivo, organizativo e até social – do rugby em Portugal e deixarmos de perder tempo devido às muitas “guerras” que existem do seio da comunidade rugbistica nacional – seja entre “fações” de clubes; seja entre a federação e os clubes; entre os árbitros e a federação, etc…Para tal, penso ser urgente definir-se um plano estratégico para o desenvolvimento do rugby nacional.

Não é se fazer um documento que se coloca no site da FPR para quem quiser consultar. Será sim definir-se algo em que todos os agentes da modalidade se sintam envolvidos e sejam parte importante e efetiva na sua concretização. 2) Reorganizar a FPR: Repensar o relacionamento da FPR com as entidades nacionais: sejam clubes, agentes desportivos, instituições publicas e privadas, patrocinadores, meio de comunicação, etc…, e com as entidades internacionais de gerem o Rugby; Repensar a organização interna da FPR de forma a que se consiga transformar efetivamente os valores das receitas existentes em mais valias para todo o rugby nacional.

Estou convencido que, com cada euro de receita da FPR se poderá fazer mais do que até à data. Para tal há definir objetivos claros para todos, e definir e monitorizar as funções a desempenhar por cada agente, corrigindo sempre que for necessário. Penso que se não conseguirmos realizar estes dois pontos prévios, tudo que se possa fazer não terá grandes resultados, pois na realidade os problemas de base continuarão.

Sente que há um distanciamento perigoso entre a Federação Portuguesa de Rugby e os clubes, e vice-versa? O que poderá ser feito mais para ajudar no crescimento da modalidade?

PGM. Sim, há algum distanciamento entre a Federação e os clubes. Neste caso, penso que uma parte da responsabilidade é dos clubes pois muitas vezes os clubes esquecem-se que a Federação, sendo uma associação fundamentalmente dos clubes, ela é e será sempre o que os clubes quiserem e não algo que lhes está completamente à margem e que existe apenas para lhes criar problemas.

Realmente há situações “estranhas” e que acabam por promover esse distanciamento, como sejam as Assembleias gerais sempre em Lisboa em dias de semana; haver clubes que embora sejam associados não podem ter assento nas assembleias gerais; decisões federativas muito questionáveis – as mais recentes foram: a assunção de que não haveria árbitros para os escalões de sub16 ou quadros competitivos questionáveis onde, em competições com 9 equipas, as dividem em 2 grupos: um com 2 equipas e outro com 7; etc…. Na realidade tudo isto acontece porque os clubes permitem que isto aconteça.

Mesmo assim, penso que a FPR não está isenta de responsabilidades pois deveria olhar muito mais vezes para além dos gabinetes da sede da Federação e deveria promover uma maior ligação aos clubes. Pergunto: nos últimos anos com que periodicidade os dirigentes e técnicos da federação visitaram clubes? E tendo visitado, se foi numa ação proativa da federação ou foi a pedido dos clubes?

Quanto ao que pode ser feito para ajudar o crescimento da modalidade penso que poderá haver três grandes eixos a serem trabalhados:

Um seria o trabalho nas escolas sendo fundamental conseguir-se junto do ministério da educação que o rugby seja uma modalidade do curriculum das aulas de educação física. Para isto seria importante garantir a existência de disciplinas de rugby nos cursos superiores de educação física, pois muitas vezes não há rugby nas escolas pois os professores não se sentem à vontade com a modalidade;

Outro, a aposta na disseminação da modalidade pelo pais. Há grande núcleos populacionais que não têm um único clube de rugby (exemplos: Litoral Norte – da Póvoa de Varzim até Viana do Castelo; Vale do Sousa, Porto Sul – entre Gaia e Espinho –, grande parte do Algarve; algumas grandes cidades do interior onde até se poderia aproveitar eventuais ligações às universidades aí existentes: Vila Real, Guarda, Covilhã; etc) mas também nunca houve uma estratégia definida para se lá chegar. Isto com certeza terá custos, mas esta é uma das áreas em que penso que as receitas da federação poderão ser mais bem aproveitadas.

Por fim, conseguir-se tornar o rugby numa modalidade mais quotidiana para os portugueses. Conseguir-se ter uma presença mais amiúde e efetiva nos meios de comunicação social, e em outras plataformas de comunicação. Mostrar mais o rugby e tornar o rugby numa modalidade falada para dessa forma se chegar a mais pessoas.

Clubes “novos” como o Braga Rugby podem ser a solução para os problemas a nível de recrutamento na base?

PGM. Eu acredito que o rugby em Portugal só evoluirá se tiver uma verdadeira expressão nacional. Penso que isto poderá, não só ajudar a conseguir aumentar o número de atletas e assim resolver alguns problemas no recrutamento de base – deveríamos também ter um olhar mais crítico sobre a problemática da retenção de atletas na modalidade -, como também pode ajudar a tornar o rugby numa modalidade mais atrativa para a sociedade – para os meios de comunicação, para as empresas, para as instituições estatais, etc… Por isso, o aparecimento de clubes novos, em diferentes pontos do pais, pode ser uma parte importante da solução para alguns dos problemas que o rugby português enfrenta atualmente.


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