As Eleições na FPR: Objectivos, base e pacificação para o CR São Miguel

Francisco IsaacMarço 15, 20196min0

As Eleições na FPR: Objectivos, base e pacificação para o CR São Miguel

Francisco IsaacMarço 15, 20196min0
Miguel Teixeira apresenta os pontos importantes a debater e a reflectir para o rugby Nacional que vai muito para além de reformulações no escalão sénior. Qual é a tua opinião?

O Fair Play durante as semanas que antecedem as eleições na Federação Portuguesa de Rugby propôs três perguntas a dirigentes, jogadores, técnicos e árbitros sobre o futuro da modalidade. As reflexões, propostas e desejos de cada um dos entrevistados. Desta feita o Presidente do CR São Miguel, Miguel Teixeira, discute alguns pontos connosco

Com a chegada do processo eleitoral, quais são para si as áreas que merecem uma primeira atenção e que necessitam de uma reforma profunda?

(MT) – A primeira grande necessidade que identifico no Rugby, passa pela pacificação entre todos os agentes. Só será possível atingirem-se os objetivos se entre todos subsistir um clima de confiança e porventura até de alguma tolerância. Nenhuma reforma é passível de sucesso, sem que seja determinantemente assumido um pacto entre todos. Claro que isto não implica que existam diferenças de opinião, que são necessariamente uma mais-valia. Mas existe um momento para discutir e outro convergir nos objetivos. E o Rugby precisa dessa convergência. Mas indo ao encontro da tua questão, penso que de todas, a área mais prioritária passa pelo financiamento da Federação.

O Rugby precisa de reduzir o seu passivo e cumulativamente reinventar processos capazes de captar investidores, que os há, em diferentes setores. Mas ninguém está disponível para apostar numa modalidade cujo número de atletas, clubes e público envolvido é demasiadamente reduzido. Persiste a favor do Rugby os seus valores que são sobejamente apreciados, mas os números serão sempre um problema. Repara que os campeonatos não são verdadeiramente nacionais.

Ao Rugby falta-lhe a implantação no território continental e ilhas, que se verifica nas demais modalidades. É necessário que seja implementado um quadro de parcerias/consórcios com os municípios, escolas e clubes (mesmo os que nunca tiveram esta modalidade) das diferentes regiões que estabeleça um plano de aprofundamento da modalidade, fazendo jus ao que o Rugby trás de positivo e impactante na formação do indivíduo.

Mas também a qualidade das instalações são hoje um importante ativo para captar novos públicos e manter ativos os que existem. Este é um capítulo por concretizar e que fará a diferença.

Repara que poucas ou mesmo quase nenhuma modalidade despertará tanta paixão como o Rugby, mas isso por si só, já não chega, porque nos dias de hoje, a oferta é diversificada e muito apelativa, pelo que se impõe a qualidade no saber receber, como uma das condições determinantes para o sucesso. Repara que tudo isto concorre para a captação e fixação de mais público, mas também à sua dispersão pelo território, porque as modas pegam.

O Rugby tem de deixar de ser apenas tradição e universalizar-se. A par destes elementos que aqui levanto, a falta de presença na comunicação social, a quase escassa existência de árbitros, observadores, raking de árbitros, avaliações públicas e preparação destes, no mesmo quadro de trabalho/treino dos atletas, são factores de sucesso. Este caminho crítico é do amplo conhecimento de todos, mas continua quase tudo por se fazer.

A ativação da marca Rugby deve merecer o esforço global. Só com mais clubes, praticantes e mais provas, poderemos ter uma seleção mais eficaz e desse modo construirmos um caminho de presença ativa na imprensa e redes sociais. Estes elementos concorrem para o próprio financiamento da modalidade onde abundam escassos recursos, que não nos permitem competir com as demais modalidades em Portugal e com o que se faz e concretiza em outros países, que até há um par de anos estavam ao nosso acesso. Não é por acaso que caímos, mas não deixa de existir esperança, sobretudo se tivermos atentos aos resultados e processos que surgem nas seleções jovens, isto é, no desenvolvimento. 

Muitos outros aspetos de importante relevo mereciam ser aqui aflorados, mas esse caminho, levaria a horas de leitura. 
Os problemas financeiros da Federação Portuguesa de Rugby têm aumentado de ano para ano… há alguma forma de reverter a situação?

(MT) – A resposta a esta questão quase que surge respondida no ponto anterior. É realmente o tema mais importante. Sem dinheiro, quase nada é passível de se concretizar. Não podemos viver apenas de boas intenções, os processos têm que ser profissionais e para que isso seja possível, é preciso financiamento, receitas próprias e um quadro alargado de parcerias que reposicionem o Rugby como uma figura apelativa. Mas lá está, importa construir esse caminho em consenso. 

Depois de anos de queda em termos de imagem e promoção, sente que o rugby português ainda vai a tempo de ganhar protagonismo? O fantasma de 2007 poderá estar a ser prejudicial para a vontade de evoluir?

(MT) – O ano de 2007 perdurará para sempre como um marco extraordinário para o Rugby português, mas já passou e não podemos continuar a viver do passado. Importante agora é aprendermos com os potenciais erros que decorreram após 2007 e com algumas coisas boas que também surgiram. O momento atual é reconhecidamente preocupante, mas poderá ser simultaneamente aproveitado para se preparar e implementar um quadro de corajosas reformas.

Discordo por completo quando oiço dizer-se que gastamos mais do que temos. O nosso problema não é o de gastarmos a menos, mas de produzirmos abaixo das reais necessidades para que a modalidade se imponha com a força e implantação que se reconhecem em outras modalidades em Portugal. Desejamos que os nossos atletas sejam capazes de conquistar novos sucessos, mas persistimos nos mesmos modelos e na escassez ou inexistência de meios para que seja verdadeiramente tangível a sua consequente concretização.

Quantas vezes são ouvidos os técnicos e quantas vezes as suas propostas são implementadas? Repara que os técnicos da Federação Portuguesa de Rugby são dos poucos que têm contacto com outras realidades externas a Portugal e são porventura os únicos que por via da sua profissionalização pensam e vivem a modalidade 365 dias por ano. O mesmo não sucede com os dirigentes, que não são profissionais. Com isto não estou a dizer mal de ninguém mas apenas a expor uma evidência.

Quantos gestores profissionais existem nos clubes? Quanto é investido na comunicação e marketing dos clubes? E o mesmo se poderá dizer da FPR. O homem é do tamanho do seu sonho, como escreveu Pessoa. No nosso caso podemos sonhar, diria mesmo, devemos sonhar e ousar, mas com a premissa de construir para que o sonho se torne uma realidade.


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