4 Jogadores que falharam a oportunidade de ganhar um Mundial de Rugby

Francisco IsaacFevereiro 19, 20196min0

4 Jogadores que falharam a oportunidade de ganhar um Mundial de Rugby

Francisco IsaacFevereiro 19, 20196min0
O Mundial de Rugby é sempre uma ocasião especial e ninguém quer falhar, especialmente os jogadores. Recordamos quatro jogadores que estiveram perto de fazer parte de uma equipa vencedora mas falharam no fim!

Em ano de Mundial de Rugby relembramos 4 jogadores que podiam ter ganho o Mundial nesse ano, caso não tivessem se lesionado, sido preteridos por outro colega ou que se retiraram uns meses cedo demais da selecção.

Uma atenção especial para o facto de Simon Shaw não ser incluído na lista, apesar do asa inglês não ter somado qualquer minuto na campanha vitoriosa inglesa na campanha ou de Pauliasi Manu na mesma situação em 2015.

PIERRE SPIES (ÁFRICA DO SUL – 2007)

Em 2007 a África do Sul apresentava um dos melhores elencos de sempre, liderada por jogadores como John Smith, Bakkies Botha, Victor Matfild, Schalk Burger, Juan Smith, Jean de Villiers ou Percy Montgomery, entre outros tantos. Na final do Mundial, que viriam a ganhar à Inglaterra, estava Dannie Roussow na posição de nº8, mas na preparação para a competição não era a primeira opção para Jake White, essa sim era Pierre Spies.

O 3ª linha formado nos Blue Bulls, tinha realizado algumas exibições de relevo durante os anos de 2005, 2006 e 2007 pelos Springboks, afirmando-se uma opção para qualquer uma das posições da 3ª linha sul-africana. “Gigante”, com um poder animalesco na placagem e um autêntico panzer com a bola nas suas garras, Spies parecia ter o lugar confirmado para o próximo mundial… contudo, um problema nos pulmões afastou-o da selecção.

Coágulos de sangue tinham surgido num teste ao nº8, que na altura tinha 22 anos, e perante o prognóstico de 7 meses longe da competição, Spies pediu uma 2ª opinião que foi a seu favor. Mas, a Federação de Rugby da África do Sul esperou por uma 3ª opinião antes de voltar a incluir Spies na convocatória e, infelizmente o atleta dos Bulls, foi lhe negada essa hipótese.

Spies falharia assim o Mundial ganho no fim pelos Springboks, e até ao fim da carreira completaria quase 60 internacionalizações apesar de não ter tido direito aos galões de campeão que Roussow, Burger, Smith, van Heerden conquistaram.

AUSTIN HEALEY (INGLATERRA – 2003)

Entre o final dos anos 90 e início dos de 2000, a selecção da Inglaterra tinha alguns dos 3/4’s mais multifacetados da época como Will Greenwood, Josh Lewsey, Jonny Wilkinson, Mike Catt, Ben Cohen ou Mike Tindall. Estes nomes inesquecíveis do rugby inglês foram essenciais na conquista do Mundial de Rugby em 2003, naquela mítica final em que “Wilko” meteu um dos drops mais cardíacos de sempre… mas de forma, ficou um dos atletas mais especiais da Rosa: Austin Healey.

Healey, que à altura tinha 30 anos, oferecia uma panóplia de opções para as linhas atrasadas, especialmente como formação ou abertura. Com um pé de excelência e uma visão de jogo do mesmo timbre, o nº9 dos Leicester Tigers acabou por não participar nas Seis Nações 2003 (por lesão) e na altura de fazer a convocatória para o Mundial Clive Woodward optou por Andy Gomarsall, Matt Dawson e Kyran Bracken.

Todavia, a 8 de Outubro abriu-se uma janela de oportunidade para Healey, já que dois dos três formações convocados pelo seleccionador inglês se tinham lesionado antes do encontro importante ante a África do Sul na fase-de-grupos.

Perante esta situação, Woodward pegou no telefone e ligou para Austin Healey que… não podia ser convocado. O formação tinha sofrido uma lesão uns dias antes no aquecimento ao serviço dos Leicester Tigers e estaria de baixa pelo menos duas-três semanas.

Um azar total para Austin Healey que acabou por não ter o prazer de jogar um último mundial pela selecção inglesa, naquele que seria o único conquistado pela Rosa.

JOE ROKOCOKO (NOVA ZELÂNDIA – 2011)

A história de Rokocoko nos All Blacks é ao mesmo tempo espectacular e infeliz e para perceber essa dupla situação basta ver os seguintes pontos: consta no top-3 dos melhores marcadores de ensaios da Nova Zelândia, com 46 ensaios em 68 jogos revelando-se como um dos pontas mais vibrantes, velozes e inteligentes que passaram pelo rugby mundial. Todavia, ficou a 3 de Doug Howlett que terminou com 49 a sua carreira internacional em 2007.

Outro dado feliz-infeliz para Rokocoko é que em 2010 decidiu fechar a sua carreira no rugby neozelandês e assinar contrato com Bayonne do TOP14, deixando para trás vários anos de serviço aos Blues e All Blacks. Ainda fez uma última época de Super Rugby ao serviço da franquia de Auckland, mas o facto de não ter desejado avançar para a renovação de contrato impedia ser escolha de Graham Henry para o próximo Mundial de Rugby.

Ironicamente, o ponta tinha lugar nos convocados para esse Mundial já que para a posição de 11 entrou Zac Guilford e durante a prova foi Sonny Bill Williams e Richard Kahui, todos eles de bom nível mas que Rokocoko, de 28 anos naquele ano de 2011, teria facilidade em remover da sua frente para conquistar o lugar (até faltou alguma pólvora nos pontas na competição).

LIMA SOPOAGA (NOVA ZELÂNDIA – 2015)

Para fechar outro All Black que prometia mundos e fundos, mas acabou excluído da convocatória por opção… Lima Sopoaga. Um abertura fantasista (e não confundir com fantástico) que tinha acabado de conquistar o Super Rugby com os Highlanders, pela primeira vez na história da franquia de Dunedin.

Com um pé calibrado, uma visão de jogo para o fazer o improvável e uma série de pormenores de elevada categoria, Sopoaga esperava por uma chamada aos All Blacks, mas no final de contas Steve Hansen chamou como suplentes de Dan Carter, Colin Slade (que jogava a nº10 como solução, mas sempre foi mais propenso para actuar à ponta ou defesa) e Beauden Barrett.

A ausência do médio-de-abertura dos Highlanders foi explicada com diferentes razões, todas ligadas: uma lesão que lhe tirou a forma física após a estreia pelos All Blacks frente à África do Sul (12 pontos e fundamental para a vitória em Joanesburgo); recuperação no limite mas os seleccionadores continuavam a duvidar que podia garantir o seu melhor na competição. Mesmo com algumas tentativas do abertura em ser convocado, Hansen e a equipa técnica não quiseram arriscar e optaram por fazer escolhas mais seguras.

Sopoaga falhou assim a sua grande oportunidade de se juntar a um dos maiores elencos dos All Blacks de sempre, a par de Aaron Cruden que em 2015 tinha realizado uma excelente época no Super Rugby mas devido a lesão falhou a convocatória final.

A estreia de Sopoaga pelos All Blacks


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