3 pontos do SR 2020 R7: Sharks (finalmente) dominam a África do Sul

Francisco IsaacMarço 15, 20206min0

3 pontos do SR 2020 R7: Sharks (finalmente) dominam a África do Sul

Francisco IsaacMarço 15, 20206min0
Ao fim de 7 jornadas (e com um adiamento nas próximas três) os Sharks derrotaram os Stormers e assumem o 1º lugar da conferência da África do Sul! Os destaques e análise da 7ª jornada do Super Rugby

E como as Seis Nações, PRO14, TOP14 e todas as outras competições de clubes (e selecções) mundiais de rugby, o Super Rugby vai sofrer uma paragem de algumas semanas – esperemos -, mas houve tempo ainda para se realizar a 7ª jornada em que os Blues chegaram a 4 vitórias consecutivas, algo que não era alcançado desde 2012, os Sharks garantiram para já o domínio da conferência sul-africana e os Brumbies obliteraram os Waratahs por completo!

Os 3 pontos escolhidos para análise de mais um fim-de-semana de rugby no Hemisfério Sul aqui ficam!

A BATALHA DOS 15’S EM HAMILTON

Damian McKenzie e Jordie Barrett faziam parte dos cabeças-de-cartaz do mítico encontro entre Chiefs e Hurricanes, num dos dérbis mais especiais da Nova Zelândia nos últimos cinco anos. Ambos internacionais All Blacks ocupam o lugar de nº15 e seriam os dois essenciais para o resultado final, com a sorte a sorrir ao irmão mais novo dos Barrett. Mas antes de irmos até a aquele excelente pontapé cobrado já nos 80 minutos, é altura de vermos os números de cada um: Jordie Barrett completou 120 metros com a oval em seu poder, 1 assistência, 1 quebra-de-linha, 6 defesas batidos, 3 conversões e 2 penalidades (80% de eficácia na conversão); já Damian McKenzie fez também 100 metros de conquista de terreno, 2 quebras-de-linha (fantástico numa delas em que desmonta duas unidades defensivas dos Hurricanes em alto sprint), 8 defesas batidos, 3 conversões e 1 penalidade (80% de eficácia).

No final de contas tiveram os dois impacto no encontro, trocando “golpes” profundos durante os 80 minutos sem que ambos conseguissem chegar à área de ensaio apesar das várias boas tentativas… Damian McKenzie ficou a metros de marcar um ensaio que teria sido decisivo e Jordie Barrett optou por transmitir a oval a Ben Lam do que arriscar o próprio em chegar ao toque de meta. Quando tudo parecia estar perto de terminar num empate a 24 pontos, surje o momento fulcral… os Hurricanes conseguiram conquistar a oval por uma última vez e invés de chutarem para fora optaram por continuar a jogar, conquistando fases e fases até forçar um erro defensivo dos Chiefs… penalidade e Perenara não teve dúvidas: postes!

.Jordie Barrett armou o pé com total cuidado e quando bateu a bola a precisão e força foram em cheio, passando assim a oval por entre os postes. Vitória, 4 pontos e bounce back da derrota da semana passada frente aos Blues, impondo nova derrota ao conjunto liderado por Warren Gatland.

SHARKS SÃO O ALVO A ABATER DA CONFERÊNCIA SUL-AFRICANA

Não haviam grande dúvidas que o 1º lugar da conferência sul-africana seria decidida entre Sharks e Stormers, seja pelo facto de Bulls e Lions estarem fora de contas – tem sido uma época desastrosa para dois emblemas que em anos anteriores chegaram aos playoff – e, principalmente, pela excelente qualidade exibicional que ambas as formações têm demonstrado até a este ponto. Os Stormers começaram mais seguros de si no ínicio da época, perdendo só a sua invencibilidade à passagem da 5ª jornada, enquanto que os Sharks têm registado maioritariamente vitórias no seu percurso, chegando assim à 7ª jornada com a possibilidade de ascender ao 1º lugar desta “liguilha” de franquias do País do Arco Íris. 

O arranque de jogo foi morno, com Speckman a ser brilhante à ponta enquanto do outro lado estava Aphelele Fassi a distribuir jogo, aparecendo só dois ensaios na primeira-parte… demasiado nervosismo, placagens acertadas e uma postura de pouco risco pautaram a primeira-parte, mas em que deu ainda para aparecer um drop genial do abertura Curwin Bosch. Faltou maior vontade de apostar na velocidade de Senatla e Leyds, com os dois pontas a registarem uns pobres 29 metros conquistados no total, o que expõe as dificuldades da equipa de John Dobson para jogar rápido e colocar a oval nos corredores mais exteriores do tabuleiro.

Na segunda metade do jogo os Stormers caíram no mesmo erro que já se tinha verificado na derrota caseira frente aos Blues, ao cometerem sucessivas penalidades em zonas proibidas especialmente quando do outro lado estava Curwin Bosch. O nº10 não fracassou na missão de converter 9 pontos precisos ao pé, devolvendo a vantagem aos Sharks, o que permitiu acalmar ligeiramente o ritmo que Mapimpi decidiu acelerar aos 78 minutos, com um sprint daqueles inalcançáveis para desespero de Damian Willemse e Dylian Leyds (o nº11 ficou mal na fotografia, pois concede demasiado espaço para o seu homólogo dos Sharks ganhar velocidade e sair assim disparado) que só terminou na área de validação.

Os 4 pontos catapultam os Sharks para o topo da conferência, a três dos Stormers e a cinco dos Jaguares, tendo assim uma vantagem interessante mas não totalmente segura quando faltam 11 jornadas para o fim da fase-regular.

BRUMBIES DESMANTELAM A COMPETIÇÃO INTERNA

Waratahs chegaram a Canberra com a esperança de conseguir infligir dano na equipa da casa, mas não só não surpreenderam ninguém como foram completamente dominados pelos seus adversários que aplicaram quase 40 pontos de diferença, destacando-se os “novatos” Solomone Kata (dois ensaios), Noah Lolesio e o experiente Cadeyrn Neville, partilhando os três o facto de ser esta a sua primeira temporada nos Brumbies.

Os ‘Tahs até começaram melhor mas o ensaio de Mark Nawaqanitawase acabou por ser uma “cortina de fumo” facilmente limpa pela franquia de Canberra, que fez uso de alguns classicismos do rugby: avançados a aplicarem uma mossa física particularmente no maul (é uma faceta reconhecida dos Brumbies desde 2018) e formação-ordenada, com as linhas atrasadas a vestir o “fato” de oportunistas, aparecendo rapidamente a aproveitar os erros decisivos dos seus rivais, com Noah Lolesio e Thomas Banks a “fantasiar” o suficiente para Kata e Andy Muirhead (4 quebras-de-linha) evocarem constantemente sprints demolidores.

Com uma postura concentrada e só encontrada nas melhores equipas, os Brumbies impuseram um domínio territorial temível e desconcertante, sem que os Waratahs tivessem oportunidade para assentar o seu plano de jogo ou sequer respirarem o suficiente para tentar pôr fim à “hemorragia” defensiva, acabando por ser derrotados por esclarecedores 47 pontos a 13.

Com esta vitória a equipa liderada por Dan McKellar cimenta o seu lugar como super-favoritos a chegarem às meias-finais do Super Rugby 2020 e não há dúvidas que merecem pelo rugby prático, inteligente e compacto que tem sido imposto jogo após jogo.

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Curwin Bosch (Sharks) – 14 pontos (80% eficácia, 1 conversão, 3 penalidades e 1 drop);
Melhor Placador: Marco van Staden (Bulls) – 19 placagens (96%) e 1 turnover;
Melhor Marcador de Ensaios: Rieko Ioane (Blues), Sevu Reece (Crusaders) e Solomone Kata – 2 ensaios;
Melhor Marcador de Pontos: Curwin Bosch (Sharks) – 14 pontos (1 conversão, 3 penalidades e 1 drop);
O Rei das Quebras-de-Linha: George Bridge (Crusaders) – 5 quebras-de-linha e 10 defesas batidos;
O MVP do Fair Play: Rieko Ioane (Blues) – tem se afirmado a par e passo como um centro de elevado nível, tanto na imposição do side-step letal como no entrar no contacto e aguentar com adversários, para além de apresentar uma placagem dominante e de boa qualidade;


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