3 pontos do SR 2020 R1: Gatland com um Cruden na “manga”!

Francisco IsaacFevereiro 2, 20207min0

3 pontos do SR 2020 R1: Gatland com um Cruden na “manga”!

Francisco IsaacFevereiro 2, 20207min0
Chiefs deram "show" em Auckland com Aaron Cruden a entrar na 2ª parte e a ajudar a Warren Gatland a garantir a sua 1ª vitória na competição! A análise à 1ª ronda do Super Rugby no Fair Play!

E começou! O Super Rugby 2020 deu o pontapé de início, com duas reviravoltas a marcarem logo o primeiro dia de jogos, onde Aaron Cruden foi decisivo ao serviço dos Chiefs no regresso do abertura à Nova Zelândia.

Escolhemos um jogador, um jogo e um pormenor desta 1ª ronda do SR 2020!

AARON CRUDEN ENTRA COMO TINHA SAÍDO… A DESLUMBRAR

Nada melhor que começar a nova temporada com uma reviravolta, correcto? Os Blues chegaram a estar na frente do marcador ao intervalo, por 19-05, mas quis o destino (uma constante dos últimos anos da franquia de Auckland) que no final dos 80 minutos fossem os Chiefs os vencedores, oferecendo uma estreia auspiciosa a Warren Gatland. E quem acabou por ser decisivo no encontro? Aaron Cruden!

O abertura fez 12 pontos em 40 minutos tendo saltado do banco de suplentes para impor um ritmo de jogo mais agressivo e intenso, corrigindo os pequenos erros das movimentações ofensivo e conferiu uma abordagem mais incisiva aos Chiefs, que em apenas uma parte fizeram 32 pontos. Warren Gatland foi genial ao deixar no banco de suplentes Cruden, Anton Lienert-Brown e Brad Webber lançando-os no momento ideal do encontro, aproveitando a alguma falta de experiência da parte dos Blues que ainda não puderam contar com Beauden Barrett (só para Abril), mas foram agraciados com uma estreia extraordinária de Hoskins Sotutu, que roubou o lugar de Akira Ioane – foi inclusivé não convocado para este jogo.

Os Blues até demonstraram uma agressividade de alta qualidade no que toca às fases estáticas ou ao ataque contínuo, onde a fisicalidade castigou a defesa dos Chiefs uma e outra vez, mas que aguentou graças aos esforços de Mitchell Brown (o 2ª linha efectuou 21 placagens), Michael Karpik, Lachlan Boshier e Tyler Ardron no jogo fechado.

Mal Cruden e Lienert-Brown entraram em campo tudo se alterou… os Chiefs voltaram àquela forma de jogar explosiva e que não dá descanso em algum momento, com várias das jogadas a começarem dentro dos próprios 22 metros encontrando em Solomon Alaimalo e Quinn Tupaea dois perfuradores ideais. Quando o ponta e centro aceleravam e ganhavam espaço, o sistema de jogo dos Chiefs acionava-se e não mais parava, com Cruden e ADB a movimentarem a oval com uma velocidade imparável e recheada dos dinamismso típicos desta franquia emotiva neozelandesa.

Os Blues tiveram Rieko Ioane em grande forma no seu 50º jogo no Super Rugby, que já chegou aos 34 ensaios, enquanto o internacional sub-20 All Black e nº8 Hoskins Sotutu mostrou que há novo monstro em Auckland pronto para criar confusão na Nova Zelândia: 100 metros conquistados, 2 quebras-de-linha, 5 defesas batidos, 3 offloads efectivos, 8 placagens (100%) e 2 turnovers. Como sempre há matéria prima de qualidade nos Blues, mas falta execução, estabilidade e consistência durante todo o encontro, tendo ficado expostas mais uma vez essas carências na equipa de Leon MacDonald.

O ÚLTIMO UIVO DOS SUNWOLVES VAI SER SURPREENDENTE

Parece que não será em 2020 que os Melbourne Rebels vão chegar aos playoff do Super Rugby, mas talvez seja o dos Sunwolves, com a formação nipónica a vergar os australianos por 36-27. Garth April, abertura sul-africano com uma vasta experiência na competição, foi um dos reforços sonantes da franquia japonesa e no jogo de estreia foi responsável por 16 pontos, entre os quais um excelente ensaio que fechou o marcador, com o número 10 a dar uma capacidade de rasgo e maior velocidade de execução à movimentação ofensiva dos Sunwolves, que também bem podem agradecer o impacto que Ben Te’o trouxe ao jogo.

O internacional inglês massacrou Reece Hodge e Bill Meakes tanto na sucessivas entradas (30 metros conquistados mas 5 tackle busts realizados) como na arte da placagem (12 efectivas), sendo uma peça fundamental no capturar a atenção da defesa adversária e forçar assim erros nos corredores. Com April, Te’o, Rudy Paige e James Dargaville (o australiano fez a escolha certa em rumar ao Japão, podendo aqui ser uma peça-chave) em sintonia, os Sunwolves foram crescendo na primeira-parte, sobrepondo-se rapidamente nos set pieces e a dar um dinamismo equilibrado e inteligível que os Melbourne Rebels tiveram sérias dificuldades em parar.

Olhando para a exibição de David Wessels, há que referir a qualidade a nível do ataque onde Marika Koroibete e Dane Haylett-Petty (o melhor em campo, com 110 metros conquistados, 3 quebras-de-linha, 7 defesas batidos e 1 ensaio) foram à procura constantemente de criar desequilíbrios e fornecer um fio de jogo intenso que nem sempre foi bem aproveitado. Contudo, a nível da defesa foi um completo desastre em certos momentos do encontro, seja naquela disputa no jogo curto ou no expandir rapidamente a linha defensiva, ficando demonstrado que os erros do passado continuam a assolar os Rebels.

Os Sunwolves entram com o pé direito na competição, mas a parte mais difícil da época ainda está por chegar… que reais hipóteses têm?

STORMERS CAPITALIZAM A INEXPERIÊNCIA DOS CANES

Waratahs e Hurricanes foram duas das maiores desilusões do fim-de-semana, apesar do desfecho final dos australianos ser aceitável perante quem estava do outro lado… os Crusaders. Scott Robertson continua a mostrar o porquê de ser o melhor treinador do Super Rugby, conseguindo apresentar algumas inovações no sistema de jogo sem perder a versatilidade e eficiência demonstrada nos últimos três anos. Pelo caminho os Crusaders lançaram Leicester Fainga’anuku (quase 100 metros na estreia e um ensaio a atropelar Kurtley Beale), Tom Christie e mais algumas novidades, furando por completo com a (pobre) estratégia de jogo dos Waratahs que mostraram-se algo perdidos nos seus 40 metros, sendo expectável uma vez que se trata de um plantel em profunda reconstrução.

E por falar em reconstrução, o que dizer dos Hurricanes, que foram completamente vergados pelos Stormers? A jogar diante do seu público a franquia da Cidade do Cabo cilindrou um dos principais candidatos da competição por 27-00, com Du Toit e companhia a dominarem por completo as fases estáticas e o ataque aos rucks, aproveitando a falta de agressividade e ganas da equipa de Wellington. Nem TJ Perenara ou Ngani Laumape foram capazes de animar a equipa durante os 80 minutos, ficando no ar o efeito que será não ter Beauden Barrett na equipa ou o impacto da lesão de Ardie Savea durante a maior parte da temporada. Foi das exibições mais pobres dos últimos 5 anos dos ‘canes e a saída de John Plumtree vai acarretar mais problemas do que se poderia pensar, já que a equipa técnica actual parece não ter os galões necessários para garantir a manutenção do estatuto de candidatos ao título.

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Morné Steyn (Bulls) – 100% eficácia, com 4 penalidades convertidas e um drop completado | Domingo Miotti (Jaguares) – 100% eficácia, 5 conversões e 1 penalidade;
Melhor Placador: Mitchell Brown (Chiefs) – 21 placagens e 3 turnovers;
Melhor Marcador de Ensaios: Braydon Ennor, Will Jordan, Mark Nawaqanitawase, Rieko Ioane, Samisoni Taukei’aho – 2 ensaios;
Melhor Marcador de Pontos: David Havili (Crusaders) – 18 pontos (1 ensaio, 5 conversões e 1 penalidades);
O Rei das Quebras-de-Linha: David Havili (Crusaders) – 5 e 11 defesas batidos;
O MVP do Fair Play: Braydon Ennor (Crusaders) – sensacional com e sem bola, tem de ser o novo senhor da camisola 13 dos All Blacks por tudo o que oferece ao jogo;


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