3 Pontos do SR 2019 Ronda 7: Sunwolves “vingam-se” e enviam mensagem!

Francisco IsaacMarço 31, 20197min0

3 Pontos do SR 2019 Ronda 7: Sunwolves “vingam-se” e enviam mensagem!

Francisco IsaacMarço 31, 20197min0
Depois de terem sido "corridos" do Super Rugby a partir de 2021, os Sunwolves trataram de começar a vingança com uma vitória no campo dos Waratahs! Este e outros destaques da 7ª ronda!

MAIS UM FEITO TIRADO DA LISTA, MAIS UMA RAZÃO A FAVOR DOS SUNWOLVES

Quem é que alguma vez apostaria numa derrota dos Waratahs depois de terem posto fim à série invencível dos Crusaders na semana passada, ainda por mais às mãos de um conjunto que a partir de 2021 já não estará no Super Rugby? Pois é verdade, os Sunwolves não só ganharam, mas ganharam com inteiro mérito frente aos tahs, num jogo em que Israel Folau não teve espaço de manobra para quebrar o recorde de melhor marcador de ensaios de sempre da competição.

Com Hayden Parker a comandar uma orquestra que por vezes pareceu completamente desconexa, os nipónicos lá foram se galvanizando de minuto a minuto, descobrindo desde muito cedo um dos problemas da equipa da casa: Mack Mason.

O médio-de-abertura substituiu Bernard Foley e foi uma desilusão quase por completa. Nunca conseguiu sair das suas mãos uma combinação ou movimentação que criasse sérios problemas à defesa contrária, repetindo jogadas comuns (12 simula, 15 entra no canal do 13 por exemplo) que os Sunwolves sabiam não só defender bem como atacar logo no imediato a bola no chão, atrapalhando a circulação de jogo da equipa de Nova Gales do Sul… não fossem os pontapés aos postes ter corrido bem, então teria sido uma exibição fraca do 10… mas que foi a única prestação fraca neste encontro.

Os Sunwolves foram cínicos no contra-ataque fazendo valer a velocidade e capacidade de rasgo de van der Heever e Semisi Masirewa que somaram 200 metros com a bola em seu poder e mais de 15 defesas batidos, num “baile” que tirou do sério Karmichael Hunt (muito “agressivo” mas incidiu mal na defesa, optando por oferecer espaço no lado interior ao ataque japonês) ou Kurtley Beale. Israel Folau e Michael Hooper ainda tentaram carregar a equipa às costas, mas tudo tem um limite e as constantes falhas defensivas foram “limitando” o poder dos Waratahs durante os supostos melhores momentos do jogo.

Até que ponto não serão estes Waratahs a equipa mais esquizofrénica do Hemisfério Sul, e até que ponto não falharam os playoff em 2019? Ah, e já agora, Parker aidna não falhou um pontapé de conversão de ensaio em 2019… e já vão quase 30…

QUADE COOPER REMOVE O ESPINHO (THORN) DA CARREIRA

Era o embate mais aguardado não pela qualidade suposta de jogo, mas pela “guerra” que existiu durante 1 ano entre Brad Thorn (treinador dos Queensland Reds) e Quade Cooper, abertura que serviu a formação dos koalas durante os últimos três anos, encostado e expulso em 2018.

Agora ao serviço dos Melbourne Rebels, o endiabrado nº10 fez a vida negra aos Reds, rubricando uma daquelas exibições quase a roçar o perfeito, com duas assistências, 85% de pontapés acertados, abertura de vários espaços para Jack Maddocks ou Tom English passarem, entre outros pormenores que só serviram para elevar o abertura num jogo mal jogado no geral.

Como mal jogado? Apesar dos 700 metros totais em que a bola foi levada de um lado para o outro e dos 5 ensaios, só tivemos direito a 11 quebras-de-linha no total, com vários erros de placagem a surgir na hora de pôr fim à “dança” de alguns movimentadores de jogo, o suficiente para “estragar” o encontro aos Reds.

A equipa da casa terminou nos 94% de eficácia na placagem, mas a disposição defensiva em certos momentos (Daugunu ou Naivalu estiveram sempre demasiado em cima dos centros ou excessivamente recuados e pouco inteligentes no ataque aos pontapés) e os erros próprios alimentaram os Rebels constantemente, mesmo quando estavam na “mó” de baixo.

A somar-se a isso, a avançada dos Rebels continua numa forma impressionante em termos de maul dinâmico e trabalho na formação-ordenada, dando outra dimensão de excelência que no passado não tinha, apesar de ter em 2017 e 2018 apresentado uma 3ª linha mais móvel, rápida e participativa. Contudo, é preferível terem perdido um monstro de metros como Mafi (não era ele a causa de não ganharem as fases estáticas ou terem um maul minimamente coerente, atenção) para serem mais sérios no trabalho dos avançados como esta época tem provado.

Quade Cooper 1… Brad Thorn 0, é isto que fica para este primeiro encontro de dois entre Reds e Rebels no Super Rugby 2019.

D-MAC A 15… ENSAIOS, METROS, PONTOS, LINHAS DE JOGO E OUTRO MODO OFENSIVO

Nova vitória dos Chiefs em jogos fora, nova boa exibição de Damian McKenzie e novo avanço na tabela classificativa para a franquia de Hamilton… foi “duro” verdade, mas no final dos 80 minutos foram os Chiefs que mais mereceram sair de Buenos Aires com os 4 pontos no bolso, ante os Jaguares que deixaram a vitória escapar nos últimos 2 minutos.

Um 30-27 foi resultado de um jogo intenso, disputado até ao limite e que colocou tudo em suspenso quando os Chiefs conquistaram uma formação-ordenada nos últimos 5 metros da equipa da casa… Taleni Seu saiu bem e com um offload simples ofereceu a Te Toiroa Tahuriorang o ensaio da vitória.

Mas voltemos atrás… terá sido Damian McKenzie tão importante assim? Os números não foram tão impressionantes numa primeira análise, pois só somou 56 metros como portador de bola, 1 ensaio, 2 quebras-de-linha e 4 defesas batidos. Colocando de lado os pontapés aos postes (100% de eficácia, que significaram 15 pontos), D-Mac foi essencial em criar sucessivas boas saídas para o ataque a partir do seu três-de-trás. Comandou com excelência Sean Wainui e Solomon Alaimalo com ambos a pressionarem bem os pontapés e a criarem sucessivas dificuldades aos Jaguares na defesa à zona.

McKenzie afastado da posição de nº10, onde tem claras dificuldades em decidir o melhor momento para atacar ou passar, de sair a jogar ou de atrasar o fluxo e ritmo da estratégia ofensiva, e colocado na camisola 15 faz toda a diferença, sendo um jogador de maior dimensão técnica, focado em criar desequilíbrios, de descobrir soluções de ataque para os seus parceiros às pontas assim como de aparecer como movimentador de bola em momentos de maior fragilidade defensiva do adversário.

Colin Cooper desde que meteu D-Mac a 15 nunca mais voltou a perder qualquer jogo… já vão duas vitórias e um empate, libertando-se daquilo que foi um início de época desolador, muito negativo e que mesmo assim pode afectar o apuramento da franquia para os playoff.

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Damian McKenzie (Chiefs) – 15 pontos ao pé (3 conversões e 3 penalidades) com 100% eficácia
Melhor Placador: Tom Robinson (Blues) – 23 placagens e 2 turnovers (100% eficácia)
Melhor Marcador de Ensaios: Samisa Masirewa (Sunwolves) – 3 ensaios;
Melhor Marcador de Pontos: Damian McKenzie (Chiefs) – 20 pontos (1 ensaio, 3 conversões e 3 penalidades)
O Rei das Quebras-de-Linha: David Havili (Crusaders): 4 quebras-de-linha
O Jogador-Segredo: Semisi Masirewa (Sunwolves): 3 ensaios, 106 metros, 3 quebras-de-linha e 10 defesas batidos
Lesionado preocupante: Kieran Read (Crusaders) – 2/3 semanas
Melhor Ensaio: Tanielu Tele’a (Blues) vs Stormers: ensaio que começa num alinhamento e tem uma série de pormenores de elavado nível


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