3 Pontos do SR 2019 Ronda 16: Chiefs-Crusaders, o Blockbuster inesperado

Francisco IsaacJunho 1, 20196min0

3 Pontos do SR 2019 Ronda 16: Chiefs-Crusaders, o Blockbuster inesperado

Francisco IsaacJunho 1, 20196min0
Querem ver um jogo com uma "hemorragia" de ensaios, quebras-de-linha estonteantes e um resultado improvável aos últimos 5 minutos? Então leiam e descubram o que se passou no Chiefs vs Crusaders!

E EM 20 MINUTOS TUDO MUDOU PARA OS RELENTLESS CHIEFS

É inacreditável como os Chiefs conseguem estar em três dos cinco melhores jogos do Super Rugby 2019, demonstrando que têm o que é preciso para impressionar e deliciar os adeptos apesar da constante onda de lesões que assolou a franquia de Hamilton nos últimos 4 meses. Mais extraordinário é o facto de os comandados de Colin Cooper se recusarem a “morrer”, e em três jornadas voltam a estar com a possibilidade de chegar à fase-final da maior competição do clube do Hemisfério Sul, graças a uma vitória às custas do bicampeões, Crusaders.

Scott Robertson bem que se pode queixar da postura e da alguma sobranceria demonstrada por parte dos seus cruzados, uma vez que estiveram na frente do jogo por 20 pontos a zero, perdendo essa larga vantagem no espaço de 10 minutos de uma forma inexplicável, evidenciando vários problemas na muralha defensiva em especial na chegada da segunda cortina, sentindo-se a ausência de Matt Todd neste tipo de cobertura na defesa.

Os Chiefs apostaram bem no ataque ao canal defensivo entre Richie Mo’unga e Ryan Crotty, e é fácil de perceber que o abertura foi forçado a intervir por 15 vezes na arte da placagem, falhando o alvo e/ou o cobrir de canal por 3/5 ocasiões. Mitchell Drummond não foi o braço-direito necessário e os Chiefs mal começaram a sentir que podiam disputar o jogo, foram atrás da reviravolta de uma forma voraz.

Solomon Alaimalo, que está de regresso à sua super-forma (o defesa merecia uma oportunidade nos All Blacks), conseguiu praticamente completar 200 metros com a oval nas mãos, ferindo a defesa dos Crusaders por 5 ocasiões. O abrir espaço forçou erros e depois com um Bradd Webber em alta rotação foi chegar à área de ensaio e fazer os pontos suficientes para demolir os bicampeões em título.

É um daqueles jogos que merece ser visto uma centena de vezes, sobretudo para aqueles que querem perceber qual a diferença de nível técnico, táctico e físico que existem entre as franquias neozelandesas e as restantes. 1300 metros percorridos, 10 ensaios, 52 defesas batidos e 36 quebras-de-linha… chega para vos fazer procurar pelo jogo online?

O GRITO DE RAIVA DOS WARATAHS PODE CONDENAR O REBELS A FICAREM DE FORA?

Dupla má notícia para os Melbourne Rebels, que viram os Brumbies a limpar os Sunwolves no Japão e consentiram uma derrota completamente inesperada na recepção aos Waratahs… ou seja, a duas jornadas do fecho da fase-regular os Rebels só têm 4 pontos de distância dos ‘tahs e vêem a franquia de Canberra a escapar-se no 1º lugar com 5 pontos de vantagem. Mas como é possível que os fantásticos Rebels, liderados pelo duo dinâmico Genia e Cooper deixaram-se derrotar pelos “tristes” Waratahs?

Em poucas palavras… os Waratahs quiseram mais. Depois de semanas a serem espezinhados pelos adversários e comentadores desportivos, conseguiram este resultado graças a uma exibição de gala de Kurtley Beale (é um defesa e jogador bem mais apetrechado que Israel Folau e volta-o a demonstrar pela 5ª semanas consecutiva) no ataque e uma estupenda prestação na defesa de Michael Hooper (21 placagens) e Bernard Foley (18 placagens).

Foi um daqueles duelos titânicos da dupla Phipps-Foley e Genia-Cooper, com o abertura do costume dos Wallabies a superiorizar-se perante o mágico-louco dos rebeldes, sendo que na arte dos formações foi, como sempre, Will Genia a dar uma lição em fazer jogar.

O 20-15 é uma pequena demonstração de como estas duas equipas se encaixaram durante quase todo o jogo, sendo que foram os detalhes mais pequenos a ditarem o resultado final… mais frieza, melhor defesa e inteligência na forma como fizeram a pressão sob o canal exterior de Cooper para impedir a saída a jogar de Hodge ou Toomua (jogo um pouco apagado do potente 3/4’s multifacetado dos Wallabies).

Foi uma espécie de ressuscitar para os Waratahs que finalmente fizeram questão de elevar o nível, assumindo um protagonismo quase esquecido nesta temporada do Super Rugby, mas que podem ir a tempo de salvar a temporada com um apuramento para os playoff tudo depende se conseguem fazer conquistar duas vitórias nas últimas jornadas, mas o desafio é elevado já que quem os espera são os Brumbies e Highlanders.

NO WHITELEY, BUT WITH KWAGGA… SERÁ A RESPOSTA PROCURADA PELOS BOKS?

Os Lions copiaram os Chiefs e Waratahs nesta ronda do Super Rugby, ou seja, ressuscitaram nesta jornada tendo nas suas mãos a possibilidade de chegarem à fase-final da competição, dependendo do que conseguem ante os Hurricanes e Bulls… mas antes disso, há que aplaudir a grande exibição que realizaram ante os Stormers, numa vitória categórica por 41-22 com um jogador no centro das atenções: Kwagga Smith.

O antigo jogador dos 7’s da África do Sul recuperou de uma pequena lesão no início da época e desde então tem dominado na 3ª linha na franquia de Joanesburgo com uma postura dura, de uma agressividade demolidora na saída da formação-ordenada, uma voz de comando junto ao ruck e um predador letal no breakdown, movendo-se com destreza, velocidade e letalidade, assumindo-se como um jogador completamente diferente nos Springboks.

Ante os Stormers foi responsável por dois ensaios, 60 metros conquistados, 15 placacagens, 4 turnovers e depois todo um arsenal de liderança e ocupação de espaço que elevaram os Lions a um nível mais desconcertante e potente, conferindo outras qualidades aos Lions na ausência de Whiteley. Foi uma vitória “gorda” por 41-22, com um renascimento para Dyantyi, Mapoe, Andries Coetzee, dando uma força extra e necessária à franquia de Joanesburgo para chegar a esta fase-final em alta rodagem.

Para os Stormers será mais uma época de profunda crise, com o “adeus” à fase final pelo segundo ano consecutivo, ficando a dúvida de qual será o futuro de uma das equipas mais vibrantes da África do Sul mas que perdeu por completo a consistência defensiva e a dimensão física de outrora.

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Beauden Barrett (Hurricanes) – 15 pontos (3 conversões e 3 penalidades)
Melhor Placador: Michael Hooper (Waratahs) – 21 placagens e 2 turnovers
Melhor Marcador de Ensaios: Connal Mcinerney (Brumbies) – 4 ensaios
Melhor Marcador de Pontos: Connal Mcinerney (Brumbies) – 20 pontos
O Rei das Quebras-de-Linha: Solomon Alaimalo (Chiefs) – 5 quebras-de-linha
O Jogador-Segredo: Connal Mcinerney (Brumbies) – 4 ensaios
Lesionado preocupante: Nada a apontar
Melhor Ensaio: Adam Ashley Cooper (Waratahs) vs Rebels: um movimento clássico com uns “pós” de magia de Beale


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter