3 pontos do SR 2019 Ronda 12: Kerevi, o melhor wallaby do momento?

Francisco IsaacMaio 5, 20196min0

3 pontos do SR 2019 Ronda 12: Kerevi, o melhor wallaby do momento?

Francisco IsaacMaio 5, 20196min0
Outra grande exibição do centro australiano que voltou a conquistar 100 metros com a oval nas suas mãos. Será ele a resposta que Michael Cheika precisa para os Wallabies?

MELHOR JOGO TAKE Nº2: HIGHLANDERS VS CHIEFS E UM SUFOCO FINAL TOTAL

Não há grandes dúvidas em relação a quais têm sido os melhores jogos deste Super Rugby 2019 com os “dérbis” kiwis a subirem ao pódio. Se em Abril tivemos um Chiefs-Blues alucinantes, agora em Maio começámos com um electrizante Highlanders-Chiefs que por muito pouco não tinha um twist final, igual ao se passou no jogo da 1ª mão (os landers arrancaram a vitória nos momentos final do jogo em Hamilton).

Sem D-MAC e Broadie Retallick, os Chiefs tiveram em Luke Jacobson um dos seus melhores “operadores” de jogo, com o asa a não só apresentar-se em excelente forma na defesa, com 15 placagens (duas delas letais, sendo que Ben Smith ficou KO após sofrer com o impacto do asa) e alguns turnovers, mas em especial no ataque, surgindo com uma predisposição total para furar a defesa (3 quebras-de-linha), derrubando adversários, numa exibição recheada de pormenores e detalhes de qualidade.

O número 6 foi um quebra-cabeças para os Highlanders, que estiveram na frente do resultado durante mais de 50 minutos, chegando a ganhar por 28-10 quando faltavam 20 minutos para fechar o encontro, com a revelação Josh Ioane a animar o encontro a partir de uma série de pormenores técnicos.

Porém, uma postura pouco agressiva e displicente abriu espaço para o ressurgimento dos Chiefs que em 20 minutos fizeram 19 pontos, oferecendo uns últimos 4 minutos frenéticos que tanto podiam ter dado a vitória aos Chiefs como aos Highlanders (Tevita Li não acelerou quando devia e ficou a metros de chegar à área de ensaio naquele que podia ter sido o ensaio da vitória). Foi uma autêntica “montanha-russa” de emoções, pormenores, jogadas, falhas e suspiros que ofereceram mais um “show” de Super Rugby aos fãs da modalidade.

SHARKS: UMA EXIBIÇÃO EXEMPLAR A DEFENDER E A REAGIR PARA “EMPATAR” OS CAMPEÕES

Por muito pouco não havia surpresa em Christchurch, uma vez que a equipa da casa salvou a honra com um ensaio para lá dos 80 minutos, depois de ter estado a perder durante mais de 50 minutos frente aos Sharks.

Num jogo que marcou a 150ª aparição de Kieran Read ao serviço dos Crusaders (no final também coleccionou o prémio de melhor jogador), os bicampeões do Super Rugby foram inconsistentes, desequilibrados e pouco eficientes para ultrapassar a extraordinária defesa da formação de Durban que realizaram 170 placagens, terminado com 90% de eficácia neste parâmetro, para além da excelente entrega no breakdown.

A franquia sul-africana apresentou-se com excelência no ataque ao ruck castigando sucessivamente o portador da bola adversário, arrancando 10 penalidades neste sector. O trabalho excelso no breakdown foi fundamental para os Sharks atacarem os postes, oferecendo várias oportunidades a Curwin Bosch para converter as penalidades em pontos, com o médio-de-abertura a conseguir 21 pontos ao pé, apesar de ter falhado outros três que até podiam ter oferecido a vitória.

Dan du Preez, Phillip Van der Walt, foram autênticos “cães-de-caça” sempre predispostos a trabalhar detalhadamente no ataque ao ruck, aguentando bem as cargas da avançada dos Crusaders que pareceu “cansada” e pouco motivada a fazer o trabalho de limpeza e garantia de uma boa plataforma para atacar.

Foi também na forma como a bola foi tratada que os neozelandeses perderam boas oportunidades para não só avançar no terreno como marcar ensaios, com sucessivas más decisões e falta de “letalidade” imposta por George Bridge, Will Jordan e Sevu Reece. Mitch Hunt ofereceu o empate no final do jogo, mas nunca foi a unidade mais estável no que toca a ditar “regras” e movimentações, constantemente anulado pela defesa intensa e soberba dos Sharks.

Conseguirá a equipa de Durban chegar ao 1º lugar da fase sul-africana depois de mais uma boa exibição a defender? Ou foram os últimos “foguetes” nesta recta final de época?

SAMU KEREVI: O PROVÁVEL REI DOS 3/4’S DOS WALLABIES?

Os Reds voltaram a ganhar neste Super Rugby e já contam com 22 pontos, estando a apenas 4 de igualar a temporada passada quando faltam ainda 5 jogos para o fim da fase regular.

Numa vitória (quase) incontestável ante os Sunwolves, que foram vítimas de uma indisciplina total por parte dos seus jogadores – e algum excesso de zelo de Angus Gardener na hora de mostrar cartões -, a formação de Queensland teve em Samu Kerevi o líder perfeito, para além da estreia auspiciosa de Jock Campbell (150 metros com a oval nas mãos… foi a estreia do atleta de 23 anos).

O centro tem se apresentado numa forma espectacular nesta temporada e os dados que apresenta nas estatísticas oficiais do Super Rugby ajudam a provar: 154 portagens de bola (é o jogador que leva mais a oval); 18 quebras-de-linha (é o 4º com mais);  47 defesas batidos (o melhor também aqui); 631 metros conquistados (é o 5º da lista); e 50 vezes a linha de vantagem ganha.

É impossível não afirmar que Kerevi é neste momento o 3/4’s australiano em melhor forma, onde aquele poder físico total no impacto e a capacidade de não só procurar mas explorar com eficácia espaços têm oferecido aos Reds uma plataforma de ataque preciosa numa época já de muitos altos e baixos. Frente aos Sunwolves rubricou nova exibição em grande com 100 metros de conquista, 7 defesas batidos e 3 quebras-de-linha, dando a perceber que é um alvo difícil de parar na primeira cortina defensiva, aguentando as insistências iniciais dos seus placadores.

Portanto e olhando para o que tem sido a época das franquias australianas, em termos de jogadores das linhas atrasadas, Kerevi é quem está melhor a par de Will Genia, Thomas Banks (bons números e uma das razões do crescimento dos Brumbies nestes últimos jogos), Quade Cooper (começou bastante bem mas nos últimos jogos tem vindo a desaparecer e a perder influência nos Rebels) e esse poderá ser um factor fundamental para conquistar um lugar nas escolhas de Michael Cheika no XV titular da Austrália.

Conseguirão os Reds igualar a época passada já na próxima jornada, num encontro frente aos Rebels? E Kerevi vai chegar a 1km de metros com a oval em seu poder?

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Curwin Bosch (Sharks) – 21 pontos (7 penalidades – 80% eficácia)
Melhor Placador: Ardie Savea (Hurricanes) – 19 (100% eficácia)
Melhor Marcador de Ensaios: Folau Fainga’a (Brumbies) – 3
Melhor Marcador de Pontos: Curwin Bosch (Sharks) – 21 pontos (7 penalidades)
O Rei das Quebras-de-Linha: Jock Campbell (Reds), Cameron Clark (Waratahs) e Curtis Rona (Waratahs) – 4
O Jogador-Segredo: Jock Campbell (Reds) – 150 metros conquistados, 4 quebras-de-linha e 6 defesas batidos
Lesionado preocupante: Ben Smith (Highlanders) – 2 semanas máximo;
Melhor Ensaio: Vaea Fifita (Hurricanes) vs Rebels: quando os avançados fazem de 3/4’s


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