3 pontos do SR 2019 Ronda 10: Brumbies e Reds “renascem”

Francisco IsaacAbril 21, 20196min0

3 pontos do SR 2019 Ronda 10: Brumbies e Reds “renascem”

Francisco IsaacAbril 21, 20196min0
Os "meninos" de Brad Thorn saíram de Durban com 4 pontos e podem se intrometer na luta pelo playoff. Reds e Brumbies no centro da nossa análise da 10ª jornada do Super Rugby

REDS E BRUMBIES… UMA VITÓRIA PARA OS PLAYOFF OU UM GANHAR SEM JUSTIÇA?

Como é que duas equipas australianas saem da África do Sul com a vitória depois de realizarem exibições entre o paupérrimo e o medíocre (a nível ofensivo)? Bem, a resposta está na defesa… e na fraca eficácia demonstrada tanto pelos Sharks e Stormers. A franquia de Durban nunca teve mão para parar as “crianças” irrequietas de Brad Thorn, com Samu Kerevi a liderar com uma imensidão física inegável para além das revelações Hamish Stewart, Chris Feauai-Sautia ou Lukhan Salakaia-Loto.

Erros e erros, a começar na forma como Robert du Preez (pai) optou por tentar jogar, numa aposta inicial errada no jogo ao pé, para depois tentar de forma excessiva jogar ao largo logo após uma 2ª fase. Os Reds não foram verdadeiramente sensacionais, mas realizaram uma exibição compacta, séria e competente arriscando bem nos momentos críticos do encontro.

Mais uma vez, os Sharks apresentaram falta de maturidade e inteligência, ficando muito entregues à qualidade individual de Curwin Bosch ou de Dan du Preez, entrando a certa altura num descontrolo emocional total e preocupante.

Os Brumbies pela sua vez não atacaram praticamente, como provam os 140 metros com a bola nas mãos. Contudo, na defesa foram os melhores da ronda com 200 placagens completas em 224 tentativas… para os Stormers foi uma barreira impossível de passar especialmente nos últimos 10 metros, com a formação de Canberra a unir-se a um ponto genial para maniatar qualquer tentativa de rasgo individual ou combinação colectiva da equipa da Cidade do Cabo.

Sem David Pocock liderar (Pete Samu foi o nº8 neste jogo e mostrou-se com a versatilidade do costume) podia parecer impossível os Brumbies ganharem pontos na África do Sul, mas a verdade é que no final dos 80 minutos saíram com uma vitória por dois pontos, num 19-17 inesquecível.

Duas lições de underdogs da jornada que afinal podem ainda chegar à fase-final…

FRIZELL, JACOBSON, ROBINSON… E PORQUE NÃO PAPALI’I?

Quem vai ser o (futuro) detentor da camisola nº6 dos All Blacks? Esta tem sido uma das grandes discussões desde que Jerome Kaino abandonou a Nova Zelândia em 2018 e não há dúvidas que é uma questão que merece atenção. Nos últimos três anos alguns potenciais substitutos têm surgido como candidatos, caso de Luke Jacobson, Shannon Frizell, Vaea Fifita ou Liam Squire, com cada um destes atletas a apresentar credenciais para se assumirem como uma nova força no rugby neozelandês.

Contudo, porque não Dalton Papali’i? Sim, o asa dos Blues tem jogado quase totalmente na posição de nº7 com o rookie Tom Robinson a tomar controlo da camisola nº6 nesta temporada, mas Papali’i tem tudo para se assumir como um asa multifacetado, dotado não só de força e capacidade de bloquear bem os seus adversários como de ler a estratégia ofensiva de quem está do outro lado, algo que Robinson ainda apresenta grandes problemas (normal para quem só chegou agora ao Super Rugby).

Frente aos Highlanders, Papali’i foi um “monstro” na defesa, dominador na placagem impedindo que Tomkinson, Faddes ou Ben Smith (continua um senhor com e sem a bola nas mãos) conseguissem encontrar uma brecha nos canais mais “abertos” de jogo.

É letal na formação-ordenada, veloz a bloquear qualquer jogada que começasse em Josh Ioane e ainda mais “agressivo” quando havia tentativa de explorar o canal entre Nonu e Otere Black. E não esquecendo da sua qualidade de lutar no breakdown ou de disputar energicamente os pontapé do adversário.

É um daqueles asas destinados à grandeza, fadado para ser um castigo para o adversário e pronto para se assumir como um leal defensor da causa dos All Blacks. Conseguirá chegar à camisola nº7 dos All Blacks ou, porque não, ser a resposta para o outro lado do scrum?

SUNWOLVES… O QUE LHES FALTA PARA PODER SONHAR?

Como é que os nipónicos dos Sunwolves saem para o intervalo a ganhar por 23-07 para depois perderem por 23-29? “Pernas”, ou seja, falta de fôlego para aguentar o nível e intensidade física demonstrada pelos Hurricanes, que mostraram-se algo perdidos na primeira-parte, para depois apresentarem pinceladas do seu melhor rugby na ausência de Beauden Barrett, Ardie Savea ou Jordie Barrett.

A equipa da casa teve uns primeiros 40 minutos de alta qualidade, com Semisi Masirewa a dar um autêntico show à ponta, entre arrancadas imparáveis a entradas no contacto totalmente “agressivas” que puseram Du Plessis Kirifi, Vaea Fifita a andarem para trás, quando se esperava uma resposta de qualidade de ambos avançados dos ‘canes. Com Hayden Parker a dar um recital ao pé e na transmissão de ordens (um regresso ao rugby neozelandês poderia ser interessante para todos os lados), os lobos do Japão foram somando pontos e criando um certo pânico da franquia kiwi.

Todavia, e como já referimos logo ao início, a 2ª parte acabou por ser “mortal” para os japoneses que não tiveram capacidade de acompanhar o maior ritmo do jogo à mão dos neozelandeses, estes a montarem uma estratégia que começa nos típicos offloads para depois se seguirem pontapés “venenosos” para as costas da defesa com Wes Goosen a aproveitar um desses para chegar ao ensaio por exemplo.

Os Sunwolves têm tudo para ser uma grande revelação do Hemisfério Sul ainda esta edição e na próxima (a partir de 2021 já não constam no Super Rugby) e só falta acertarem este pormenor da gestão física para atingirem outro patamar. Uma atenção especial para o facto de terem na box dos lesionados cerca de 10 atletas, o que forço o poderoso nº8 Warren-Vosayaco a actuar como centro… e até esteve bem para quem nunca antes tinha jogado nesta posição a este nível!

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Elton Jantjies (Lions) e Bernard Foley (Waratahs) – 13 pontos (100% de eficácia)
Melhor Placador: Rory Arnold (Brumbies) – 24 placagens (92% de eficácia) e 2 turnovers
Melhor Marcador de Ensaios: Samisa Masirewa (Sunwolves) – 2
Melhor Marcador de Pontos: Elton Jantjies (Lions), Hayden Parker (Sunwolves) e Bernard Foley (Waratahs) – 13 pontos
O Rei das Quebras-de-Linha: Samisa Masirewa (Sunwolves) e Rieko Ioane (Blues) – 4
O Jogador-Segredo: Nada a Apontar
Lesionado preocupante: Jack Debreczeni (Chiefs): não há previsão para o tempo da lesão
Melhor Ensaio: Sean Wainui (Chiefs) vs Lions: começa tudo numa manha de Brad Webber e é imparável a partir daí o ataque dos Chiefs


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