3 pontos do SR2019 Ronda 1: “novos” Blues, Top Kriel e o mesmo Cooper

Francisco IsaacFevereiro 16, 20197min0

3 pontos do SR2019 Ronda 1: “novos” Blues, Top Kriel e o mesmo Cooper

Francisco IsaacFevereiro 16, 20197min0
Entre Quade Cooper mandar "calar" as bancadas, os Blues a voltarem a placar (à séria) e Brits regressar à competição, o Super Rugby 2019 voltou em grande! Fica a saber o melhor da 1ª Ronda!

Acompanha todo o pós-ronda do Super Rugby aqui no Fair Play com a análise a três ou cinco pontos da maior competição de clubes do Mundo!

BLUES “AGRESSIVOS” POR POUCO NÃO FAZIAM A SURPRESA DA RONDA…

Foi por uma “nesga” que não havia escândalo em Auckland, com os Crusaders a fugirem da “casa” dos Blues com uma vitória por dois pontos, graças a dois pontapé falhados de Harry Plummer aos 73′ (conversão não completa do ensaio de Pulu) e 77′ (penalidade não convertida) naquilo que foi uma subida de forma, qualidade de jogo e “agressividade” correcta na defesa (boa pressão sem subidas loucas e sempre com controlo de jogo) da franquia de Auckland.

O que faltou? Mais acerto na defesa do maul dinâmico, onde sofreram um ensaio de penalidade (uma infantilidade de Tom Robinson ao sair do eixo e saltar directamente para o portador da bola impedindo a progressão legal do maul) e no controlo da formação-ordenada (outro ensaio de penalidade), dois detalhes que acabaram por ser nocivos no final das contas: 14 pontos!

Curiosamente, os Blues fizeram menos faltas (11 contra 13), tiveram mais posse de bola (64% e 468 metros conquistados contra 250!) e território (65% contra 35), conquistaram todos os seus alinhamentos e trabalharam bem melhor no contacto que os Crusaders, com apenas 7 perdas de bola/avants. Em comparação com o que os Blues fizeram em 2017 e 2018 frente aos bicampeões do Super Rugby, foi bastante melhor e possivelmente não estão assim tão longe do nível dos saders, apesar de existirem algumas diferenças.

Mo’unga esteve em baixo, sem a mesma capacidade de explosão, ritmo e intensidade de jogo, mas George Bridge, Braydon Ennor (fixem bem este nome, pois o centro de 21 anos tem a capacidade para superar Ryan Crotty no curto-prazo), Scott Barrett e Matt Todd (25 placagens, 3 turnovers… é preciso mais?) conseguiram colar o colectivo durante os 80 minutos resistindo bem aos sucessivos ataques dos Blues para terminar com quase 175 placagens efectivas em 190.

Claro que a grande pergunta vai para: e então Ma’a Nonu como foi? Mediano no máximo, muito por culpa da estratégia optada pelos Blues em termos de ritmo atacante, uma vez que o centro assumiu-se mais como um “moinho” estático (a criar e a entregar bons passes mas sem fazer mais que 5 metros no final das contas), o que abriu caminho para John Collins e Akira Ioane. O nº8 fez 100 metros e começa a época a abrir, com um belo ensaio posto debaixo dos postes, sendo uma constante dor de cabeça na saída da formação-ordenada e no espaço curto.

No final de contas, o que separou os Blues da vitória ou empate foi o falhar de oportunidades claras para fazer pontos, mas as melhorias estão à vista… há 6 anos que os Blues não ficavam tão perto de ganhar aos Crusaders (28 de Fevereiro de 2014 foi a última vez que a franquia de Auckland conquistou uma vitória ante a de Christchurch).

QUADE COOPER ESTÁ DE VOLTA (PARA O MELHOR E PIOR)

Consegue ser autor de pormenores geniais, com um sidestep e uma visão de jogo daquelas só ao nível dos maiores virtuosos da modalidade, como tem o dom de ser o maior instigador da revolta dos adversários, ficando no ar um jogador altamente arrogante e prepotente.

É só ver a foto no final do jogo frente aos Brumbies, com Quade Cooper a virar-se para o público que marcou presença em Canberra, fazendo continuamente um sinal de “silêncio” ou “calem-se”, algo tão característico do abertura australiano como os seus pontapés mágicos ou detalhes à mão geniais.

No seu primeiro jogo de regresso ao Super Rugby depois de um ano de ausência, Quade Cooper foi responsável por 9 pontos ao pé, tendo apenas falhado um que até era de conversão relativamente fácil. Mas o seu papel no mexer no “fio” de jogo, a intensidade que colocava nas movimentações das linhas atrasadas e o capricho em criar constantes solicitações dos seus colegas mais próximos, catapultou os Rebels para uma vitória justa na 2ª parte.

Nos primeiros 40 minutos o encontro foi intenso e bem jogado, com ambas as formações a marcar ensaios e a lutarem pelo domínio do território, sem que ninguém conseguisse ter a última palavra. Mas após o intervalo o papel de dínamo das movimentações de ataque de Will Genia foi fulcral para quebrar com a barreira defensiva dos Brumbies, que se viram desde cedo privados do seu melhor defesa: David Pocock (possivelmente vai ficar entre 2 a 3 semanas de fora).

Com Genia a coordenar (e assistir por três vezes para o ensaio, uma delas com um pormenor incrível ao pé), Maddocks a correr e Quade Cooper a criar constantes fissuras na linha defensiva, os Rebels saíram do AMI Stadium com uma vitória merecida.

Os Wallabies desesperam por opções para a camisola nº10, necessitando de ter alguém que faça concorrência directa contra Bernard Foley, e Cooper tem de ser esse jogador. O regresso à competição foi de qualidade, jogando excelentemente bem ao lado de Will Genia, o que parece antever uma possível parceria para o que vem aí em 2019 para a Austrália.

KRIEL ATTACK COM EFICÁCIA DE 100% DE POLLARD

Que entrada nesta temporada de Jesse Kriel, com o centro dos Bulls de Pretória a marcar um ensaio, assistir para outros dois (num dos quais com uma classe excepcional), com duas quebras-de-linha e 3 defesas batidos no final dos 80 minutos. Kriel foi sempre a “arma” favorita dos Bulls para atacar a (pobre) linha defensiva dos Stormers, surgindo sempre em alta velocidade, atirando toda a sua força e genica contra os placadores adversários.

Ganhou a linha de vantagem por 6 ocasiões, galgando pouco mais de 30 metros mas todos eles de máxima importância, uma vez que abriu o espaço suficiente para criar as oportunidades necessárias para que Rocko Speckman (o ex-estrela dos 7’s da África do Sul foi um deleite de ver jogar, sempre pronto para um novo pico de corrida e um sidestep complicado de ler) e John-Ben Kotze fizessem ensaios.

No meio disto tudo, há o factor Handré Pollard, com o médio-de-abertura a criar magia neste jogo de abertura do Super Rugby para a franquia de Pretória. Seja ao pontapé (está intratável no acertar dos postes, com uma eficácia de 100%), à mão ou a dar “ordens”, assumindo-se sem dúvida alguma como o nome forte dos Bulls e essencial para não só desbloquear certas situações, mas também para criar um sentimento de coesão total.

Os Bulls foram autênticos gigantes e entram na conferência Sul-Africana a “matar”, destruindo por completo os DHL Stormers como prova o resultado por 40-03, um dos resultados mais desnivelados de sempre entre estas duas equipas!

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Handré Pollard (20 pontos e 100% – 8 pontapés)
Melhor Placador: Matt Todd (Crusaders) – 25 placagens (97%)
Melhor Marcador de Ensaios: Marnus Schoeman (Lions) com 3 ensaios
Melhor Marcador de Pontos: Handré Pollard (Bulls) – 20 pontos
O Rei das Quebras-de-Linha: Matt Fades (Highlanders) e Braydon Ennor (Crusaders) – 3
O Jogador-Segredo: Etene Nanai-Seturo (2 ensaios na estreia pelos Chiefs)
Lesionado preocupante: David Pocock (saiu aos 3 minutos de jogo)
Melhor Ensaio: Akira Ioane vs Crusaders


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