3 destaques do pré-RWC 2019 III: Tuilagi “de volta” e os Boks de Erasmus

Francisco IsaacAgosto 27, 20196min0

3 destaques do pré-RWC 2019 III: Tuilagi “de volta” e os Boks de Erasmus

Francisco IsaacAgosto 27, 20196min0
A "besta negra" do par de centros da Inglaterra está de volta com Manu Tuilagi a assumir o papel de rolo compressor contra a Irlanda. Será ele uma das chaves do sucesso inglês? A 3ª semana pré-mundial analisada

A Irlanda teve uma oportunidade de ouro para chegar ao 1º lugar do Ranking da World Rugby mas sem que nada o previsse bateu contra um comboio inglês comandado por Eddie Jones, e que teve em Manu Tuilagi um dos seus eixos mais destruidores. Este é um dos três destaques desta 3ª semana de pré-Mundial 2019!

TUILAGI PARA BATER, MOER E ABRIR CAMINHO ATÉ AO ENSAIO

57-15… este foi um dos resultados mais desnivelados dos últimos 30 anos em jogos entre Inglaterra e Irlanda, com os jogadores de Sua Majestade a darem um show espectacular tanto a atacar como a defender, quase humilhando por completo os comandados de Joe Schmidt, o que lança um manto de dúvidas em relação ao futuro do Trevo em 2019. Mas vamos destacar quem saiu por cima, a Inglaterra.

Jogo impressionante, quase a roçar a perfeição denotando-se um domínio completo nas fases estáticas, conseguindo mesmo desmantelar o bloco avançado da Irlanda, onde o 5 da frente inglês impôs uma pressão letal para depois Billy Vunipola aproveitar para sair sempre com espaço. Se os avançados corresponderam de forma excelsa no jogo “pesado”, também foram preponderantes nas combinações, no apoio (Sam Underhill pareceu andar “escondido”, mas foi essencial no garantir da manutenção da posse de bola no breakdown) e no bater no contacto, como George Kruis, Tom Curry ou Maro Itoje fizeram com qualidade.

E as linhas atrasadas? Bem, Cokanasiga (para os curiosos lê-se “Thokanasiga” de acordo com os fijianos residentes em Portugal) voltou a marcar mais pontos, dois ensaios de belo efeito demonstrando que sabe estar no sítio certo à hora certa, George Ford parece estar cada vez mais confiante empurrando e bem Owen Farrell para o lugar de 1º centro (boa exibição do capitão da Inglaterra), Elliot Daly vai imperando lá atrás onde os pontapés bem colocados e capacidade de bater a linha-de-vantagem fazem completa diferença… mas de todos estes o destaque tem de ir para Manu Tuilagi. Depois de anos carregado de lesões e problemas físicos, o poderoso centro tem conseguido crivar as suas “garras” por um lugar no XV de Eddie Jones, de forma merecida.

Frente à Irlanda foi um dos responsáveis pelo desmantelamento da estratégia defensiva de Andy Farrell, conquistando consecutivamente a linha-de-vantagem com 10 conquistas em 11 tentativas, aparecendo bem na movimentação de passes rápidos ou para aproveitar e seguir directo até à área de ensaio. Difícil de defender e ainda mais difícil de passar por, com placagens não só assertivas mas também dominantes, impondo aquela fisicalidade e impacto à lá família Tuilagi, o centro foi um dos melhores da tarde.

Com os 31 jogadores mais que escolhidos, a Inglaterra vai para o Mundial como uma das favoritas à sua conquista, estando ao mesmo nível da Nova Zelândia e África do Sul. Com Tuilagi, Itoje, George, Cokanasiga e os restantes em forma, vai ser difícil de parar esta Rosa.

RASSIE ERASMUS JÁ TEM OS SEUS 31 BOKS…SEM SURPRESAS!

Ponto final na especulação de quem Rassie Erasmus ia escolher para representar a África do Sul no Mundial de Rugby e a única dúvida ou incerteza ficou pela ausência de Aphiwe Dyantyi. O ponta dos Lions não tem atravessado um bom período de forma e depois de algumas recaídas e fracas recuperações a uma pubalgia, ficou mesmo de fora dos Springboks… a somar aos problemas físicos, Dyantiy foi apanhado nas “teias” do doping, estando neste momento a lutar para provar a sua inocência.

Para além do ponta, não houve mais nenhum caso escandaloso de exclusão, uma vez que Rassie Erasmus já sabia bem quem eram os 31 jogadores essenciais para a África do Sul fazer um mundial de topo. Rynhardt Elstadt, Lizo Gqoboka, Damian Willemse, Dillyn Leyds, Andre Esterhuizen ou Dan Du Preez são alguns dos jogadores que tiveram o azar de não conseguir uma chamada para um Mundial, mas na verdade não tinham lugar no XV titular e dificilmente seriam solução para os jogos de maior dificuldade, que no fundo é o que importa numa campanha de Mundial.

E o que há mais para dizer dos convocados? É, sem dúvida, uma das selecções mais compactas e consistentes dos últimos 4 anos nos Springboks, bem preparada e trabalhada para chegar ao topo do topo do Mundo do Rugby, sendo que existem algumas dúvidas de maior… como resolver caso Handré Pollard tenha um problema físico, já que Elton Jantjies não tem os mesmos atributos que o actual titular na posição de médio-de-abertura? E a 3ª linha conseguirá oferecer ao jogo mais do que fisicalidade pura, dimensão na placagem e segurança no apoio?

Erasmus está confiante no grupo edificado e a pouco mais de 20 dias para o início da prova, os boks apresentam uma equipa pronta para lidar com todos os obstáculos que surjam à sua frente!

NEM ARDRON NEM DTH VAN DER MERWE SERVIRAM… QUAL É O FUTURO DO CANADÁ?

Neste período de preparação para o Mundial de Rugby decorrem não só jogos entre selecções mas também entre selecçõs e clubes, como aconteceu com o Canadá ou Tonga no passado fim-de-semana. Se a selecção do Pacífico derrotou a equipa da Western Force por uma margem de 5 pontos, já o Canadá não teve a mesma sorte, terminando como derrotada na recepção aos campeões do PRO14, o Leinster.

35-38 com vantagem para os irlandeses é um resultado que acaba por adensar as preocupações em torno da selecção canadiana, que mesmo munida de alguns nomes conhecidos do Mundo do Rugby como Tyler Ardron (um dos melhores 2ªs linhas do Super Rugby), DTH Van der Merwe (histórico ponta com 37 ensaios marcados em 56 jogos) ou Ciaran Hearn, não foi suficientemente hábil para derrotar o Leinster que não pôde ter 50% dos seus melhores jogadores em campo.

O Canadá já tinha registado um Pacific Nations Cup pobre, com uma má consistência de jogo, uma fragilidade geral no aguentar a posse de bola, onde a interpretação ou adaptação do e ao adversário não foi (e continua a ser ) suficientemente leste para ultrapassar os adversários, são só alguns dos problemas que estão a incomodar os canucks.

Kingsley Jones tem tentado remar contra este marasmo, mas é verdade que tem em mãos uma selecção inexperiente, que transita de atletas recheados de internacionalizações para vários jogadores que ainda não passaram por um verdadeiro teste de fogo… o problema é que o tempo de preparação está a terminar e o Mundial não é o local ideal para fazer experiências.


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