3 Destaques da 9ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacAbril 20, 20216min0

3 Destaques da 9ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacAbril 20, 20216min0
Vai ser até ao fim a luta pela meia-final no Super Rugby AU e contamos o que se passou na maior competição de franquias australiana

Estamos a uma jornada de fechar a fase regular do Super Rugby AU e a Western Force ainda pode sonhar com o apuramento, apesar dos Melbourne Rebels terem a vantagem na mão! A análise ao que se passou por terras australianas explicadas neste artigo.

O DESTAQUE: WESTERN FORCE

Tão perto vão ficar a Western Force de chegar à meia-final do Super Rugby AU, sendo que esse cenário é algo improvável pois dependem de uma vitória dos Waratahs na recepção aos Rebels e de conseguirem eles mesmos derrubar os Reds, uma missão hercúlea e praticamente impossível de se realizar. Porém, a franquia de Perth, que passados 4 anos voltou a estar entre os seus pares australianos, mostrou qualidade suficiente para ter direito a se pronunciar em futuras competições, formatando a equipa no sentido positivo com reforços de qualidade que têm ajudado a mudar certos aspectos de uma equipa algo “perdida” e incapacitada para ganhar consecutivamente, com os casos de Domingo Miotti, Tom Robertson, Jordan Olowofela, Jacke McIntyre ou Rob Kearney a serem demonstrações positivas na secção de contratações.

Veja-se o quão influente se tornou Miotti no processo de jogo da Force, especialmente no jogo ao pé, com o abertura argentino a converter os 3 pontos finais que selaram a vitória quando o cronómetro já ultrapassava os 85 minutos, dando novamente 4 pontos naquele sufoco final, e isto prova a evolução e crescimento a nível mental e físico de uma formação que parecia destinada ao fracasso em 2020. Sem dúvida que os 30 pontos sofridos às mãos dos Waratahs e as 40 placagens falhadas no decurso deste encontro decisivo para a manutenção das aspirações são pontos preocupantes para o presente e futuro, mas se olharmos para a capacidade de avançar no terreno, de deter uma boa formação-ordenada e saber conduzir o jogo através de processos de qualidade (não a partir do risco e sim de movimentações mais controladas e pensadas), percebemos que é uma Western Force diferente, revolucionada e, com tempo, poderá discutir mais com os Reds e Brumbies, caso o Super Rugby AU continue.

Terceira vitória na temporada, 458 metros de conquista, três ensaios (dois perdidos em mauls pouco lógicos), controlo de território e posse de bola, são destaques minimamente importantes de uma Force com vontade de chegar às meias-finais do Super Rugby AU.

O “DIAMANTE”: CARLO TIZZANO (WARATAHS)

Uma média de quase 20 placagens e 1 turnover por jogo, chega para finalmente destacar o asa dos Waratahs, Carlo Tizzano, que no seu ano de afirmação no Super Rugby AU tem revelado uma componente física monstruosa e um aptidão para se sacrificar constantemente pela equipa, fazendo o lugar de 1 ou 2 placadores extra dentro de campo. Frente à Western Force, o nº6 foi capaz de placar efectivamente por 27 ocasiões, tendo só falhado uma pelo caminho, enchendo a linha-defensiva dos tahs com destreza, eficácia e agressividade física, algo que tem escasseado nestas últimas temporadas, impondo-se como uma força temerária no caminho de qualquer jogador que detenha a posse de bola e tente ir de encontro a este 3ª linha de 21 anos.

Se há ainda aspectos a melhorar na luta no breakdown e no subir em falso na linha-de-defesa, onde comete algumas penalidades, já no que toca à qualidade da placagem e ao forçar de erros de quem a transporta está perto de um ponto máximo, merecendo o claro destaque de ser um dos melhores defesas da actualidade no rugby australiano, como se vê pela média de placagem, a presença física e o papel de se dobrar continuamente na manobra defensiva para garantir o melhor cenário possível para os Waratahs, mesmo que não funcione sempre.

Este é Carlo Tizzano, o asa que começou a carreira profissional na Western Force e que agora procura ser uma das novas referências dos Waratahs, e esta franquia bem o precisa.

O “DIABRETE”: OS 2 CANDIDATOS E OS OUTROS

Falámos do quanto a Western Force merece passar à próxima fase do Super Rugby AU e também temos de elogiar a exibição dos Melbourne Rebels na recepção aos Brumbies, ficando muito perto de impor uma 3ª derrota aos campeões em título. Todavia, e apesar do esforço e da capacidade de surpreender destas duas franquias, seria errado não admitir que existe uma clara diferença entre os dois primeiros classificados para os restantes adversários do Super Rugby AU e, esse pormenor, poderá ser tóxico ou nocivo para o futuro do rugby australiano, seja em termos de desenvolvimento de novos atletas ou de garantir um nível competitivo de alta e franca qualidade.

O fechar sobre si mesmos e montar a sua liga privada usando o nome “Super Rugby” de uma forma pouco admissível, algo partilhado com os seus “irmãos” da Nova Zelândia, vai criar nefastos problemas a médio e longo-prazo, pois o facto de jogar contra os mesmos todos os anos só vai criar um aborrecimento não só do público do estádio ou em casa, mas também dos jogadores, que conhecendo bem o adversário começam a não desenvolver outras características, levando assim a uma estagnação e um esmorecer de certas capacidades.

Este miasma que existe entre Brumbies e Reds e os restantes é um claro exemplo do porquê de que ligas privadas ou menores não funcionam a longo curso, sobretudo em desportos que se vêem em “guerra” constante com outros, necessitando de se expandir, puxar novos mercados e desenvolver uma competição mais abrangente e com outras apetências, mesmo que não seja com a mesma qualidade em alguns dos encontros e assim se explica a inclusão de Moana Pacifika e Fijian Drua já a partir de 2022.

Waratahs, Force e Rebels estão cada vez mais longe dos seus rivais porque o seu rugby estagnou e o fluxo de jogadores não é tão intenso e brilhante como em outros tempos… sinais dos tempos?

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Domingo Miotti (Force) – 16 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Western Force – 31 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Vários – 1
Melhor placador: Carlo Tizzano (Waratahs) – 27 (1 falhada)
Maior diferencial no ataque (jogador): Tom Wright (Brumbies) – 1 ensaio, 100 metros, 2 quebras-de-linha e 3 defesas batidos


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