15 jogadores que disseram “adeus” em 2018 ao Mundo do Rugby

Francisco IsaacOutubro 4, 201815min0

15 jogadores que disseram “adeus” em 2018 ao Mundo do Rugby

Francisco IsaacOutubro 4, 201815min0
Desde lesões antecipadas a reformas tardias, esta lista compila 15 jogadores que decidiram pôr um fim às suas carreiras no Mundo do Rugby em 2018. Qual vais ter mais saudades?

2018 foi um ano de várias despedidas com atletas tanto do Hemisfério Sul ou Norte a meterem as botas no armário, a arrumarem a boqueira na gaveta e a pendurarem a camisola num lugar mais alto. De lendas inesquecíveis a atletas que foram grandes nos seus clubes sem terem provado (muito) do rugby de selecções, esta é a nossa compilação de jogadores que se retiraram do Planeta da Oval.

Destacamos o nome do jogador, o clube pelo qual mais jogou e o país pelo qual actuou a nível de test match

WYATT CROCKETT (CRUSADERS – NOVA ZELÂNDIA)

Uma das maiores lendas do rugby neozelandês de sempre, Wyatt Crockett foi um dos principais paladinos de defesa do rugby kiwi sendo o primeiro a disponibilizar-se para defender e placar tudo até que o corpo “desligasse da tomada”. Um pilar duro, complicado de dar a volta na formação-ordenada e que era quase impossível de tirar da frente no alinhamento, Crockett marcou uma geração no rugby neozelandês.

Fez 71 jogos pelos All Blacks, conquistando dois mundiais e vários Rugby Championship’s pelo caminho (fez parte também daquele recorde das 18 vitórias consecutivas) e retira-se como o jogador com mais jogos e títulos no Super Rugby (considerando só o século XXI em troféus e 202 jogos como atleta).

Saudades imensas vai deixar o recordista, também, de faltas anual!

RICHARDT STRAUSS (LEINSTER – IRLANDA)

Nascido na África do Sul, mas com o sangue a bater pela Irlanda para sempre…. Richard Strauss prestou serviço ao Leinster durante 9 temporadas, recheadas de títulos, grandes memórias e sucessos inesquecíveis. Chegou aos 23 anos à terra do Trevo e marcou uma era no Leinster de O’Driscoll e Jonathan Sexton, assumindo a titularidade na camisola 2 durante largos anos.

Em termos de selecção, completou 17 encontros pela Irlanda, maioritariamente como suplente a substituir o talonador que ainda vigora no XV de Joe Schmidt, Rory Best! Strauss será lembrado pela força e fisicalidade demonstrada na primeira-linha, uma enorme capacidade de “magoar” o adversário e um atleta que tinha mais para dar, mas que sentiu que era a sua hora de sair.

Aos 32 anos, conquistou tudo a nível de clubes faltando-lhe atingir as meias-finais pela Irlanda em Mundiais!

ADAM JONES (OSPREYS- PAÍS DE GALES)

Aquele pilar “bolachudo” que parece que não faz mal a ninguém, vai deixar uma eterna saudade quer no campo dos Harlequins ou na selecção do País de Gales. Aos 37 anos o simpático e carismático Adam Jones pôs um fim numa carreira que teve de tudo.

Um dos episódios mais extraordinários aconteceu a 8 de Outubro de 2016 quando os Harlequins chamaram-no à última da hora para o confronto frente aos Northampton Saints. Jones estava a caminho de casa e a meio do trajecto recebeu a tal chamada… só teve tempo de dar a volta ao carro, meter o pedal a fundo e chegar ao estádio. Aqueceu e foi chamado a jogar logo aos 4 minutos actuando como número 1, invés do normal 3, como estava mais familirizado. Fez uma exibição memorável e que foi elogiada por todos.

Ficaram 95 jogos pelo País de Gales, onde levantou um Grand Slam e vários títulos, para além de ter ajudado os Dragões Vermelhos a chegarem às meias-finais do Mundial de Rugby em 2011. Não desistia de lutar pela oval, munido de um sidestep muito curioso e de uma visão de jogo de ponta.

DONNCHA O’CALLAGHAN (MUNSTER – IRLANDA)

Na Irlanda do século XXI, a maioria dos espectadores portugueses recorda-se de grandes nomes como Jonathan Sexton, Brian O’Driscoll, Ronan O’Gara, Rory Best, Sean O’Brien, Jamie Heaslip e Paul O’Connell. Contudo, a par destes há outro nome que não pode nunca ser esquecido e esse é o de Donncha O’Callaghan, 2ª linha de 39 anos.

O’Callaghan fez parte de uma das melhores e mais reputadas gerações do rugby irlandês, lembrado para sempre como um 2ª linha genial no alinhamento, inteligente na saída com bola, sempre ao ponto de sacrificar-se em prol dos seus companheiros, o primeiro a chegar aos rucks e muitas vezes o primeiro a sair quando a bola já voava para outro colega de equipa.

Vencedor do Grand Slam da Irlanda em 2009, esteve nos mundiais de rugby de 2003, 2007 e 2011, levantou diversos troféus pelo Munster e deu mote para uma nova era do rugby irlandês.

GONÇALO UVA (GD DIREITO – PORTUGAL)

Um jogador mais “caseiro”, mas que entra na lista pelas 100 internacionalizações completadas e por ter actuado a nível europeu ao serviço do Montpellier. Podiam entrar outros vários nomes de portugueses nesta lista caso dos irmãos Duarte, ou até de Vasco Uva (persiste a dúvida se o asa não vai voltar para mais uma época), sendo que Gonçalo Uva encaixa que nem uma luva neste XV internacional.

Fez parte da equipa do Grupo Desportivo de Direito que mais títulos somou no contexto Nacional, operando um total domínio em Portugal e até Ibérico a certo ponto. Uva será lembrado pelo seu trabalho no alinhamento, pela versatilidade no jogo aberto, na capacidade de trabalho e evolução e na voz dada à sua equipa em momentos importantes dos últimos anos.

É um dos últimos atletas portugueses que esteve no Mundial de 2007 e que deixa agora o rugby português e internacional.

SAM WARBURTON (CARDIFF – PAÍS DE GALES)

Talvez a despedida que vai custar a mais gente, até pela idade com que se reformou: 29 anos. Warburton, como diz e bem o seu nome ao início era um homem feito para a “guerra”, colocando o corpo (que ia dos dedos dos pés até às orelhas) em jogo na procura de dar o melhor exemplo possível aos seus “irmãos” galeses. Foi o braço direito de Warren Gatland durante anos a fio, vociferando conselhos e mensagens de apoio dentro de campo como ninguém.

Um placador exímio e um batalhador insistente, Warburton foi sempre visto como uma mistura de uma asa clássico, feito para a placagem a todos os pontos do corpo e para o trabalho mais “chato” no ruck, com a de um 3ª linha moderno, sempre em busca de um turnover para libertar num offload imprevisível.

Fez parte de duas campanhas dos British and Irish Lions, foi capitão em ambas, ganhou uma Challenge Cup pelo Cardiff Blues (uma equipa que nunca ganhou a Pro12 ou Pro14) e deixou uma marca no rugby incalculável.

JUAN MARTÍN LOBBE (TOULON – ARGENTINA)

O asa que transpirava o sangue Puma por todos os cantos, Juan Martín Lobbe foi dos avançados da Argentina que mais marcou a geração contemporânea do país das Pampas. Saiu cedo da Argentina para se atirar para a Europa alinhando inicialmente nos Sale Sharks… de seguida foi para França e actuou pelo RC Toulon, equipa no qual viria a ganhar mais de três Champions Cups, uma série de títulos no TOP14, ajudando pelo caminho a Argentina a chegar a duas meias-finais em três edições do Mundial.

Lobbe era daqueles jogadores que metia a cabeça onde os outros não queriam sequer meter os pés, era uma “carraça” autêntica na placagem, forçando os seus alvos a cair o mais rápido possível no chão, para depois atacar a bola como uma volatilidade única e incansável. Tinha tudo o que um treinador gostava num asa do rugby moderno: velocidade, passada longa, mãos geniais, uma inteligência única e uma coragem ainda mais especial.

Deixa um vazio no rugby argentino ainda por mais porque não se despediu dos Pumas como merecia: em campo. Aos 36 anos merece o descanso e merece todas as odes possíveis.

JAMIE HEASLIP (LEINSTER – IRLANDA)

Dos 8’s que melhor rugby apresentou nos últimos 15 anos, Jamie Heaslip fez também parte da geração do Leinster que arrebatou a Europa inteira, com não só placagens salvadoras como estupendos ensaios, visão de jogo dotada e uma predisposição para desequilibrar a equipa adversária como ninguém.

Dos melhores a sair da formação-ordenada e dos mais inteligentes a explorar os rucks, Jamie Heaslip era um autêntico tanque de combate que rapidamente se transformava num ferrari imparável. Um coração enorme, jogou diversas vezes lesionado, nunca recuando e nunca deixando de crer na sua Irlanda.

Um Grand Slam, três títulos nas Seis Nações, diversas menções como o Melhor do Ano para a World Rugby e uma lenda viva do rugby irlandês.

PETER STRINGER (MUNSTER – IRLANDA)

40 anos, 22 dedicados ao rugby profissional, com muitas histórias, títulos, marcas icónicas e com um nome que vai perdurar para todo o sempre. Peter Stringer é uma instituição do Planeta da Oval, tendo jogado ao serviço do Munster (onde fez parte daquela equipa que ganhou tudo a nível local e europeu), Saracens, Newcastle, Bath, Sale e Worcester.

Ficou a dois jogos das 100 internacionalizações pela Irlanda, mas deixou uma marca como um dos formações mais rápidos a decidir as movimentações, a meter a bola no sítio e momento certo, no pautar dos timings de jogo e no desequilibro a partir do jogo ao pé. Fez uma das parelhas mais interessantes do rugby com Ronan O’Gara, mexendo os cordões como ninguém.

Ao todo fez praticamente 500 jogos como jogador de rugby profissional, levantou mais de 10 títulos e fica para sempre na lista dos melhores formações que passaram pelos relvados.

JUAN MARTÍN HERNANDEZ (STADE FRANÇAIS – ARGENTINA)

Mágico… é a palavra que define toda a carreira de Juan Martín Hernandez, que ganhou rapidamente a alcunha de “El Mago”. Porquê? Pela criação de lances inexplicáveis e incompreensíveis para a maioria das pessoas, movendo a bola a seu gosto como se a própria tivesse enfeitiçada ou com uma ligação mental com o argentino.

No Mundial de 2007 fez algumas das exibições mais incríveis possíveis, marcando pontos e pontos até atingirem as meias-finais da competição.

Foi um dos principais actores do sucesso do Stade Français durante a primeira década do século XXI, operando como um abertura que gostava tanto de atacar como defender, criando jogadas mirabolantes como impedindo os adversários de passaram por si. É um dos jogadores argentinos que os vários seleccionadores mundiais gostavam de ter no seu elenco, muito pela cultura de rugby que denota.

36 anos e 1052 pontos marcados em toda a carreira, o que possibilitou-lhe atingir o topo de melhores marcadores de pontos do rugby argentino.

BRYAN HABANA (TOULON – ÁFRICA DO SUL)

Mais rápido que uma chita (e chegou a correr contra uma, mas perde nesse encontro!), Bryan Habana espalhou velocidade e quebras-de-linha como ninguém, sendo considerado como um dos atletas mais rápidos a pisar os campos de rugby. É dos poucos jogadores que ganhou tudo a nível internacional e nacional: Currie Cup, Super Rugby, TOP14, Champions Cup, Rugby Championship, uma Tour dos British and Irish Lions e Mundial de Rugby.

Foi nesta competição que em 2007 terminou como o melhor marcador com 8 ensaios, ajudando os Springboks a levantar o título de campeões no final da competição. Participou em três mundiais diferentes, o que possibilitou-lhe atingir o topo dos melhores marcadores na prova, a par de Jonah Lomu, com 15 ensaios!

A velocidade, destreza, rapidez em mudar de passada e a irreverência com a bola nas mãos, tornaram-no um dos pontas de excelência que facilmente pode estar no melhor XV do século XXI e, porque não, de sempre? Fica também como nota os 181 ensaios marcados em toda a carreira, quase 1000 pontos a nascerem da sua mão e daqueles pés imparáveis!

ROB HORNE (WARATAHS – AUSTRÁLIA)

Mais uma vítima de uma lesão complicada de resolver, Rob Horne teve de pôr um final muito cedo na sua carreira, quando aos 29 anos prometia fazer uns últimos 5 anos de total força pelos Saints e Wallabies.

Um centro móvel e de categoria, Horne deixou sempre uma marca muito profunda pela forma como penetrava nas defesas adversárias, quase imparável no primeiro contacto e irritantemente duro na hora de placar. Por onde passou foi sempre visto como um líder, seja nos Waratahs, Wallabies ou Northampton Saints, primando sempre pelo exemplo e pelo espírito que envolve a modalidade.

Lembrar que Horne fez parte da equipa dos Waratahs que ganhou pela última vez um Super Rugby, isto em 2014, oferecendo alguns dos melhores momentos do jogo, com boas quebras-de-linha, offloads e placagens que meteram um fim no objectivo dos Crusaders em voltarem aos títulos na competição.

CONRAD SMITH (HURRICANES – NOVA ZELÂNDIA)

Dificilmente o rugby neozelandês vai encontrar um centro como Conrad Smith onde era visto como um placador genial e que (quase) nunca falhava, um movimentador e manobrador de jogo difícil de ler, um líder sempre pronto para auxiliar e um eterno apaixonado pela bola oval.

Considerado como um dos atletas mais inteligente que passou pela modalidade (hoje em dia trabalha na Associação Internacional de Jogadores de Rugby como advogado), Smith era a 2ª ponte de apoio no lançamento de boas situações de ataque a partir da posição 13, aproveitando a destruição deixada por Ma’a Nonu para depois dar sequência a uma segunda vaga ainda mais rápida de ataque.

Era a extensão do cérebro de Dan Carter e do ombro de Richie McCaw, assumindo-se como um daqueles centros que dificilmente vamos ver outra vez a jogar.

TOMMY BOWE (ULSTER- IRLANDA)

Dos pontas mais versáteis dos últimos anos, Tommy Bowe também fez parte da geração de irlandeses que levantou as Seis Nações por três vezes, para além de ter assumido sempre um papel de devorador de ensaios como ninguém. 30 ensaios pela Irlanda em 69 jogos, provam a sua utilidade quer como ponta aberto ou fechado, munido de uma inteligência muito apreciada e de uma facilidade em mudar de velocidade e direcção como ninguém.

É dos pontas que mais facilmente as pessoas podem-se esquecer, mas que não poderá ser nunca riscado dos melhores pergaminhos do Mundo do rugby, até pelos prémios individuais que coleccionou como o Melhor da Celtic League em 2008 e o Melhor Atleta das Seis Nações 2010 (um dos poucos pontas a figurar como vencedor dos prémios).

Um British and Irish Lion por cinco ocasiões, participou em dois tours da famosa selecção das Ilhas Britânicas, no qual deixou uma marca no espectro de ensaios, fugas pela linha e desarmes de placagem inacreditáveis.

É daqueles nomes que vai fazer falta às Seis Nações, até pela forma como os comentadores gritavam o seu nome nos ensaios.

ISA NACEWA (LEINSTER – FIJI)

Em 1989 saiu o filme “O Clube dos Poetas Mortos” em que figurava uma das frases mais memoráveis (extraída de um poema de Walt Whitman) de sempre ” Oh Captain, My Captain!”. Esta frase facilmente é alojada a um dos jogadores de rugby mais irreverentes do Mundo do rugby: Isa Nacewa! O fijiano dedicou (quase) uma vida inteira à província de Leinster, actuando pela formação irlandesa por mais de 180 encontros, capitaneado a formação irlandesa nos últimos três anos.

Retirou-se inicialmente em 2013 e ao fim de dois anos regressou aos campos de rugby, com ainda mais vigor, paixão e desteza que antes. Nacewa jogava a centro, ponta, defesa e até a abertura, mostrando um brilhantismo único e tremendo que levou ao Leinster a conquistar vários títulos europeus nos últimos 10 anos. Representou as Fiji por uma única ocasião, apesar de nascido na Nova Zelândia.

Foi autor de 1136 pontos, uma parte com o pé e outros com a mão… os últimos pontos foi a penalidade que deu a vitória ao Leinster na final da European Champions Cup em 2018. Um ponto final digno de uma das maiores caras de sempre do Leinster!


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