Os Toronto Raptors são campeões da NBA! E agora?

Fair PlayJunho 22, 20198min0
Erguido o Troféu Larry O'Brien e coroados os campeões, é altura de analisar as possibilidades, de Este a Oeste, que podem definir a próxima temporada da NBA.

Pela primeira vez na história, o título da NBA ficou no Canadá ao ser ganho pelos Toronto Raptors! O que esperar da liga de basquetebol norte-americana depois desta conquista inesperada?

Revolução no Oeste ou fica tudo igual? (João Portugal)

Os Golden State Warriors perderam a segunda final em cinco anos, mas perderam a sua hegemonia? Acabou a “dinastia”? Numa breve análise, sem termos qualquer informação sobre o que se passará na abertura do mercado de free agents, a dúvida recairá mais sobre se o tempo de recuperação das lesões de Kevin Durant e de Klay Thompson será superior a 10 meses. Conseguirão eles regressar a tempo dos próximos playoffs? Foram ambas lesões gravíssimas — duas roturas em áreas que podem danificar uma carreira para sempre: no tendão de Aquiles e nos ligamentos anteriores do joelho.

Todas as informações que foram tornadas públicas nos últimos dias indicam para a fiabilidade dos Warriors em estarem dispostos a dar o máximo que podem pagar aos dois, portanto as questões financeiras podem ser colocadas de parte. Caso fiquem, e não possam jogar na totalidade ou quase totalidade da fase regular, qual será a seed [lugar] que conseguirão atingir no difícil Oeste? Top 4, Top 8? Falham os playoffs, arriscando “desperdiçar” mais de 200 milhões de dólares (178 milhões de euros) em salários e luxury tax? O plano financeiro deverá descer sempre a segundo plano. Mesmo que Durant deixe Golden State, a luxury tax (não a folha salarial) ascenderá a perto de 150 milhões de dólares (134 milhões de euros).

O risco presente na decisão de pagar ou não a dois jogadores com lesões que requerem recuperações de quase um ano passa pelos Warriors ficarem completamente hipotecados no que toca a adicionar profundidade ao plantel para a fase regular. Steph Curry e Draymond Green vão fazer 82 jogos da mesma forma que fizeram na última final — ainda por cima sem a ajuda de Klay Thompson. Essa será a questão principal: que ajuda a conseguirão os Warriors adicionar ao plantel para que Curry, Green e Iguodala cheguem com alguma energia à postseason.

(Foto: Getty Images)

Quanto aos restantes pretendentes ao trono, certamente haverá mais mexidas agressivas como a que levou Anthony Davis para os Lakers nos últimos dias. Nos playoffs há incerteza, mas para os primeiros 70 jogos, garantidamente que os Warriors estarão bastante abaixo do máximo potencial, mesmo que só regressem com Klay Thompson, contratualmente, o que significa que a fase regular trará novidades.

Na linha da frente, com mais um ano de desenvolvimento, estarão os Denver Nuggets, com todas as provas dadas na temporada que terminou. Não só têm um core bastante jovem como se avizinha um verão quase sem mexidas no Colorado.

De seguida aparece um franchise com uma mentalidade mais all in: os Oklahoma City Thunder (OKC). E esta mentalidade, numa temporada tão incerta para a NBA, pode ser a melhor decisão a tomar. OKC precisaria de mover Steven Adams e mais umas peças para procurar subir um patamar. (Ainda é sacrilégio escrever que quem deveria ser movido é Russell Westbrook e não o poste neozelandês?)

Para terminar, Lakers e Rockets serão as maiores incógnitas. Os texanos pelos tumultos internos que têm sido reportados entre Mike D’Antoni, James Harden e Chris Paul enquanto a chegada de Anthony Davis a LA transforma os Lakers num candidato óbvio aos playoffs. 

Porém, o restante cap space é que vai determinar a seriedade da candidatura dos Lakers a um poleiro mais alto. Serão 23 ou 32 milhões de dólares (21 ou 29 milhões de euros)? E esse valor será usado num único jogador, como tem sido noticiado, ou ser dividido em duas ou três peças que possam ajudar Davis e Lebron? O que vale mais numa temporada de 90 a 100 jogos, ou seja, uma época de ataque claro à Final e ao título? Kemba Walker ou a combinação de Danny Green, Patrick Beverley e JaMychal Green? Os Lakers tiveram graves problemas de espaçamento e de falta de lançadores de longa distância no primeiro ano de James e a chegada de Anthony Davis é completamente alheia a esses problemas — que continuam todos lá. O salário combinado em 2018-19 destes três jogadores foi de 23,9 milhões de dólares (21 milhões de euros), o que os torna perfeitamente alcançáveis este verão.

(Foto: EPA/Warren Toda)

Raptors serão claros favoritos ou teremos novo rei no Este? (Rui Mesquita)

Com o título conquistado, os Toronto Raptors serão claros favoritos no Este na próxima época, certo? Depende. A grande estrela da equipa, Kawhi Leonard, termina o seu contrato agora e pode abandonar a cidade. Contudo, caso Leonard decida ficar, os Raptors manterão praticamente o grupo campeão e serão os favoritos a voltar à final. E, na nossa opinião, Leonard vai ficar em Toronto. Porque o franchise apresenta um caso forte para o jogador renovar: um título, total liberdade em campo, uma equipa completa e dedicada, um ótimo treinador e uma cidade (perdão, UM PAÍS) rendido ao jogador! Com um núcleo tão forte como Lowry, Ibaka, Siakam, VanVleet e Norman Powell, a permanência de Kawhi faz dos Raptors os principais favoritos ao título, e ainda mais ao Este. Nick Nurse já mostrou ser um técnico com “unhas” para a equipa ao fazer ajustes cruciais nas várias séries apertadas destes playoffs. Tudo sorri aos Raptors, basta Leonard querer!

No segundo lugar (ou primeiro caso Kawhi volte aos Estados Unidos) surgem os Bucks de Giannis. O craque grego voltará mais forte (como vem sendo hábito) e quererá tomar de assalto o título do Este. Esperam-se algumas saídas da equipa de Milwaukee (como Mirotic) mas mesmo assim serão uma equipa muito forte e bem treinada. Giannis quer dominar o Este (e ser o novo Rei depois de LeBron). Para isso acontecer tem que trabalhar o seu lançamento (a grande lacuna no seu jogo) e continuar rodeado de bons apoios. Neste momento são a única equipa capaz de derrotar uns Raptors com Kawhi.

Depois vêm duas incógnitas: Boston e Philadelphia. Kyrie Irving parece interessado em deixar Boston por isso conseguirão os jovens dos Celtics voltar a uma final de Conferência sem o Uncle Drew e até almejar algo mais? Provarão Jason Tatum e Jaylen Brown que foi uma boa opção não os trocar por Anthony Davis? Darão o próximo passo com o veterano Al Horford e com um treinador interessante como Brad Stevens? Parecem ainda uns furos abaixo dos dois principais candidatos mas, como mostraram em 2018, tudo pode acontecer.

(Foto: Mitchell Leff/Getty Images/AFP)

E o que dizer do The Process? Depois de uma aposta à séria em Butler e Tobias Harris, os 76ers podem perder os 2 e voltar à “estaca zero” com Embiid e Simmons. O duo nem sempre pareceu estar em sintonia mas terão de estar no seu melhor para sonhar com o título que os dois jogadores querem tanto. Apesar disso, Brett Brown e Elton Brand manterão a mentalidade all-in para aproveitar os melhores anos dos dois “meninos” da sua equipa.

Fora destes 4 colossos, podem surgir equipas como os Knicks ou os Nets que, caso consigam contratar 1 ou 2 free agents de peso (Kawhi, Irving, Butler) e algumas aquisições cirúrgicas, podem chegar longe nos playoffs mas não me parece que consigam, em apenas 1 ano, tirar do topo as 4 equipas faladas acima. Os rosters de ambas as equipas são limitados e mesmo com uma adição de peso (que não será Kevin Durant pela longa lesão que sofreu) não conseguirão chegar ao topo de uma Conferência cada vez mais competitiva.

Falta uma equipa, não é? Os Pacers de Victor Oladipo! Depois de uma época incrível em 2018, uma lesão afetou a sua época de 2019 mas promete voltar em grande e tentar intrometer-se no meio dos “tubarões”. Muitos jogadores terminaram agora contrato mas os Pacers terão cap space para manter todos ou fazer adições importantes para melhor a equipa. Com apenas dois contratos mais avultados (Oladipo e Miles Turner) poderão fazer contratações inteligentes e criar uma equipa à volta do base.

No fundo, a regra de ouro da NBA aplica-se. Em condições normais, os vencedores da Conferência num ano são favoritos no seguinte e cabe aos restantes melhor o seu roster e o seu jogo para abalarem o favoritismo dos canadianos.


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