Acabou o sonho em OKC, e agora Thunder?

Rui MesquitaSetembro 15, 20196min0

Acabou o sonho em OKC, e agora Thunder?

Rui MesquitaSetembro 15, 20196min0
Este verão marcou o fim do sonho de OKC vencer um título com um dos pilares do grupo que chegou às Finais da NBA em 2012. Descobre como o franchise evoluiu e o que esperar do futuro desta equipa!

Foi no ano de 2008 que os Seattle SuperSonics deixaram de existir para dar lugar aos OKC Thunder. Já com um tal de Kevin Durant e escolhendo no draft desse ano Russell Westbrook e Serge Ibaka. No ano seguinte adicionaram (por draft) James Harden. Este grupo jovem foi crescendo junto e ganhando reputação na NBA como uma das mais talentosas equipas.

Chegado o ano de 2012, a equipa consegue vencer a Conferência Oeste e chegam às Finais da NBA contra os Miami Heat. Os Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. A jovem equipa de OKC perde a final, mas com um grupo tão jovem e tão talentoso, claro que acabaram por ganhar pelo menos um título, certo? Errado, claro. No ano seguinte os Thunder trocaram Harden e esse foi o início do descalabro. Lesões de Durant e Westbrook foram condicionando os playoffs da equipa que nunca mais chegou ao palco do título.

Uma das equipas mais promissoras do passado recente da NBA (Foto: Medium)

E aí chegou o fatídico verão de 2016. Os Thunder defrontavam os Warriors na final da Conferência Oeste. Os Warriors de Curry que tinham vencido 73 jogos na fase regular. Era um adversário de peso e os Thunder conseguiram puxar até 3-1, com 3 oportunidades para vencer os Warriors. Mas depois apareceram Curry e Klay Thompson que destruíram os sonhos de um regresso às Finais.

Tudo piorou quando Kevin Durant, em final de contrato nesse verão, decidiu não renovar com os Thunder e, pior, assinou pelos Warriors. Numa das mudanças mais criticadas da história, KD decidiu ganhar anéis fáceis (e conseguiu) e não tentar dar um título aos Thunder.

O pós-Durant

Sam Presti (GM dos Thunder), depois do erro da troca de James Harden tinha de tomar uma decisão: acabar o sonho ali ou redefinir a equipa em torno de Westbrook. Presti escolheu a segunda opção e trocou Ibaka por Oladipo, um jogador em ascensão nos Orlando Magic. Mas a dupla Westbrook Oladipo não funcionou como o esperado. Oladipo cresceu com Westbrook, mas a parceria nunca foi fluída e resultou numa derrota na primeira ronda dos playoffs contra os Rockets de… James Harden.

Sam Presti voltou a entrar em ação e trocou Oladipo para os Pacers, por Paul George. Era apenas um ano de contrato mas PG13 parecia a escolha ideal para jogar ao lado de Russell. Apesar disso, mais uma derrota na primeira ronda, desta vez contra os Utah Jazz, colocou sérios pontos de interrogação nos Thunder. Apesar disso, Paul George decidiu renovar com OKC surpreendendo o mundo da NBA.

Era o ano de dar o próximo passo, de atacar o título. Com Westbrook e Paul George juntamente com Steven Adams (um dos melhores postes da liga), eram uma das melhores equipas do Oeste. Havia fome de vencer e talento.

Sam Presti tem (novamente) uma folha em branco nas mãos (Foto: NBA.com)

Mas a época terminou com mais uma eliminação na primeira ronda, contra os Portland Trail Blazers. Com uma folha salarial muito acima do limite estabelecido pela NBA, não havia muita forma de mexer na equipa. Com um dos verões mais agitados da história recente da NBA, Paul George pediu para ser trocado. Sam Presti voltou a entrar em ação e trocou o craque por 7 escolhas no draft e 2 jogadores, com os Los Angeles Clippers. Uma troca incrível que levou para LA George juntamente com Kawhi Leonard e assegurou o futuro dos Thunder.

Adeus, Russ. E agora?

Depois de Paul George, e entrando em modo de reconstrução, era hora de trocar Russell Westbrook. O último pilar da magnífica equipa que chegou às Finais em 2012, o último resistente, o eterno Thunder. A proposta que chegou trouxe Chris Paul e levou Russ para Houston para voltar a jogar ao lado de James Harden.

A equipa atingiu o ponto de rutura e resolveu começar de novo. Para Russell Westbrook só há gratidão e respeito por não ter desistido da equipa e da cidade até ao último momento. Por ter criado uma identidade de luta e de persistência num mercado pequeno. Mas esse momento chegou e o que esperar da equipa de OKC?

Há quem diga que devia acabar e voltar a Seattle. Há quem diga que não vai sobreviver sem pelo menos uma superstar. Mas os fãs, que são considerados uns dos mais fanáticos e leais da NBA, discordam. Mesmo com uma equipa sem grandes aspirações a casa continuará a ser “Loud City” e a energia será praticamente a mesma. Com tantas escolhas nos próximos anos, com um talento como Shai Gilgeous-Alexander, o futuro está todo nas mãos de Sam Presti.

E Presti já mostrou que sabe o que fazer com picks. Draftou Durant (2ª escolha), Westbrook (4ª escolha), Ibaka (24ª escolha) e Harden (3ª escolha). Draftou ainda Steven Adams (12ª escolha) e outros jogadores que mantiveram a rotação dos Thunder como uma das melhores ao longo dos anos.

O futuro é incerto mas encorajador. Depois de quase uma década sempre no topo da NBA, chegou ao fim da linha uma das histórias mais bonitas da liga. Apesar de terminar sem um título, que seria esperado com um grupo tão forte como o de 2012, a história é de sucesso.

Em 10 anos apenas falharam os playoffs uma vez (em 2015 e devido a uma enchente de lesões). Nesta década jogaram 4 vezes as finais da Conferência Oeste e por uma vez chegaram às Finais. Apenas uma equipa pode ser campeã em cada época e por isso o sucesso não pode ser medido apenas por títulos. Os Thunder foram bons e empolgantes durante 10 anos, com narrativas sempre diferentes e apelativas e isso é, ainda mais numa cidade tão pequena, sinónimo de sucesso.

Mas quanto tempo teremos de esperar para ver uma equipa competitiva em OKC? Pouco, esperemos, afinal é um dos small markets mais apaixonantes e intrigantes da liga desde que apareceu em 2008.

Duas coisas parecem certas. OKC continuará a “atormentar” a NBA com uma das equipas mais difíceis de ultrapassar e Russell Westbrook terá uma estátua muito em breve à frente do Chesapeake Energy Arena. Só falta escolher a pose e, aí, há muito por onde escolher.

Uma das propostas para a futura estátua de Russell Westbrook (Foto: Getty Images)

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