NBA anuncia suspensão: o porquê e as consequências

Rui MesquitaMarço 13, 20206min0

NBA anuncia suspensão: o porquê e as consequências

Rui MesquitaMarço 13, 20206min0
Adam Silver anunciou a suspensão da NBA por pelo menos 30 dias devido ao COVID-19. Porquê uma decisão tão radical? E o que esperar para esta época e para a próxima? Uma análise ao presente e futuro da NBA.

A pandemia do COVID-19 (o estado de pandemia já foi decretado pela Organização Mundial de Saúde) está, neste momento, a afetar todo o mundo e a exigir medidas preventivas fortes de todos os países. Seja quarentena total (como sucedeu em Macau), seja o fecho de alguns serviços como escolas e concertos (como em Portugal), tudo está a ser feito para limitar a propagação da doença.

O mundo do desporto não é, claro, exceção. Tratando-se de eventos que propiciam o contacto e a formação de multidões em pequenos espaços, nada podia continuar igual. Os primeiros sinais foram tomados na China, com a suspensão de todas as ligas profissionais do país. Seguiu-se Itália com a suspensão da Serie A de futebol. A maioria dos países europeus respondeu realizando jogos de futebol e outros desportos à porta fechada.

A resposta da NBA e o caso Gobert

E a NBA? O surto nos EUA já ultrapassou os 1600 infetados e a NBA estava já a ponderar jogos sem público como resposta ao vírus. Havia mesmo planos para que isso e parecia o caminho a seguir. Apesar disso, já havia rumores de que Adam Silver, comissário da NBA estava pronto para anunciar uma suspensão total dos jogos. Muitos afirmavam que tal era certo se um jogador ou treinador fosse detetado com COVID-19.

Essa realidade parecia longínqua, mas na noite de quarta-feira tudo mudou. O palco foi o Cheseapeak Energy Arena em Oklahoma City. Os Thunder estavam prontos para defrontar os Utah Jazz num jogo importante na luta por um melhor lugar nos playoffs. O poste dos Jazz Rudy Gobert tinha sido já anunciado como indisponível para o jogo, por estar doente. Foram feitos testes para o COVID-19 e, pouco antes do início da partida, esses testes revelaram-se positivos.

Os jogadores já estavam no pavilhão, os adeptos tinham enchido essa mesma arena. Uma situação extremamente complicada e difícil de gerir. O jogo foi cancelado, todos os jogadores das duas equipas foram testados e a equipa dos Jazz foi mantida dentro do pavilhão até os testes chegarem.

Tudo estava a ser gerido com pinças, principalmente pelas atitudes de Rudy Gobert. O francês brincou muito com as medidas de prevenção e fez questão de tocar em todos os microfones numa conferência de impressa e, aparentemente, brincou da mesma forma no balneário dos Jazz. Atitudes irresponsáveis e que se tornam ainda mais com a confirmação de doença em Gobert.

O contágio e a suspensão inevitável

Os testes feitos à equipa de Utah revelaram mais um caso. Donovan Mitchell, estrela da equipa acusou positivo, provavelmente contagiado pelo colega. Se o ambiente já era de pânico, ainda mais ficou. Adam Silver anunciou logo a suspensão da Liga. Pelo menos 30 dias com a época parada.

A decisão foi, claro, bem recebida por todos os intervenientes, mostrando que em primeiro lugar está a saúde de todos e depois o desporto. Era a decisão óbvia, os Jazz jogaram, na última semana, com 4 equipas que estiveram em contacto com Gobert e Michell e jogaram depois com outras equipas. Os árbitros que apitaram os Jazz apitaram também outros jogos e um efeito dominó deve ser, a todo o custo evitado.

Adeptos a abandonar o pavilhão dos Thunder (Foto: USA Today)

É complicado prever as implicações desta suspensão, mas podemos tentar. Assumindo que a pandemia acalma e a Liga pode retomar daqui a 30 dias, dois cenários são possíveis. Ou a época é estendida mais um mês de forma a realizarem-se todos os jogos da fase regular e, depois, os playoffs, ou temos menos jogos de fase regular e as equipas chegam a um acordo sobre a melhor forma de compensar esses jogos na classificação.

Caso a suspensão tenha que ser estendida, o caso muda de figura. Adam Silver não descartou a hipótese de cancelar a época por completo. Isto deixaria a temporada sem um campeão, algo inédito na história da NBA. O caso é sério e, por isso, as medidas também o devem ser. Se não houver condições para se jogar basquetebol, não se jogará basquetebol.

A análise dura, mas realista

Em termos desportivos há prejudicados maiores do que outros. Não sendo, claro, o mais importante aqui (a segurança e saúde de todos os intervenientes é o que mais importa), é algo que podemos explorar.

Se tivéssemos de escolher a equipa mais prejudicada de todas, seriam os Lakers, pela pausa exatamente no momento mais alto de forma e logo quando apareciam como favoritos ao título. Um ano sem chegar a este título deixa LeBron James com mais um ano e menos uma hipótese de chegar a mais um título.

Todas as equipas serão, noutro aspeto prejudicadas: o salary cap. O teto salarial para as equipas é definido pelo rendimento da Liga no ano anterior. Um ano com menos jogos e sem playoffs significa uma diminuição deste teto, a menos que a Liga opte por outra estratégia. Outro problema é o cancelamento da March Madness que não permite às equipas verem os futuros rookies em ação num ambiente de pressão, tirando esses dados do draft deste ano.

Adam Silver optou por suspender a época da NBA (Foto: UP News Info)

O draft será cancelado? Como ficam as questões das mudanças no calendário da Liga? Os prémios individuais serão atribuídos na mesma? Os jogadores serão pagos? As equipas estão todas em lockdown? Uns pedem treinar e outros não? Como ficam os Utah Jazz para o resto da temporada?

Tudo isto são questões quase supérfluas, mas que irão eventualmente surgir. A NBA estará, certamente, a pensar em tudo e a gerir tudo com muito cuidado e em contacto permanente com as equipas. A nós, os fãs, resta-nos esperar que tudo corra pelo melhor, que a pandemia acalme e possamos ter playoffs e um merecido campeão no final. Stay safe!


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter