A ressurreição dos Phoenix Suns e de Chris Paul

Rui MesquitaJunho 19, 20215min0

A ressurreição dos Phoenix Suns e de Chris Paul

Rui MesquitaJunho 19, 20215min0
Chris Paul vai-se rejuvenescendo a cada ano que passa e ajudou a elevar os Phoenix Suns a um patamar de excelência! Até onde podem ir?

A NBA é sempre palco de histórias bonitas, em alguns casos, comoventes. Os Deuses do Basquetebol costumam presentear-nos com reviravoltas e recuperações em que poucos acreditavam. Derrick Rose a jogar a bom nível nos Knicks, Blake Griffin a contribuir nos Nets, tudo isto esta época. Mas a história mais bonita e que mais merece destaque tem de ser a dos Phoenix Suns e Chris Paul.

Suns, uma bomba à espera de explodir

A equipa de Phoenix não marcava presença nos playoffs desde a temporada 2009-2010, ano em que chegaram às finais da conferência oeste. Desde essa equipa com Amar’e Stoudemire no seu prime e Steve Nash a cimentar-se como um dos melhores PG da história, os Suns entraram numa espiral complicada.

Depois de anos complicados a tentar a sorte na free agency e no draft, os Suns pareciam começar a acertar em 2015. Com a 13ª escolha, Phoenix escolheram Devin Booker, uma pequena steal nesse draft.

Booker tem melhorado o seu jogo todas as épocas e é um dos jovens mais talentosos ofensivamente, com uma capacidade inacreditável de fazer cestos. Muito podíamos falar da estrela dos Suns, mas penso que basta recordar o jogo em fez 70 pontos. Os Suns perderam o jogo com os Celtics, mas Booker tornou-se, aos 20 anos, o jogador mais novo a fazer 70 pontos (e 60, na verdade).

Abaixo podem ver o vídeo com todos os pontos marcados por Booker nesse jogo. E percebem tudo sobre a capacidade dele. Triplos em transição, em catch and shot e depois do drible, ataques ao cesto com e sem contacto, fadeaways e lançamentos trabalhados de costas para o cesto. Um dos jogadores mais completos ofensivos à espera de um parceiro para explodir e chegar não só aos playoffs mas bem longe na postseason.

Chris Paul e a capacidade de rejuvenescer

Chris Paul é um dos jogadores mais queridos da maioria dos adeptos da NBA. A sua qualidade, liderança, e inteligência elevaram-no ao Olimpo dos bases da História e merecidamente. Apesar destas qualidades, há uns anos que vem sendo anunciado o declínio e o “fim” de Chris Paul.

O seu contrato já foi apelidado de catastrófico e até negociado como um bem negativo numa troca. Ou seja, pelo contrato que tem, Chris Paul não vale o investimento. O salário é dos mais altos da Liga, mas CP3 consegue mostrar que todas as críticas não fazem sentido.

No ano passado levou uns Thunder em modo rebuild aos playoffs e a um jogo 7 com os Rockets que o trocaram. Os Thunder conseguiram, com isso, tornar o seu contrato em algo apelativo e os Suns viram nele a oportunidade de arranjar o tal parceiro para Booker.

E Chris Paul parece mesmo ser o melhor parceiro para esta luta. Como estrela da equipa, era pedido a Booker que tivesse a bola na mão quase sempre, que criasse para si e para os outros, saindo um pouco da sua zona de conforto. A chegada de Paul traz um criador puro, capaz de liderar uma ofensiva e deixar espaço para Booker fazer o que faz melhor: marcar pontos.

A experiência de Chris Paul foi outro ponto crucial para a aposta. Tal como Booker, a maioria dos jogadores do grupo dos Suns, como Ayton ou Bridges, não tinham qualquer experiência de playoffs. Juntar a este grupo talentoso um veterano com 12 presenças nos playoffs é sempre uma mais-valia.

A junção e os frutos

No início da época já toda a gente sabia que esta aposta dos Suns os ia levar aos playoffs. Era estimado que fossem ganhar 49 jogos e acabaram por ganhar 51. A junção do Paul e Booker mostrou-se perfeita e a força gravítica destes 2 abriu a quadra para os restantes colegas.

O sucesso na fase regular foi bem-vindo, mas já era esperado. Faltava ver o que estes Suns podiam fazer nos Playoffs e logo na 1ª ronda contra os campeões em títulos Los Angeles Lakers. Apesar da lesão de Anthony Davis no jogo 4 ter condicionado toda a série, os Suns não desperdiçaram a oportunidade. E tudo funcionou como previsto, Chris Paul liderou a equipa com 7,7 assistências por jogo e pôs a equipa a jogar. O jogo aberto potenciou a qualidade de Devin Booker que apontou 29,7 pontos por jogo.

O caminho no Oeste é sempre complicado e depois dos Lakers seguiam-se os Nuggets do agora MVP Nikola Jokic. Mais uma vez os Suns beneficiaram de uma ausência de peso no adversário já que Jamal Murray não jogou durante toda a série. A história aqui foi diferente, Chris Paul mostrou-se imparável e os Nuggets nunca tiveram resposta defensiva para ele. 25,5 pontos e 10,3 assistências por jogo e um 4-0 redondo na série.

Os Suns agora vão enfrentar os LA Clippers e, apesar de, mais uma vez, haver uma lesão do outro lado (Kawhi Leonard), Chris Paul está em risco de perder alguns jogos devido a ter testado positivo para a COVID19. Duas baixas importantes para uma série que promete ser intensa. A nós adeptos resta-nos esperar que voltem os 2 rapidamente e que, para os que há mais de uma década torcem pelo sucesso de Chris Paul, os Suns dominem mais uma série e cheguem à Final merecida para o Point God.


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