25 Mai, 2018

Quem foram os melhores nadadores nacionais em 2016/2017? – Parte I

Fair PlayJaneiro 6, 20186min0

Quem foram os melhores nadadores nacionais em 2016/2017? – Parte I

Fair PlayJaneiro 6, 20186min0
A natação pode ser praticada em diversas técnicas e diversas distâncias, e se fosse possível comparar desempenhos independentemente da prova nadada?

O professor universitário João Gomes e o informático José Águas aplicaram um modelo estatístico à natação portuguesa que permite comparar todos os nadadores independentemente da técnica e distância onde tenham estabelecido os seus melhores tempos da época. Quem terá sido o MVP da época 2016/2017?


* Artigo da autoria de João Gomes, José Águas e João Bastos

Esta é a primeira parte de duas. Neste primeiro artigo referiremos apenas os nadadores absolutos. Na segunda faremos a abordagem aos grupos de idade dos 11 aos 18 anos.

Introdução

Este trabalho destina-se a avaliar a natação Portuguesa na época 2016/2017, em provas olímpicas individuais, segundo três perspetivas. Na primeira parte deste artigo, apenas abordaremos a primeira delas que analisa os melhores em termos absolutos – os nadadores com tempo PAR (clicar) (3.2. TABELA DE REFERENCIAÇÃO – SELEÇÃO NACIONAL SÉNIOR) segundo os critérios da FPN – nadadores que cumpram os mínimos-sénior[1] para serem referenciados. Iremos chamar-lhes nadadores com tempos PAR.

[1] Optámos pela tabela sénior porque a júnior é semelhante ao critério que estamos a utilizar na referenciação por idade

OS NADADORES COM TEMPOS PAR

Os melhores clubes

Vamos começar por referir quais os clubes em Portugal que têm mais do que um nadador que a FPN referencia:

Os melhores nadadores (seg/100m abaixo do tempo de referência)

Vamos considerar como melhores nadadores os que, por estilo, atingem mais segundos (por cada 100m) abaixo dos tempos de referência PAR. A seleção não diferencia o tipo de piscina (25 ou 50m).

✅ Bruços

Victoria Kaminskaya foi a melhor brucista portuguesa na época 2016/2017, embalada pelo seu recorde nacional absoluto dos 200 metros bruços com 2:27.70 que lhe renderam 835 pontos FINA.

No lado masculino, foi Tomás Veloso o melhor brucista com 1,52 segundos em cada 100 metros melhor que o tempo de referência. Também foi pelo tempo dos 200 metros bruços que Tomás lidera a tabela. Foi o líder nacional da época com 2:16.22, ou seja, 810 pontos FINA.

✅ Costas

O recorde nacional de Gabriel Lopes nos 100 metros costas deram-lhe o “título” de melhor costista português em 2016/2017. Os 55.01 equivalentes a 837 pontos é o único tempo a costas que supera os 2 segundos por 100 metros em relação ao respetivo tempo de referência.

Rita Frischknecht foi a melhor costista, por intermédio de uma marca feita em piscina curta. Os 2:10.55 constituíram recorde nacional (já superado por ela própria) e valeram 761 pontos FINA.

✅ Estilos

Estilos é, sem dúvida, a técnica mais evoluída em Portugal, quer no sector masculino (única técnica com 4 nadadores acima dos 3 segundos/100 metros), quer no feminino. Alexis Santos foi o melhor nadador português em 2016/2017 com os seus 1:58.88 nos 200 metros.

Victoria Kaminskaya esteve perto de chegar aos 4 segundos/100 metros com o seu recorde nacional dos 400 metros estilos de 4:40.11.

✅ Mariposa

O tempo de 1:57.09 nos 200 mariposa garantiu a Miguel Nascimento ser o melhor mariposista português da época passada.

No sector feminino também foi a prova de 200 metros que levou Ana Monteiro ao primeiro lugar do ranking com os 2:11.91 que fez no Open de Portugal.

✅ Livres – velocidade (50 ou 100 metros)

Mais uma tabela com liderança de Miguel Nascimento. Com o tempo feito nos Mundiais de Budapeste, o benfiquista ficou próximo do recorde nacional dos 100 metros livres. Os 49.56 valeram-lhe 848 pontos e o rótulo de melhor velocista da época.

Do lado feminino, foi Ana Rodrigues que levou a melhor, por intermédio do seu tempo nos 50 livres. 25.86

✅ Livres – meio fundo (200 ou 400 metros)

Os 4:05.39 aos 400 metros livres de Diana Durães logo no começo da época, no III Meeting Internacional do Algarve, deram-lhe a liderança do ranking do meio fundo em 2016/2017.

Alexis Santos foi o melhor no sector masculino, graças ao seu recorde nacional dos 200 metros livres de 1:48.39.

✅ Livres – fundo (800 ou 1500 metros)

Nas provas de fundo volta a ser Diana Durães a melhor nadadora, mais uma vez que um tempo feito em piscina curta (e também no Meeting do Algarve). Os 8:33.54 deram-lhe 813 pontos e uma diferença de 3,73 segundos a cada 100 metros melhor do que o tempo referência.

Nos homens foi Guilherme Pina o melhor fundista com o seu recorde nacional dos 1500 metros livres de 15:15.12.

✅ Os mais novos

Destacamos os nadadores que ainda não sendo seniores já conseguiram nadar abaixo dos tempos referência estabelecidos para os seniores.

Nesse particular, destaque para Raquel Pereira que consegue um “rating” próximo de 2.

Síntese

Em síntese podemos referir que nos homens é em estilos e/ou em fundo e meio fundo que temos mais nadadores com tempos de referência, mas que, apenas um nadador tem mais de 4 segundos melhor que o tempo de referência – Alexis Santos, em estilos[1]. Temos ainda com tempos para “meio da tabela” em termos europeus (menos de 4 mas mais de 3 segundos abaixo do tempo de referência) em livres (meio-fundo/fundo) a Diana Durães e Tamila Holub; em estilos, a Victoria Kaminskaya, Diogo Carvalho, João Vital e Gabriel Lopes, em bruços, além da Victoria temos a Raquel Gomes Pereira e em mariposa, o Miguel Nascimento. Todos os outros nadadores ainda não atingiram em 2016/2017 um patamar que lhes permita disputar campeonatos europeus ou mundiais com pretensão a resultados relevantes.

É ainda de realçar que alguns nadadores referenciados, pela sua tenra idade, estão num patamar muito interessante e que permite acreditar que se forem apoiados – fisioterapia, nutrição, psicologia, contactos internacionais, etc… – poderão atingir um patamar elevado dentro de muito pouco tempo.

[1] Dá acesso a uma entrada para 10º lugar na entrylist (100m-medley) do campeonato da europa de piscina curta de 2017

Anexo

Tabela referência PAR Sénior da FPN para 2017-2020


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