O Mundial de Atletismo pt.1: Doha a quem doer…

Fair PlayOutubro 1, 20193min0

O Mundial de Atletismo pt.1: Doha a quem doer…

Fair PlayOutubro 1, 20193min0
Calor, muito calor é o que tem se registado em Doha, dando uma autêntica luta contra o clima por parte dos atletas. A análise aos primeiros dias do Mundial de Atletismo no Fair Play

Artigo de Rui P. Freitas

Nos 50 Km marcha Portugal chegou ao pódio com a conquista da medalha de prata pelo veterano herói, João Vieira, que com 43 anos fez o seu melhor resultado de sempre após 11 participações em mundiais, tornando-se no atleta mais velho medalhado em todos os campeonatos do mundo. Vieira ficou atrás do japonês Yusuke Susuki por apenas 39 segundos, numa prova noturna em que as condições se apresentaram extremamente difíceis com mais de 31º e uma humidade os 70%.

João Vieira tinha dito em declarações antes da prova que a mesma seria a “Marcha do Inferno” e não esteve muito longe disso. Relembrar que o atleta do Sporting Clube de Portugal já tinha obtido um bronze em Moscovo 2013 nos 20Km, medalha atribuída somente ano após a desclassificação do vencedor Russo Aleksandr Ivanov.

Já Inês Henriques a primeira campeã mundial desta distância em 2017, acabou por ceder ás fortes condições climatéricas e desistiu perto do quilometro 40. Mara Ribeiro, a outra Portuguesa em prova concluiu o percurso em 15º lugar e necessitando para isso de 4:58:44s.

Ainda na marcha, mas agora nos 20km, Ana Cabecinha também sofreu muito com as condições climatéricas, pois a prova começou com 32,3º e 75,2% de humidade, terminando em 9º lugar com 1:36:31

No triplo salto Pedro Pichardo ficou num honroso quarto lugar com a marca de 17,62 metros… em qualquer outro mundial tinha sido suficiente para pódio, mas em Doha não foi suficiente. Christian Taylor, acabou por vencer e revalidar o título com 17,92mt, Will Clayde, prata com 17,74mt e a grande surpresa veio do Burkina Faso, Hugues Fabrice Zango, com 17,66mt levou o bronze e registou recorde de África relegando Pichardo para o lugar mais ingrato das competições.

Cátia Azevedo correu as eliminatórias dos 400 metros acabando a sua serie em 5º lugar com o tempo de 52,79 segundos não sendo suficiente para avançar na prova. Ainda houve uma esperança por uma eventual repescagem, mas que logo após a realização de segunda serie esse sonho acabaria por se desvanecer.

Na maratona feminina Salomé Rocha sentiu e bem as condições atmosféricas do Médio Oriente, pois à hora de inicio da prova – pela meia noite – ainda se faziam sentir 32 graus e a elevada humidade levou a que Salomé termina-se a prova em 28ª posição. Infelizmente, assim que cortou a meta, Salomé Rocha, teve de ser transportada de cadeira de rodas. A vencedora da prova foi a Queniana Ruth Chepngetich, com o tempo de 2:32.43, mostrando que se dá bem com esta região pois já havia ganho a maratona do Dubai em Janeiro.

No geral e na prova rainha os 100 metros, Christian Coleman torna-se o campeão do mundo com 9,76 segundos deixando o também norte-americano, Justin Gatlin, com a prata. Registe-se que com esta marca, Christian Coleman, faz a 5ª melhor marca de sempre.

Curiosidade é analisarmos que nas provas fora do estádio, os tempos registados não são os melhores e as desistências são muitas quer na Maratona ou nas provas de marcha. O clima não tem ajudado, como já fizemos referencia às, onde as elevadas temperaturas registadas, obrigaram a que estas provas tenham sido realizadas em horários noturnos, mas no estádio Khalifa os atletas encontram um ambiente refrigerado, com temperaturas controladas entre os 23º e os 25º, existindo para isso um sistema informático que vai ambientando o corpo dos atletas desde a zona de aquecimento e durante o túnel que leva os atletas à pista.

É a afirmação das entidades responsáveis pelo Qatar de dizer que estão mais que aptos a receber este tipo de provas para o futuro.


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