MotoGP 2024: O que já passou e o que ainda vem

Diogo SoaresJulho 17, 20247min0

MotoGP 2024: O que já passou e o que ainda vem

Diogo SoaresJulho 17, 20247min0
Diogo Soares olha para o que aí ainda vem no MotoGP 2024, percebendo a luta no topo entre Martin e Pecco, e muito mais

Chegámos à paragem de Verão de MotoGP e por isso, está na hora de fazer um apanhado geral àquilo que aconteceu nesta temporada, mas também, tentar antever o que acontecerá no restante da mesma.

Comecemos logo pelo mais lógico: o campeonato de pilotos. Francesco Bagnaia é o líder do campeonato com 222 pontos, mais 10 do que Jorge Martín e mais 56 do que Marc Márquez. O italiano ascendeu à liderança do campeonato na passada ronda da Alemanha, após maximizar a queda de Martín com a vitória.

Não só o bicampeão do mundo chega às férias embalado pela posição do campeonato, como pela forma mais recente. Leva quatro vitórias consecutivas – pela segunda vez na carreira que consegue este feito -, e se quisermos estender o intervalo, podemos constatar que é a sexta corrida consecutiva a ir ao pódio, a contar com a vitória em Jérez e o terceiro lugar em Le Mans. A forma atual do piloto faz esquecer o difícil início de temporada que teve, em que apesar da vitória no Qatar, caiu em Portimão e não foi além de um sofrido quinto lugar em Austin. Mas não só em corridas principais esteve abaixo. Bagnaia é reconhecido por não se ter adaptado propriamente ao modelo das sprints e o próprio admite não gostar das mesmas. Foi preciso chegarmos a Mugello para o piloto vencer uma sprint, e desde também venceu em Assen e foi ao pódio no Sachsenring. Olhando para o momento atual do pupilo de Valentino Rossi, parece ser o mais bem colocado a vencer o campeonato e arrisco mesmo a dizer que será ele a vencer. No entanto, ainda faltam 11 grandes prémios para confirmar esta minha ideia.

Ao contrário de Bagnaia, Martín está numa curva descendente na temporada. O belo nível no início da temporada já se diminuiu a uma série de erros que nos levam a um deja vu de 2023, em que todos reconhecemos que o piloto espanhol perdeu o campeonato muito pelas suas quedas inexplicáveis em momentos que levava lideranças confortáveis. E isso voltou a acontecer, em Mugello, quando nem sequer estava na liderança da sprint, nem sequer tinha possibilidades de lutar pela mesma, e no Sachsenring, desta vez, desperdiçando os 25 pontos de domingo. Permitam-me esta visão um pouco pessimista: Martín vai cair mais vezes e entregar o campeonato de bandeja a Bagnaia. E, se de facto não vencer o campeonato neste ano, não vai ser na Aprilia em 2025 ou 2026 que o vai fazer.

Marc Márquez parece ter-se adaptado na perfeição a esta moto da Ducati, tanto que Davide Tardozzi e Gigi Dall’Igna já lhe confiaram a moto de 2025. Leva quatro pódios na temporada, ainda ser ter vencido. E penso ser isso que lhe falta para ser um sério candidato ao título. Sim, é bastante inacreditável assumir que Márquez ainda não é candidato a vencer o título, mas falta-lhe mesmo aquele clique da vitória. Se o fizer ainda no início desta segunda volta do campeonato, então sim… será um seríssimo candidato ao título.

Nas restantes Ducatis não há muito mais a dizer. Bastianini assumiu o papel de segundo piloto, tendo se destacado nas fases finais das provas, como se guardasse a borracha apenas para as voltas finais. Apesar dos bons resultados, isso não é suficiente para vencer. Franco Morbidelli parece estar a ressurgir na sua forma. Os problemas físicos que afetaram o piloto italo-brasileiro parecem ter ficado no passado e o piloto parece gozar de uma boa moto para demonstrar que ainda é capaz de dar luta. Parece ser uma bela adição ao universo Ducati, caso precisem de pilotos para o próximo ano. Na VR46 parece haver uma deriva de Marco Bezzechi. O homem que no ano passado lutou pelo título, tornou-se um piloto de meio de pelotão, tendo apenas conquistado 53 pontos e um pódio, em Jérez.

Na Aprilia paira todo um ambiente de estranheza. Começa logo pela situação da moto, construída com algumas deficiências estruturais que parecem tornar a moto bastante bipolar. Isto é, ora o piloto mais rápido é Espargaró, ora é Viñales, mas também já foi Miguel Oliveira e Raul Fernandez. Aliás, já foi mais que visível que o facto de a Aprilia ser rápida ao sábado, não significa que seja rápida no domingo. Para já, só a vitória de Viñales em Austin deu a Noale o único pódio nesta temporada nas corridas de domingo. Nas sprints, já são sete os pódios, sendo que três desses são vitórias. Parecem ainda crescer alguma tensão interna no seio da equipa com a indefinição nos assentos para 2025. Certo que Jorge Martín e Marco Bezzechi já estão garantidos, mas é um dado adquirido que Viñales sai de costas voltadas da equipa e que Massimo Rivola e Davide Brivio parecem ter visões opostas sobre quem ocupa os lugares na Trackhouse. Vamos ver o que sobra para Miguel Oliveira, numa altura em que o português parece ser mais desejado em Iwata do que em Noale.

Seguimos para a KTM. A construtora austríaca começou a temporada num grande nível, parecia mesmo ter a segunda mota mais capaz, mas, neste momento parece ter entrado num momento de estagnação. Desde a fakta de competitividade que leva à falta de bons resultados, à falta de dois pilotos. Sim, KTM já não conta com Jack Miller, nem com Augusto Fernandez. Dá mesmo a sensação que Pedro Acosta já corre pelas cores da Red Bull. Sobre esta estagnação, parece que a parceria Red Bull KTM está um pouco refém da crise desportiva na empresa de energéticos – que irei explorar no próximo mês de agosto -, no entanto, ainda é a equipa que melhor condição tem para dar a reviravolta e pôr em causa os resultados da Ducati.

Não é a primeira vez que faço isto e volto a fazer. Vou meter as construtoras japonesas “no mesmo saco” mais uma vez, visto que dizer que aquilo está desastroso é pouco. Na Yamaha, é mesmo a qualidade dos pilotos que vai salvando a recolha de pontos. Nestes rapazes de Iwata, que contam com o campeão do mundo de 2021, o melhor que conquistaram foi o sétimo posto em Portimão, pelas mãos de Quartararo. Alex Rins nem sequer conseguiu chegar ao top-10, mas conquistar oito pontos para a equipa, o que não é bom, mas a sua experiência pode beneficiar no desenvolvimento da YZR-M1. Acresce ainda a preocupação de preencherem as vagas para a Pramac que a partir de 2025 usará as motos nipónicas e que quererá uma moto competitiva o mais rapidamente possível.

Na Honda o desastre parece ser trágico mesmo. Nenhum piloto da construtora conseguiu atingir o top-10. Absolutamente nenhum. Pior: Luca Marini apenas conquistou um ponto. Isso mesmo… um ponto. O pico dos problemas dá-se quando Joan Mir afirma inequivocamente que tem a sensação de que a moto o quer matar. Fica ainda por resolver algumas questões na LCR no que aos lugares diz respeito. Ai Ogura terá de subir ao MotoGP e o mais provável é que seja para a equipa secundária. Sairá Nakaagami? Sairá Zarco? Não sabemos, mas os problemas não se resolveram ainda nesta época e a Honda continuará a sofrer.


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