Mitre10 3ª Jor – Hawke’s Bay diz “não” ao destino e derrota Canterbury

Francisco IsaacSetembro 27, 20207min0

Mitre10 3ª Jor – Hawke’s Bay diz “não” ao destino e derrota Canterbury

Francisco IsaacSetembro 27, 20207min0
O registo negativo de 37 anos sem ganhar a Canterbury acabou para os jogadores de Hawke's Bay que foram capazes de conquistar uma vitória aos 82 minutos de jogo! Este é só um dos destaques desta 3ª jornada da Mitre 10

Fim-de-semana rico em grandes emoções, como aconteceu para os lados de Hawke’s Bay por exemplo, com a equipa do nordeste a derrubar a sempre candidata formação de Canterbury na última jogada do encontro, levando aos adeptos presentes a um estado frenético e de loucura imensa!

Esta é a análise dos pontos mais fortes da 3ª jornada da Mitre10, competição de províncias da Nova Zelândia!

A MELHOR EQUIPA DA JORNADA: TASMAN

Já sem os seus All Blacks (Will Jordan por exemplo) em campo, pois já estão em preparação para a Bledisloe Cup 2020, Tasman e Waikato sabiam que a luta pelo primeiro posto da divisão cimeira da Mitre10 iria ser decidido por quem tivesse as melhores 2ªs opções e/ou que não sentisse totalmente a ausência das suas principais figuras. Após o apito final, seria a formação mais a norte da Nova Zelândia a garantir uma vitória até folgada que garantiu o total domínio na tabela classificativa e deixou os de Waikato a cinco pontos de diferença e mantendo-se como a principal candidata ao título, apesar de ainda termos bastante campeonato pela frente. Mas porquê é que escolhemos os Makos (ganham esta referência pelo tubarão que polvilha aquela zona marítima) como a equipa da semana?

Por causa da junção de três factores: talento, letalidade e entrosamento. O combo entre o 10-15 é dos mais bem estabelecidos entre as várias equipas da Mitre10, pois mais uma vez foi a partir dessa ligação que Tasman foi capaz de desmanchar com a linha de defesa contrária, forçando esta a esticar para depois penetrar através de um detalhe técnico bem esboçado, como aconteceu com o 3º e 4º ensaio dos actuais primeiros classificados. Não só sabem ter a oval em seu poder, como conseguem procurar boas oportunidades quando estão a defender, sendo o primeiro ensaio de David Havili (quase 150 metros percorridos durante a extensão do encontro) um excelente exemplo desta valência que torna Tasman um alvo muito difícil de abater, principalmente nestes dois últimos anos, onde encontraram sempre um equilíbrio organizacional de elevado nível e que tem sido capaz de dar ensaios, vitórias e títulos.

Não foi de todo um jogo de um só sentido, mas a maior preponderância de Tasman em saber respirar nos momentos mais críticos (Jacob Norris é um nome a reter no pack avançado, pois não só faz o seu papel a nível individual como transmite bons comandos aos seus companheiros), de conseguir discernir rapidamente as fragilidades de uma movimentação do adversário, com Mitch Hunt e David Havili a ocuparem esse papel, e de saberem fazer uso da sua vantagem no marcador são elementos que levam a crer que estamos perante a melhor equipa do campeonato neste momento.

A SURPRESA: HAWKE’S BAY

37 anos… 37 anos de espera, de constantemente a serem derrotados às mãos dos indomáveis de Canterbury, de não terem qualquer oportunidade para saber o que é ganhar a uma das principais equipas das províncias neozelandesas e de atemorização. Contudo, a 26 de Setembro de 2020 este registo supra negativo foi terminado com uma vitória conquistada de forma dramática, pois só chegou aos 82 minutos através de um maul dinâmico guiado pelo único, Ash Dixon! Ninguém esperava por este outcome, e por várias razões: Hawke’s Bay está actualmente na 2ª divisão da Mitre10, enquanto que Canterbury é um dos principais candidatos ao título da Premiership, existindo desde logo uma diferença qualitativa entre elencos; Canterbury é das equipas mais bem trabalhadas a nível colectivo e individual, reforçando aquela atitude irascível que é denotada nos Crusaders, enquanto Hawke’s Bay sempre foram visto como uma equipa valorosa, apaixonante mas sem uma extraordinária aptidão para construir jogo; e, outro exemplo de divisão, é o histórico entre ambos os clubes, com os de Canterbury a terem uma importância significativamente superior no rugby neozelandês.

Porém, a verdade é que a capacidade e não desistir, de nunca abandonar a luta e de querer atingir algo mais, foram os factores que decidiram este jogo e os jogadores de Hawke’s Bay trataram de se imbuir nesse espírito e alcançaram um resultado não só improvável mas pouco esperado, até porque o jogo parecia sentenciado aos 70 minutos. Em termos do que aconteceu dentro das quatro-linhas, o que há para contar? Hawke’s Bay foi francamente superior nos avançados, impondo-se no alinhamento e maul dinâmico, empurrando os de Canterbury para trás, com estes a não terem capacidade para fazer frente mesmo usando unidades como Mitchell Dunshea, Oliver Jager, Billy Harmon, Tom Sanders ou Tom Christie (entrou tarde e não se percebe como está no banco de suplentes).

Depois o facto de Canterbury ter gastado demasiada energia para tentar implementar o seu jogo, sem nunca se adaptar realmente ao que os seus adversários faziam, acabou por ser um problema quando Hawke’s Bay quis ir buscar o jogo, em particular naqueles últimos 10 minutos, com a equipa forasteira a cometer demasiadas penalidades quando não podia alimentar a equipa da 2ª divisão da Mitre10. No fim, o resultado foi justo, apesar do encontro equilibrado, e terminou assim um dos maiores jejuns de sempre da história da Mitre10 e do rugby neozelandês!

O MVP DA JORNADA: DAVID HAVILI (TASMAN)

Três ensaios, uma intercepção, 150 metros percorridos com a oval em seu poder, três offloads, três quebras-de-linha e sete defesas batidos, sem esquecer o excelente jogo táctico ao pé e a capacidade de dar um apoio sempre de soberba qualidade ao seu médio-de-abertura. Estes foram só alguns dos dados registados por David Havili na vitória ante Waikato e que dão fôlego aos adeptos de Tasman que estavam preocupados com a ausência de Will Jordan como o principal catalisador no que toca ao aproveitamento das oportunidades de ataque.

O polivalente All Black e tricampeão dos Crusaders (tetra se contarmos com o Super Rugby Aotearoa) ficou incumbido de se assumir como o estancador do jogo ao pé de Waikato – que mesmo assim foram capazes de chegar lá através de um belo e curto up and under de Fletcher Smith para o ensaio de Quinn Tupaea -, para além de ser ele o responsável por dar outra velocidade à linha de 3/4’s na altura de abrir a bola e tentar penetrar ou rasgar a defesa contrária.

Contudo, dar mérito ao abertura de Auckland, Simon Hickey, que registou uma exibição soberba com dois ensaios, duas assistências, três quebras-de-linha, concretizando um total de 20 pontos na vitória da sua equipa sob Manawatu.

A intercepção e 1º ensaio de David Havili

RANFURLY STATUS – OTAGO CAPTURA O LOG O’ WOOD!

Um rápido update em relação à defesa do Ranfurly Shield, troféu que pode trocar de mãos durante uma temporada da Mitre10… Taranaki, equipa que tinha conquistado o troféu no fim-de-semana passado a Canterbury, não foi capaz de aguentar mais que um fim-de-semana e perdeu a posse para Otago numa derrota por 19-30! Josh Ioane foi um comandante estupendo no liderar a equipa e de fazer o seu clube no agora detentor do Ranfurly Shield, depois de ter pedido a sua posse em 2019 para Canterbury.

DADOS BÁSICOS

Maior marcador de pontos (equipa): Auckland – 50 pontos
Maior marcador de ensaios (equipa): David Havili (Tasman) – 3 ensaios
Maior marcador de pontos (jogador): Simon Hickey (Auckland) – 20 pontos
Maior marcador de ensaios (jogador): David Havili (Tasman) – 3 ensaios
Melhor da Jornada: David Havili (Tasman)


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