Liga de Basquete Feminino: um enigma chamado Santo André

Lucas PachecoJunho 13, 20223min0

Liga de Basquete Feminino: um enigma chamado Santo André

Lucas PachecoJunho 13, 20223min0
Conseguirá o Santo André fazer algo de especial nos playoff de Liga de Basquete Feminino do Brasil? Ou o potencial não vai surgir?

A fase de classificação da LBF encaminha-se para seu fim, com as oito equipes dos playoffs definidas. Como todos supunham, Pró-Esporte Sorocaba (lanterna, sem nenhuma vitória no torneio) e Bax Catanduva (vice-lanterna, com um triunfo solitário sobre Sorocaba – ainda haverá o segundo confronto entre as equipes) estão eliminados. Na liderança, o Sesi Araraquara consolidou a primeira posição, obtendo o mando de quadra em todas as fases dos playoffs, assim como o Sampaio praticamente garantiu a segunda colocação. Para buscarmos alguma surpresa, teremos que buscar entre a terceira e a oitava colocadas, com destaque para o Santo André, equipe que vivenciou verdadeira gangorra nesta LBF.

Mantendo o mesmo núcleo da última edição entre as titulares, com técnico novo e novidades restritas ao restante do elenco, a equipe teve um início surpreendente, apresentando um basquete vistoso, de alta voltagem e intensidade. Se em 2021 a equipe buscava aproveitar as individualidades e mismatches, sem resultado, em 2022 a melhora no lado defensivo possibilitou o ritmo alucinante pretendido. A identidade da equipe parecia finalmente clara e funcional, com bons resultados iniciais, comandadas pelas móveis e produtivas pivôs Glenda e Sassá.

Víamos em quadra aquilo que as estatísticas apontavam desde o ano passado: sendo ambas as mais eficientes, nada mais justo que fossem as âncoras ofensivas da equipe. A primeira etapa da edição atual viu suaves decréscimos de tempo de quadra das alas Ariadna e Jaqueline, com pequena diminuição dos arremessos, e inserção gradativa de mais opções do elenco, principalmente utilizando jogadoras jovens, oriundas do exemplar trabalho da base andreense.

A armadora Lays melhorou seus números: com uma defesa mais forte, ela conseguiu imprimir o ritmo veloz desejado em quadra aberta, diminuindo os desperdícios e aumentando as assistências. Porém, conforme o campeonato avançou, esses pequenos ganhos foram sendo soterrados pelo retorno da mesma dinâmica da edição passada, quando a equipe era comandada pela Arilza Coraça.

Sob a sombra de 2021 cada vez mais presente, Santo André ainda protagonizou duas viradas em seus domínios, sobre os desfalcados Ituano e Blumenau, vitórias que mascararam a estagnação tática. Não tardaria para os resultados refletirem a falta de oxigenação da equipe: na viagem ao Nordeste, a equipe retornou com duas derrotas significativas, para o Sampaio (resultado possível, porém a equipe não demonstrou zero poder de reação) e para o Sport (impensável no começo do torneio).

Ariadna e Jaqueline voltaram a dominar os arremessos, mesmo sem eficiência; Sassá e Glenda deixaram o protagonismo sair de suas mãos sem muita reação; Lays voltou a acelerar e deixou de ditar o ritmo da equipe. O técnico Choco, por sua vez, reduziu a participação das jovens Aninha, Stephany e Melissa a papéis de descansar as titulares (em raríssimos minutos). Evelyn praticamente sumiu da rotação e mesmo a pivô Bianca não se destaca.

Assim, a equipe que lutava pelo mando de quadra caiu na tabela e voltou a um estilo fadado ao fracasso. A gradativa evolução estagnou-se. O próprio técnico citou, na entrevista após a derrota para o Sport, a indisciplina tática, sinal de entendimento dos entraves. Os pilares para o bom basquete continuam lá, como a defesa. Porém, a equipe precisa entender suas forças e fraquezas, coletivas e individuais, e voltar a aplicar em quadra o estilo voluptuoso, solidário e oxigenado apresentado no início da LBF.

Qual versão vai aparecer nos playoffs? A resposta virá em breve, provavelmente contra um adversário mais difícil do que os indícios iniciais apontavam. Mas a equipe já demonstrou que, jogando dentro de sua característica e ritmo, pode vencer qualquer um. A equipe foi decifrada, e ainda assim possui os meios para devorar quem cruzar seu caminho. Cabe unicamente a Santo André decidir qual rumo tomar.


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